JB News
por Nayara Cristina
A sucessão ao governo de Mato Grosso em 2026 começa a ganhar novos contornos nos bastidores da política estadual, especialmente após o fortalecimento recente do Podemos, que passou a ser considerado uma peça estratégica nas composições majoritárias. Com a filiação de mais de 28 prefeitos, centenas de vereadores, empresários e lideranças comunitárias em diversas regiões do estado, além da presença de três deputados estaduais na Assembleia Legislativa, a legenda passou a ser cortejada por diferentes grupos políticos interessados em ampliar suas alianças.
Entre as articulações em discussão está a possibilidade de o partido indicar o nome da prefeita de Jaciara, Andréia Wagner, para compor como vice-governadora em uma eventual chapa liderada pelo senador Jayme Campos. A prefeita é esposa do presidente da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Max Russi, que comentou publicamente sobre o tema ao abordar o cenário de articulações que se intensificam com a aproximação do calendário eleitoral.
Russi afirmou que a eventual entrada da prefeita na disputa não é uma decisão simples, principalmente porque ela vem conduzindo uma gestão bem avaliada no município e possui diversos projetos em andamento.
Segundo ele, a escolha caberá exclusivamente à própria prefeita, sem qualquer tipo de pressão familiar ou política.
“Não é uma decisão fácil. Ela vem fazendo um grande mandato como prefeita, tem feito entregas importantes e tem muitos projetos em andamento. Mas cabe a ela. Ela é uma mulher forte, de personalidade, e aquilo que ela decidir terá o meu apoio”, afirmou.
Apesar das especulações sobre uma eventual candidatura, Max Russi reforçou que não pretende interferir na decisão da esposa, destacando que a trajetória política dela sempre foi construída com autonomia.
“Quando ela decidiu ser candidata a prefeita, também foi uma decisão dela. Eu apenas apoiei. Ela conhece o meio político, sabe o que envolve uma disputa e sabe o que precisa ser feito. Agora é a mesma coisa: a decisão é dela.”
Um dos principais desafios para que essa possibilidade avance é o prazo legal de desincompatibilização. Caso decida disputar o cargo de vice-governadora, Andréia Wagner precisará renunciar ao mandato de prefeita ainda neste mês, o que impõe um tempo curto para definição.
“O prazo é curto. Ela tem uma dificuldade maior porque precisa renunciar agora em março se decidir disputar. Então nós temos cerca de 20 dias para tomar essa decisão”, explicou o parlamentar.
Mesmo diante dessa pressão no calendário político, Russi afirmou que o Podemos segue dialogando com diversas lideranças e não descarta nenhuma composição neste momento.
“Na política a gente não pode descartar nada. A política é a arte do diálogo, das conversas e da construção de projetos. Agora começa esse processo de tratativas, de alinhamentos, mas as decisões efetivas só acontecem nas convenções de julho.”
Durante a entrevista, o presidente da Assembleia também comentou sobre o peso político do senador Jayme Campos no estado, destacando que o parlamentar construiu uma ampla base de apoio municipal ao longo dos anos.
“Eu converso muito com prefeitos e lideranças. O senador Jayme colocou recursos em praticamente todos os municípios do estado. Até prefeitos que não o apoiam receberam recursos. Quando você ajuda os municípios, você acaba criando uma relação de respeito e apoio com as lideranças locais.”
Segundo Russi, essa atuação municipalista fortalece o nome do senador em uma eventual disputa pelo governo estadual.
Além da possibilidade envolvendo Andréia Wagner, o Podemos também discute outras alternativas para participar da eleição majoritária. Um dos nomes citados nas conversas é o do produtor rural Antônio Galvan, que já disputou uma vaga ao Senado e também tem sido mencionado como possível integrante de uma chapa majoritária.
“O nome dele está colocado. Ele já disputou o Senado, está conversando com vários partidos e avaliando convites. O Podemos não fecha portas para ninguém”, disse Russi.
Com o crescimento da legenda e sua presença ampliada nos municípios, o Podemos passou a ocupar um espaço central nas negociações que devem definir o desenho político da eleição de 2026 em Mato Grosso. Nesse cenário, a eventual decisão da prefeita de Jaciara poderá se tornar um dos movimentos mais relevantes na construção das alianças rumo ao Palácio Paiaguás.
Veja:
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