Governo de Mato Grosso admite surpresas, falta de mão de obra e entraves técnicos;Mauro Mendes diz que atraso do BRT é “imprevisível”, mas garante entrega, VEJA O VÍDEO
Jab News
por Emerson Teixeira
As obras do BRT que cortam as principais avenidas de Cuiabá e Várzea Grande seguem tirando o sono do Executivo estadual e testando a paciência da população. Após mais de uma década de transtornos, paralisações e mudanças de projeto desde a fracassada implantação do VLT, o atual governo enfrenta uma maratona de desafios técnicos, jurídicos e operacionais para concluir um sistema que se tornou símbolo de desgaste político e estrutural na região metropolitana.
Durante coletiva nesta terça-feira, em Cuiabá, o governador Mauro Mendes detalhou os principais obstáculos que, segundo ele, explicam os sucessivos atrasos na execução das obras do BRT. Mendes reconheceu o incômodo da população, mas afirmou que o cenário envolve uma sucessão de “surpresas” técnicas que não estavam previstas nos projetos originais.
“Nós temos uma grande dificuldade, porque as empresas quando estão executando, elas deparam com muitas surpresas que não tinham previsibilidade. Nós encontramos rede de água que não estava previsto, rede de esgoto que não estava prevista, drenagem pluvial que não estava prevista”, afirmou o governador. Segundo ele, a execução dessas adequações é complexa e depende de outros órgãos, o que amplia o prazo das intervenções.
O chefe do Executivo citou como exemplo a situação da trincheira da Avenida Miguel Sutil, onde, segundo relatou, surgiu um problema estrutural inesperado. De acordo com Mendes, a antiga empresa responsável pelo trecho comunicou oficialmente que o viaduto executado na região apresentava comprometimento técnico e precisaria ser demolido. “Olha que surpresa nova. Quando nós licitamos aquela obra ali, nada disso. Eu tinha só escavar por baixo, abrir e fazer os acabamentos. A obra devia estar pronta há muito tempo. Aí apareceu uma carta do consórcio dizendo que reconhecia falha técnica de execução e que esse viaduto precisava ser demolido.”
Diante do impasse, o governo afirmou que descontou valores de acordo firmado anteriormente e contratou nova empresa para executar a demolição e reconstrução da estrutura. Para Mendes, são essas imprevisibilidades que ampliam o transtorno urbano e impactam diretamente o cronograma. “Veja o que causa tanto transtorno. São essas imprevisibilidades que acontecem e que não estão no nosso controle.”
Outro fator apontado como determinante para o atraso é a escassez de mão de obra no estado. O governador destacou que Mato Grosso registra atualmente uma das menores taxas de desemprego do país, cerca de 2,2%, o que tem provocado dificuldades generalizadas na contratação de trabalhadores para obras públicas e privadas. “Todas as nossas obras estão com dificuldades. Todas estão atrasando. Falta mão de obra hoje em Mato Grosso. Isso qualquer cidadão sabe. Qualquer empresa privada hoje vive isso.”
Mendes afirmou que o governo tem optado por priorizar e reorganizar cronogramas diante da limitação operacional. “Nós temos várias obras para começar. Eu deixei de começar. Se fazer obra incomoda tanto, vamos conviver com o problema para o resto da vida?”, questionou, ao defender que o enfrentamento dos gargalos estruturais exige paciência da sociedade. “Não existe parto sem dor.”
Apesar das críticas e da pressão popular, especialmente nas avenidas do CPA, Fernando Corrêa, Miguel Sutil e nos principais eixos de ligação entre Cuiabá e Várzea Grande, o governador garantiu que há avanço significativo em trechos já liberados, citando melhorias no padrão de qualidade da via do CPA. Ele reconheceu que a população “tem razão de ficar chateada”, sobretudo porque a obra ficou paralisada por vários anos antes da mudança do modal, mas argumentou que a retomada exige correções profundas herdadas de falhas anteriores.
O governador também afastou qualquer receio político diante das cobranças e classificações de que o BRT seria o “calcanhar de Aquiles” da gestão. “Pode falar o que quiser. Eu não tenho medo disso. Estamos enfrentando os problemas e resolvendo”, declarou, ao sustentar que o Estado tem conduzido de forma adequada seus programas estruturantes.
Além do BRT, Mendes citou o volume de investimentos em andamento, incluindo o programa habitacional que já soma 40 mil casas populares contratadas junto à Caixa Econômica Federal, como demonstração de que o governo mantém ritmo elevado de obras simultâneas. Para ele, o cenário atual reflete um estado em expansão econômica acelerada, que pressiona o mercado de trabalho e impacta diretamente a velocidade das entregas.
Enquanto isso, motoristas, comerciantes e moradores das regiões afetadas seguem convivendo com interdições, desvios e mudanças no tráfego. A promessa do governo é de que, superadas as interferências ocultas e os entraves técnicos, o sistema BRT represente uma solução definitiva para a mobilidade urbana na região metropolitana. Até lá, a obra continua sendo um dos maiores desafios de infraestrutura e gestão enfrentados pelo Palácio Paiaguás.
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