JB News
Por José Teixeira
O prefeito de Ipiranga do Norte, Juliano Berticelli, ingressou na Justiça, por meio do município, com um pedido para suspender a eleição da nova diretoria da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM). Com a medida, Ipiranga do Norte torna-se a segunda prefeitura a formalizar uma ação judicial contra o processo eleitoral marcado para 16 de setembro.
A primeira iniciativa partiu da Prefeitura de Nova Xavantina, comandada pelo prefeito João Machado Neto, o João Bang. A ação declaratória com pedido de liminar foi protocolada no dia 4 de setembro e também contesta o curto prazo estabelecido para a votação, além das mudanças promovidas nas regras eleitorais da entidade. O caso está sob análise da 7ª Vara Cível de Cuiabá.
A crise começou depois que a direção da AMM, presidida por Hemerson Lourenço Máximo, o Maninho, conduziu uma mudança no estatuto da entidade e antecipou o calendário eleitoral. A reforma foi aprovada durante uma Assembleia Geral Extraordinária realizada em 4 de agosto de 2026, mas o novo texto estatutário somente foi publicado no Jornal Oficial dos Municípios em 24 de agosto. Resolução nº 10/2026 da AMM.
Entre as alterações, o mandato da Diretoria Executiva e do Conselho Fiscal passou para três anos e foi aberta a possibilidade de um ex-prefeito, na condição de associado honorário, disputar a presidência da associação na primeira eleição realizada depois do término de seu mandato municipal. A mudança também estabeleceu que o pleito poderia ocorrer em qualquer data do último ano da gestão, até dezembro, com posse dos eleitos em janeiro do ano seguinte.
No dia seguinte à publicação do novo estatuto, em 25 de agosto, Maninho assinou o edital convocando a eleição para 16 de setembro. O prazo para registro das chapas terminou às 17h30 do dia 8 de setembro. Na prática, os interessados tiveram 14 dias corridos entre a convocação e o encerramento das inscrições para organizar uma composição, reunir documentos e buscar apoio entre os municípios filiados. Edital de convocação da eleição.
Essa sequência de atos — alteração do estatuto, publicação das novas regras e convocação imediata da eleição — é apontada pelos prefeitos insatisfeitos como uma manobra da atual presidência para antecipar o processo e reduzir o tempo disponível para o surgimento de uma chapa adversária. A acusação é dos gestores que contestam o calendário e ainda depende de avaliação judicial, não havendo decisão definitiva que tenha reconhecido irregularidade ou má-fé por parte da direção da AMM.
A escolha da nova diretoria foi levada justamente para o período mais intenso da campanha eleitoral estadual e nacional, quando os prefeitos estão envolvidos nas disputas para o Governo de Mato Grosso, Senado, Assembleia Legislativa e Câmara Federal. Para o grupo que pede o adiamento, a coincidência de calendários prejudica a discussão interna da AMM, limita a apresentação de propostas e praticamente inviabiliza a articulação de uma candidatura alternativa.
Em vez de discutirem exclusivamente os rumos do municipalismo, os gestores precisam dividir suas agendas entre compromissos administrativos, campanhas de deputados estaduais e federais, candidatos ao Senado e concorrentes ao Governo do Estado. Na avaliação dos prefeitos, a eleição da AMM acaba misturada às alianças partidárias do pleito geral e pode transportar para dentro da entidade os conflitos entre os diferentes palanques eleitorais.
Berticelli se soma a outros gestores que questionam a antecipação do processo e acusa a atual administração da entidade de agir de “má-fé” ao marcar a votação em plena campanha eleitoral estadual.
Em entrevista ao JB News, Berticelli afirmou que decidiu recorrer individualmente à Justiça depois de considerar inadequada a mudança no calendário. Segundo ele, os prefeitos estão mobilizados em seus municípios e envolvidos nas campanhas para deputados, Senado e Governo do Estado, o que inviabiliza uma discussão ampla sobre os rumos da associação.
“A gente achou fora de mão adiantar uma eleição em cima de uma eleição estadual, quando todos os prefeitos estão correndo para eleger seus deputados e o governo. Transferir a eleição da AMM, de última hora, para o meio da campanha política, eu achei de má-fé”, declarou.
O prefeito explicou que a ação foi protocolada exclusivamente pelo município de Ipiranga do Norte, embora outros gestores também tenham apresentado questionamentos contra a antecipação. O objetivo, conforme Berticelli, é fazer com que a votação ocorra no período tradicional, entre o fim de dezembro e janeiro, garantindo tempo para articulações, debates e eventual formação de chapas concorrentes.
“Fiz uma ação sozinho, pelo município de Ipiranga do Norte. Outros prefeitos também entraram, mas a minha ação foi feita pelo município. O pedido é para que a eleição continue no período normal, como sempre foi”, afirmou.
Berticelli criticou especialmente o curto intervalo entre a publicação do edital e a data prevista para a votação. De acordo com o prefeito, o processo foi lançado faltando aproximadamente dez dias para a eleição marcada para o dia 16, prazo que considera insuficiente para a construção de uma candidatura alternativa.
“Faltando dez dias, soltaram o edital dizendo que a eleição seria no dia 16. Você teria dez dias para formar uma chapa, no meio de uma campanha política. Como alguém consegue formar uma chapa assim? É impossível”, questionou.
Na avaliação do gestor, a condução acelerada do processo acaba favorecendo o grupo que já controla a associação, pois dificulta a organização dos prefeitos interessados em apresentar uma composição diferente. Berticelli classificou a votação como uma eleição organizada “a toque de caixa”.
“Quando acontece um negócio desse, você se dá ao luxo de pensar que é uma manobra para eleger a chapa que está lá dentro. Querendo ou não, tornou inviável a formação de outra chapa. Uma eleição da AMM exige articulação, não é simplesmente criar uma chapa de uma hora para outra”, reforçou.
O prefeito negou que a ação tenha sido motivada por uma candidatura própria à presidência da entidade. Segundo ele, ainda não houve discussão sobre a composição de chapas e sua eventual participação somente poderá ser avaliada caso a eleição seja transferida para dezembro.
“Não foi conversado nada sobre candidatura ou formação de chapa. Minha intenção é suspender essa votação feita em cima da hora. Se outros quiserem formar uma chapa, haverá tempo. Se eu vou participar ou não, em dezembro a gente vê”, disse.
Berticelli também argumentou que uma disputa interna pela AMM durante o período eleitoral poderia prejudicar os próprios candidatos que concorrem aos cargos estaduais, ao dividir prefe