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Por Emerson Teixeira
A investigação que colocou uma missionária e integrantes de sua própria família no centro de uma apuração sobre o Comando Vermelho avançou para uma nova fase em Mato Grosso. O Ministério Público Estadual, por meio do Gaeco, denunciou seis pessoas por suposta participação em uma estrutura relacionada à facção e à movimentação e ocultação de dinheiro.
A denúncia foi apresentada à 7ª Vara Criminal de Cuiabá, especializada no julgamento de crimes relacionados a organizações criminosas.
Foram denunciados Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, Renildo Silva Rios, conhecido como “Velho”, “Velhote” ou “Chapa”, Orminda Carlos de Barcelos Almeida, Rhuan Barcelos da Conceição, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi.
Segundo a acusação, Rhavenna, Renildo e Orminda teriam integrado um núcleo relacionado ao Comando Vermelho entre janeiro de 2024 e julho de 2026. Os três também foram denunciados por lavagem de dinheiro.
Rhuan, Anatany e Lo Rhuama são acusados de lavagem de dinheiro.
Um dos pontos considerados relevantes pelos investigadores é a utilização da atuação religiosa para manter contato com pessoas dentro do sistema prisional.
Rhavenna e a mãe participavam da chamada “Equipe de Evangelismo Resgatando Vidas”, responsável por visitas a presídios. De acordo com a acusação do Ministério Público, esse acesso teria sido utilizado para estabelecer comunicação entre integrantes presos, pessoas em liberdade e foragidos ligados à organização criminosa.
A investigação reuniu diálogos, imagens armazenadas em nuvem e informações obtidas a partir de quebra de sigilo telemático autorizada judicialmente.
Correspondências analisadas durante a investigação também apresentam referências a dinheiro, objetos e pedidos direcionados à missionária. Em uma das cartas mencionadas pelos investigadores, há solicitação para que determinados objetos fossem guardados. Outra correspondência faz referência a transferências via Pix nos valores de R$ 400 e R$ 150.
O Gaeco também cita a proximidade de Rhavenna com Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, apontado pela investigação como liderança do Comando Vermelho em Mato Grosso. Conforme a denúncia, ela teria mantido relacionamento com Jonas e recebido valores encaminhados por ele durante o período em que estava foragido.
Diálogos incluídos na investigação mencionariam valores de R$ 7 mil e R$ 10 mil e preocupação com movimentações financeiras que pudessem despertar atenção das autoridades.
Anatany, segundo a acusação, teria realizado depósitos e ajudado no controle de movimentações financeiras. O Gaeco sustenta que o fato de ela trabalhar em uma lotérica teria facilitado parte dessas operações.
Lo Rhuama, por sua vez, é acusada de receber e movimentar recursos e de ter sido beneficiada por dinheiro e bens supostamente enviados por integrantes da facção.
As acusações agora deverão ser analisadas pelo Judiciário. A apresentação da denúncia representa a acusação formal do Ministério Público e não equivale a condenação dos denunciados.