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Por Nayara Cristina
A instabilidade geopolítica no Oriente Médio voltou a impactar diretamente a economia brasileira. Um levantamento realizado pela empresa de gestão de frotas Gestran revelou que o preço do diesel registrou forte elevação entre fevereiro e maio deste ano, refletindo os efeitos da escalada dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã sobre o mercado internacional de petróleo.
De acordo com o estudo, o diesel S10 chegou a acumular alta de 28,99% no período mais crítico da crise, embora os preços tenham apresentado sinais de acomodação nas semanas seguintes. Mesmo com a desaceleração, o combustível encerrou o quadrimestre custando 17,68% mais caro do que antes do agravamento das tensões internacionais.
A pesquisa foi elaborada a partir dos dados de abastecimento registrados por empresas que utilizam a plataforma de gestão da Gestran. O monitoramento teve como ponto de partida o dia 12 de fevereiro, quando o litro do diesel S10 era comercializado, em média, por R$ 5,80.
Poucos dias depois, o cenário internacional mudou drasticamente. A ampliação das tensões no Oriente Médio gerou forte reação no mercado global de petróleo, provocando oscilações que rapidamente chegaram ao Brasil. A partir do início de março, o levantamento identificou uma escalada acelerada dos preços.
Em apenas 17 dias, o valor médio do diesel saltou de R$ 5,92 para R$ 7,30 por litro. O movimento foi tão intenso que, em determinados momentos, ocorreram aumentos superiores a 3% em um único dia.
O período de maior pressão ocorreu entre o final de março e a primeira quinzena de abril. Durante três semanas consecutivas, o combustível permaneceu acima de R$ 7,29 por litro, alcançando o pico de R$ 7,42 no início de abril, um dos maiores valores registrados no ano.
Após atingir esse patamar, o mercado iniciou uma fase de correção gradual. A redução, entretanto, não foi suficiente para devolver os preços aos níveis observados antes da crise. No encerramento do período analisado, o litro do diesel ainda era vendido por cerca de R$ 6,83, valor significativamente superior ao registrado antes da disparada.
Reflexo direto no bolso das transportadoras
O aumento do combustível trouxe consequências imediatas para empresas de transporte e logística, setores que dependem diretamente do diesel para suas operações.
Para medir os impactos financeiros, a Gestran simulou o comportamento de uma frota composta por 50 caminhões de grande porte, cada um consumindo aproximadamente 6 mil litros de diesel por mês.

O resultado apontou uma elevação expressiva nos custos operacionais. Antes da crise, a despesa mensal com abastecimento era estimada em R$ 1,74 milhão. No auge da alta dos combustíveis, esse valor saltou para R$ 2,14 milhões, gerando um acréscimo superior a R$ 407 mil em apenas um mês.
Especialistas alertam que aumentos dessa magnitude acabam sendo repassados para toda a cadeia produtiva, impactando o preço do frete, dos alimentos, dos insumos agrícolas e de diversos produtos consumidos pela população.
Três fatores explicam a disparada
Segundo o CEO da Gestran, Paulo Raymundi, o encarecimento do diesel no Brasil foi resultado da combinação de fatores externos e internos.
Entre eles está a valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. Durante o período analisado, o barril do petróleo Brent ultrapassou a marca de US$ 90 e chegou a se aproximar de US$ 110, refletindo o receio de investidores diante de possíveis interrupções no fornecimento global.
Outro fator apontado foi o reajuste promovido pela Petrobras em meados de março, que elevou o preço do diesel nas refinarias. Além disso, o Brasil continua dependente da importação de parte significativa do combustível consumido no país, tornando o mercado interno mais sensível às oscilações internacionais.
Cenário exige atenção do setor produtivo
Para especialistas em logística, o comportamento dos preços observado entre fevereiro e maio serve como alerta para empresas que dependem do transporte rodoviário. O episódio demonstra como eventos geopolíticos ocorridos a milhares de quilômetros do Brasil podem produzir efeitos quase imediatos nos custos operacionais das empresas nacionais.
O levantamento mostra ainda que, embora os preços tenham iniciado uma trajetória de acomodação, o diesel permanece em patamar elevado, exigindo planejamento financeiro e estratégias de gestão mais eficientes para minimizar os impactos sobre as operações de transporte e distribuição de mercadorias.