APOIO DE PESO

Eduardo Bolsonaro rompe linha partidária, declara apoio a Pivetta em MT

· 3 min de leitura
Eduardo Bolsonaro rompe linha partidária, declara apoio a Pivetta em MT

RACHA NA DIREITA

JB News

Por Nayara Cristina

Filho de Jair Bolsonaro escolhe governador do Republicanos mesmo com Wellington Fagundes disputando o Governo pelo PL; manifestação ocorre no dia da eleição e evidencia disputa interna pelo eleitorado bolsonarista

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) entrou diretamente na disputa pelo Governo de Mato Grosso neste domingo (4), dia do primeiro turno das eleições, ao declarar apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), adversário do senador Wellington Fagundes, candidato oficial do próprio PL ao Palácio Paiaguás.

A manifestação ocorreu por meio de uma “cola eleitoral” divulgada por Eduardo nas redes sociais. Na relação de candidatos apoiados por ele em Mato Grosso, Pivetta aparece expressamente como sua escolha para governador.

A decisão chama atenção pelo desenho político da eleição. Eduardo é uma das principais figuras nacionais do PL, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e irmão de Flávio Bolsonaro, candidato do partido à Presidência da República. Mesmo inserido diretamente na estrutura política da legenda, ele optou por apoiar Pivetta em Mato Grosso, deixando Wellington fora de sua lista para o Governo.

Na “colinha”, Eduardo indicou Coronel Assis (PL) para deputado federal, Gilberto Cattani (PL) para deputado estadual, José Medeiros (PL) e Mauro Mendes (União) para o Senado, Otaviano Pivetta para governador e Flávio Bolsonaro para presidente.

A escolha expõe de maneira ainda mais clara a divisão das forças da direita que marcou a campanha eleitoral em Mato Grosso. De um lado está Wellington Fagundes, senador e candidato oficial do PL ao Governo. Do outro, Pivetta conseguiu reunir ao longo da campanha apoios de integrantes do próprio partido adversário e de lideranças identificadas com o campo bolsonarista.

O movimento de Eduardo também representa uma mudança importante em relação ao início das articulações eleitorais.

Em março deste ano, durante encontro realizado nos Estados Unidos com políticos de Mato Grosso, Eduardo havia sinalizado proximidade com Wellington e José Medeiros e defendido a articulação das lideranças conservadoras para a eleição. Nos meses seguintes, porém, a relação política em torno da candidatura ao Governo passou por mudanças e as divergências dentro do PL ficaram mais evidentes.

Em maio, Eduardo já havia feito uma manifestação sobre a eleição de Mato Grosso sem citar Wellington para governador. Na ocasião, destacou a estratégia de fortalecimento da candidatura presidencial e das disputas pelo Senado, além de mencionar José Medeiros.

As divergências ganharam força durante a campanha.

Prefeitos filiados ao PL, entre eles Flávia Moretti, de Várzea Grande, e Cláudio Ferreira, de Rondonópolis, aderiram à candidatura de Pivetta. José Medeiros, candidato do próprio PL ao Senado, também participou de atos eleitorais ao lado do governador.

A composição partidária construída por Wellington igualmente provocou resistência entre setores da legenda. A aliança eleitoral envolvendo PL e MDB foi contestada publicamente por integrantes do partido. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, chegou a pedir para ser liberado da legenda diante da composição e mencionou a possibilidade de apoiar o projeto de Pivetta.

A divisão chegou à reta final.

Na última sexta-feira (2), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou um vídeo indicando candidatos que apoiaria caso votasse em Mato Grosso. Citou Rafael Ranalli para deputado federal, Ulysses Moraes para deputado estadual, José Medeiros para o Senado e Flávio Bolsonaro para presidente, mas não indicou Wellington para o Governo.

Uma “colinha” posteriormente divulgada chegou a apresentar Wellington entre as indicações de Nikolas. Neste domingo, porém, foi publicada uma nova versão sem candidato ao Governo. A ausência ocorreu em meio às divergências já existentes dentro da legenda.

O caso de Eduardo Bolsonaro vai além da ausência.

Diferentemente de outras lideranças que simplesmente deixaram de indicar um nome para governador, Eduardo colocou Pivetta diretamente em sua lista eleitoral, mesmo com o PL tendo Wellington oficialmente na disputa.

A manifestação também evidencia uma peculiaridade da eleição de Mato Grosso: o eleitorado identificado com a direita chegou dividido à disputa estadual. Wellington buscou durante toda a campanha consolidar sua candidatura como representante do PL, enquanto Pivetta recebeu adesões de políticos e grupos também ligados ao campo conservador.

Ao mesmo tempo, integrantes da própria família Bolsonaro adotaram posições diferentes sobre a eleição estadual. Flávio Bolsonaro chegou a gravar manifestação durante a campanha pedindo votos para Wellington Fagundes e José Medeiros. Agora, Eduardo torna pública sua opção por Pivetta.

Assim, no mesmo projeto presidencial que trabalha pela eleição de Flávio Bolsonaro, diferentes forças políticas chegaram ao domingo eleitoral separadas na disputa pelo Palácio Paiaguás.

A publicação de Eduardo Bolsonaro, feita justamente no dia da votação, transforma uma divisão que vinha sendo construída nos bastidores e em manifestações isoladas ao longo da campanha em um posicionamento explícito: para presidente, Eduardo apoia o irmão e candidato do PL, Flávio Bolsonaro; para o Governo de Mato Grosso, sua escolha é Otaviano Pivetta, adversário do candidato oficial de seu próprio partido.

Veja

0:00
/4:13