ALVO DA PF

Fábio Garcia descola imagem do UB do PP, e defende punição a Ciro Nogueira caso envolvimento com Banco Master seja comprovado

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Fábio Garcia descola imagem do UB do PP, e defende punição a Ciro Nogueira caso envolvimento com Banco Master seja comprovado

JB News

Por Nayara Cristina

A crise envolvendo o senador Ciro Nogueira ganhou novos capítulos após o parlamentar se tornar alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de favorecimento ao Banco Master em troca de vantagens econômicas. Em meio ao desgaste político que atinge diretamente a cúpula do Progressistas, o deputado federal Fábio Garcia adotou um discurso duro ao afirmar que “quem comete crime no Brasil precisa pagar pelos crimes que cometeu”, deixando claro o distanciamento da federação União Progressista em relação às acusações que recaem sobre o senador piauiense.


As investigações conduzidas pela Polícia Federal colocaram Ciro Nogueira no centro de uma apuração que envolve a compra de um triplex avaliado em cerca de R$ 22 milhões em um dos endereços mais luxuosos de São Paulo, localizado na região da Rua Oscar Freire. Segundo as apurações divulgadas nacionalmente, o imóvel de 514 metros quadrados teria sido adquirido em julho de 2024, pouco tempo depois de o senador passar a integrar negócios ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master e investigado por suposta fraude bilionária contra o sistema financeiro.


Os investigadores apontam que, meses após a negociação envolvendo ativos da Green Investimentos, Ciro apresentou no Senado a chamada “emenda master”, proposta que elevava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A medida beneficiaria diretamente o Banco Master, que enfrentava dificuldades de liquidez. A Polícia Federal afirma que o texto da proposta teria sido elaborado pela própria assessoria do banco e reproduzido integralmente pelo parlamentar. Em mensagens interceptadas pelos investigadores, Daniel Vorcaro teria afirmado que a proposta “saiu exatamente como eu mandei”.


Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a movimentação financeira envolvendo a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários, ligada à família de Ciro Nogueira. A PF aponta indícios de pagamentos mensais que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, recursos que, segundo as suspeitas, teriam relação com as negociações investigadas. Ainda conforme as apurações, a participação societária adquirida pela empresa do senador na Green Investimentos teria sido comprada por cerca de R$ 1 milhão, embora os ativos fossem avaliados em aproximadamente R$ 13 milhões, o que levantou suspeitas de possível vantagem indevida.


Mesmo diante do avanço das investigações, Ciro Nogueira nega qualquer irregularidade. O senador afirma que a aquisição do triplex ocorreu dentro da legalidade, com parte do pagamento realizada mediante entrega de outro imóvel avaliado em R$ 8 milhões e o restante parcelado junto à construtora. Ele também sustenta que está sendo alvo de perseguição política e afirma que adversários tentam enfraquecê-lo diante do crescimento nas pesquisas de intenção de voto.


O caso provocou forte repercussão dentro da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil. Questionado sobre a situação envolvendo o senador, Fábio Garcia evitou defender o aliado político e afirmou que não há espaço para proteção partidária quando há suspeita de crime. Segundo ele, a Justiça precisa agir com independência e qualquer eventual responsabilização deve ocorrer independentemente da legenda partidária.


“O Brasil não pode passar a mão na cabeça de ninguém. Se cometeu crime, tem que pagar. Não interessa se está no PP, no MDB, no PL ou no PT”, declarou o parlamentar mato-grossense ao comentar o caso.


Fábio Garcia também procurou separar institucionalmente a imagem do União Brasil da crise enfrentada pelo Progressistas. Apesar da federação nacional entre os partidos, ele ressaltou que ambas as siglas possuem estruturas independentes, decisões próprias e comandos distintos nos estados. Ao ser questionado sobre uma possível saída de Ciro Nogueira da presidência nacional do PP, o deputado afirmou que não cabe a ele interferir em assuntos internos da legenda aliada.


A operação autorizada pelo ministro André Mendonça amplia a pressão política sobre Ciro Nogueira em Brasília e abre mais um capítulo de tensão dentro da base conservadora nacional. O caso ganhou dimensão nacional por envolver cifras milionárias, imóveis de alto padrão, suspeitas de favorecimento financeiro e possíveis conexões entre interesses privados e atuação parlamentar no Congresso Nacional.

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