JB News
por Emerson Teixeira
A execução de um homem dentro de um bar no município de Comodoro, em Mato Grosso, pode estar ligada a uma investigação maior conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso contra integrantes de uma facção criminosa. O caso ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (11), após a deflagração da Operação Halosis, que mira suspeitos envolvidos em um homicídio ocorrido em novembro de 2025.
Entre os alvos da investigação estava Rodrigo Belmiro Fulgêncio, conhecido como “Cowboy”, que acabou sendo executado a tiros no último fim de semana enquanto jogava sinuca em um bar na cidade. Segundo as investigações, ele seria um dos suspeitos de participar da execução de um homem ocorrida em 27 de novembro de 2025 e teria a prisão preventiva cumprida nesta quarta-feira durante a operação policial.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento do crime. Nas gravações, Cowboy aparece conversando com amigos ao redor de uma mesa de sinuca quando um homem usando capacete entra no estabelecimento e se aproxima do grupo. Em seguida, o suspeito saca uma arma de fogo e dispara diversas vezes contra a vítima, que cai imediatamente e morre ainda no local. Durante a ação criminosa, a companheira de Cowboy tentou impedir o atirador e acabou atingida por um disparo na região do pescoço. Ela foi socorrida e encaminhada ao hospital do município, onde permaneceu sob observação médica.
A morte ocorreu poucos dias antes do cumprimento das ordens judiciais da Operação Alosis, que investiga uma execução ocorrida no bairro Nova Vacaria, também em Comodoro, no final de 2025. Na ocasião, a vítima trafegava de motocicleta quando foi surpreendida por criminosos que estavam em um veículo. Os suspeitos efetuaram vários disparos e fugiram após o ataque, caracterizando uma emboscada planejada.
De acordo com as investigações conduzidas pela delegacia local, o homicídio teria sido organizado dentro de uma estrutura criminosa ligada a uma facção. A análise de mensagens, áudios e imagens trocadas entre os suspeitos indicou divisão de tarefas entre os envolvidos, além de apoio logístico e financeiro para a execução do crime. Entre as provas reunidas pelos investigadores estão fotografias da vítima compartilhadas entre os suspeitos pouco antes do assassinato, demonstrando que o crime teria sido premeditado.
As investigações também apontaram que um dos envolvidos estaria preso no sistema penitenciário e, mesmo assim, continuava atuando na coordenação do grupo criminoso à distância, orientando a execução do homicídio e a logística de fuga.
Com base nas provas reunidas, o delegado responsável pelo caso, Matheus Reiners, representou na Justiça pela prisão preventiva dos suspeitos, além de mandados de busca e apreensão e quebra de sigilo telefônico. O pedido foi aceito pelo Ministério Público e autorizado pela Justiça da segunda vara da comarca de Comodoro.
Ao todo, foram expedidas oito ordens judiciais, sendo seis mandados de prisão preventiva e dois de busca e apreensão, cumpridos nas cidades de Comodoro, Campos de Júlio, Nova Lacerda e Cuiabá. Durante as diligências, os policiais apreenderam armas de fogo, munições, entorpecentes, documentos e aparelhos eletrônicos que podem ajudar a esclarecer a atuação da organização criminosa.
Entre os investigados estão Pedro Henrique da Silva, William Costa Lopes Chabozó, Gilmar Ferreira Rodrigues, conhecido como “Iraquiano”, Marcos Vinícius dos Santos Souza, apelidado de “Sinistro” ou “Fininho”, Diogo da Silva Santos, chamado de “Gavião”, além de Rodrigo Belmiro Fulgêncio, o Cowboy, morto dias antes da operação.
Segundo a Polícia Civil, no dia seguinte ao homicídio de novembro, três suspeitos chegaram a ser levados à delegacia após diligências realizadas ainda no mesmo dia do crime. Na ocasião, foram apreendidos diálogos, áudios e imagens que indicavam participação direta no assassinato e apoio logístico ao executor.
Agora, com a operação em andamento e um dos investigados morto poucos dias antes de ser preso, a polícia também analisa a possibilidade de que a execução de Cowboy esteja relacionada a disputas internas da facção ou até mesmo a uma possível “queima de arquivo”, hipótese que ainda será aprofundada durante as investigações.
A Operação Alosis segue em andamento e novas diligências não estão descartadas pelas autoridades policiais.
Veja o dia em que Cawboy foi morto :
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