“Me tirou da lista”: Botelho revela acordo descumprido e questiona legalidade da escolha na CCJ, “Não cumpriu o regimento”, VEJO O VÍDEO

· 3 min de leitura
JB News Por Nayara Cristina A exclusão do deputado Eduardo Botelho da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) da Assembleia Legislativa de Mato Grosso desencadeou uma forte reação pública do parlamentar, que não escondeu a insatisfação com a condução interna do processo que levou à definição dos novos membros da comissão para o próximo biênio. Considerada uma das mais importantes da Casa por analisar a constitucionalidade e a legalidade dos projetos antes de irem a plenário, a CCJR voltou ao centro de uma disputa política marcada por acusações de quebra de acordo, manobra interna e descumprimento do regimento. Em conversa com a imprensa, Botelho afirmou que já havia tratado do assunto na semana passada e que não pretende “ficar batendo na tecla”, mas confirmou que se sentiu traído. Segundo ele, houve um compromisso firmado entre os parlamentares de que ele seria membro titular da comissão. “Nós tínhamos combinado e ele fez diferente. Então é algo que eu lógico que eu senti, depois que eu fiz aquele desabafo. Mas está passado já, não vou ficar batendo nisso, não vou ficar remoendo também isso”, declarou. O deputado relatou que os nomes das comissões haviam sido fechados em consenso e que, um dia antes da formalização, questionou se estava tudo mantido. “Ele disse que já tinha entregado a lista pro presidente. Aí pediu a lista pra fazer uma nova revisão, me tirou trocando, colocando ele. Então eu senti, lógico, senti traído”, afirmou. Botelho contou ainda que tentou contato para entender o que havia ocorrido, mas não obteve retorno. “Eu liguei pra ele, fui perguntar, ele não me atendia mais. Simplesmente sumiu. Eu mandava mensagem, marquei pra perguntar o que aconteceu, ele não me atendia.” Sem citar diretamente no áudio o nome do colega, a crise envolve a condução que levou o deputado Dilmar Dal Bosco à presidência da CCJR, processo que já vinha sendo alvo de críticas nos bastidores e que ganhou repercussão pública após o desabafo de Botelho. O ex-presidente da Assembleia ressaltou que, durante sua gestão, sempre tratou os embates internos de forma direta. “Eu muitas vezes agradei deputados, mas eu falava direto pra eles. Eu dizia: aqui não posso fazer isso, ou vou tirar você disso. Sempre foi assim que eu agi. Eu não gostei da forma como foi feito. Só isso, mas é algo pessoal meu.” Botelho também fez questão de afastar qualquer envolvimento do governo estadual na decisão. Disse que procurou o governador Mauro Mendes e o chefe da Casa Civil, Fábio Garcia, para esclarecer se houve interferência. “Eu perguntei pro governador: ‘o senhor tem alguma coisa a ver com isso?’ Eu jamais o pediria para tirar. Liguei pro Fábio Garcia da Casa Civil. O senhor pediu? Não. Isso é coisa dele.” Para Botelho, a decisão foi unilateral. “Não foi Mauro que mandou, não foi Fábio Garcia que mandou, foi da cabeça dele.” Apesar da mágoa, o parlamentar afirmou que pretende manter a civilidade. “Eu vou conversar normalmente aqui. A civilidade tem que continuar. Não podemos viver aqui dentro dessa Casa, ainda que haja diferença, nós temos que manter a civilidade democrática aqui dentro.” Ele garantiu que não criará novos conflitos e que pretende permanecer como membro da comissão, mesmo sem a presidência. “Eu não vou criar mais confusão. Ele pode ficar como presidente, não tem problema nenhum. Mas tem que ficar registrado o meu descontentamento.” Um dos pontos mais contundentes da fala de Botelho foi a crítica ao que considera desrespeito ao regimento interno da Assembleia. Segundo ele, a forma como a presidência da CCJR foi definida não seguiu o rito tradicional. “O regimento é claro. Comissão é instalada e é feita uma eleição secreta pra escolher o presidente. Tá no regimento. E sempre foi assim que teve quando eu estive à frente da presidência aqui. Agora não mudou. E ele, como líder, indicou todas as comissões. Isso não existe.” Ainda assim, ponderou que, como a decisão foi aceita pela presidência da Casa, não pretende judicializar ou ampliar a crise: “Se o presidente aceitou, eu não vou criar problema nenhum. Pra mim tá passado.” Questionado sobre possíveis relações entre a disputa na CCJR e articulações envolvendo CPIs na Assembleia, Botelho negou qualquer conexão. “A CPI não tem nada a ver com a CCJ. A CPI não passa pela CCJ. O relatório final vai direto para o plenário. A CCJ não tem relação nenhuma com a CPI.” Para ele, as especulações que circularam sobre suposta articulação política envolvendo comissões e investigações não procedem. Ainda na manhã desta quarta-feira, antes mesmo da repercussão completa da entrevista, a nova composição da CCJR já havia sido oficializada pela Mesa Diretora, consolidando a exclusão de Botelho como membro titular da comissão para o biênio. A definição encerrou qualquer possibilidade de reversão imediata e confirmou o novo desenho político do colegiado. Ficaram definidos como membros titulares da CCJR os deputados Dilmar Dal Bosco (presidente), Diego Guimarães, Júlio Campos, Tiago Silva e Chico Guarnieri. Como suplentes, foram indicados os parlamentares que passam a compor a comissão em caso de ausência dos titulares. Mesmo afirmando que considera o episódio superado, o tom adotado por Botelho revela que a ferida política ainda está aberta. Ao insistir que houve quebra de compromisso e descumprimento do regimento, o deputado expõe uma fissura interna que vai além de uma simples troca de nomes: atinge diretamente a credibilidade dos acordos firmados entre parlamentares e reacende o debate sobre os critérios de escolha nas comissões mais estratégicas da Assembleia. Veja: [playlist type="video" ids="380648"]