TRILHOS DO PROGRESSO

“Corredor industrial pode transformar Santo Antônio de Leverger em novo eixo econômico da Baixada Cuiabana“ diz prefeita Franciele

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“Corredor industrial pode transformar Santo Antônio de Leverger em novo eixo econômico da Baixada Cuiabana“ diz prefeita Franciele

JB News

Por Jota de Sá

A discussão sobre a criação do CIDE, o Corredor de Integração do Desenvolvimento Econômico, abriu uma nova perspectiva para Santo Antônio de Leverger e para toda a Baixada Cuiabana. Em reunião realizada nesta segunda-feira, na sede da Associação Comercial e Industrial de Cuiabá, empresários, lideranças políticas e representantes do setor produtivo debateram a implantação de um terminal industrial ferroviário no município, projeto que nasce impulsionado pelos avanços da Ferrovia Senador Vicente Emílio Vuolo, considerada uma das obras mais estratégicas da atualidade para Mato Grosso.


A proposta defendida pela prefeita Franciele de Arruda vai muito além da instalação de um terminal logístico. O objetivo, segundo ela, é transformar Santo Antônio de Leverger em um polo industrial capaz de atrair empresas, gerar empregos, ampliar a arrecadação e reposicionar economicamente toda a região metropolitana de Cuiabá.


Durante o encontro, que reuniu empresários, deputados estaduais e representantes de entidades econômicas, a prefeita afirmou que o município está lançando a “pedra fundamental” de um novo ciclo econômico para a Baixada Cuiabana. Ela destacou que a chegada da ferrovia cria uma oportunidade histórica para municípios que, durante décadas, ficaram distantes dos grandes investimentos industriais do Estado.


Segundo Franciele, a intenção é construir uma zona industrial estruturada ao longo do corredor ferroviário, aproveitando a capacidade logística da ferrovia para escoamento de grãos, insumos, combustíveis e produtos industrializados. A prefeita afirmou ainda que o município busca apoio político e financeiro do Governo de Mato Grosso para viabilizar os estudos técnicos, os levantamentos de custos e a definição da área onde o projeto poderá ser implantado.


O projeto ganhou ainda mais força durante a reunião após o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Max Russi, declarar apoio direto à criação do corredor industrial ferroviário em Santo Antônio de Leverger. Durante o encontro com empresários industriais, Max Russi afirmou que irá trabalhar para abrir espaço dentro do orçamento estadual visando garantir a infraestrutura necessária para implantação do terminal industrial e da futura zona econômica planejada para a região. A manifestação do parlamentar foi interpretada pelos participantes como um passo decisivo para transformar o projeto em realidade, já que a proposta depende de investimentos estruturantes e apoio institucional do Estado para sair do papel.


A sinalização de apoio da Assembleia Legislativa elevou a expectativa de empresários e lideranças políticas presentes na reunião, principalmente porque o corredor industrial passou a ser visto como uma alternativa concreta para impulsionar o desenvolvimento econômico da Baixada Cuiabana. Nos bastidores, a avaliação é de que o envolvimento de Max Russi fortalece politicamente o projeto e pode acelerar futuras etapas relacionadas à viabilidade técnica, definição de áreas e construção da infraestrutura logística necessária para instalação das indústrias.


A Ferrovia Senador Vuolo, que avança rumo à região metropolitana, é considerada peça-chave dentro da nova matriz logística de Mato Grosso. O modal ferroviário promete reduzir custos de transporte, aumentar a competitividade da produção estadual e desafogar as rodovias, especialmente em regiões que dependem exclusivamente do transporte por caminhões. Economistas avaliam que municípios cortados pelos trilhos tendem a registrar valorização imobiliária, aumento de investimentos privados e crescimento industrial acelerado.


No caso de Santo Antônio de Leverger, o impacto pode ser ainda maior devido à localização estratégica do município, vizinho de Cuiabá e próximo de importantes corredores rodoviários e áreas agrícolas. A cidade, historicamente conhecida pelo turismo, pela cultura e pelas tradições às margens do Rio Cuiabá, pode agora assumir protagonismo econômico dentro de uma nova configuração logística da Baixada Cuiabana.


Durante a entrevista concedida no evento, Franciele afirmou que o município precisa romper a dependência econômica do setor público. Segundo ela, atualmente a prefeitura ainda representa a principal força empregadora da cidade, realidade que limita o crescimento econômico local e dificulta a criação de oportunidades para a população.


A prefeita também relacionou diretamente o projeto ferroviário ao combate à pobreza e à desigualdade social. O debate ocorre em um momento em que órgãos de controle e entidades públicas vêm alertando para o crescimento dos bolsões de miséria na região metropolitana de Cuiabá. Ao responder questionamentos sobre o aumento da vulnerabilidade social, Franciele defendeu que o caminho para mudar essa realidade passa pela industrialização e pela geração de empregos permanentes.


Segundo ela, a criação de indústrias ao longo do corredor ferroviário permitirá que municípios como Santo Antônio de Leverger deixem de depender exclusivamente da máquina pública e passem a ter uma economia mais dinâmica, com circulação de renda, fortalecimento do comércio e expansão urbana planejada.


A reunião também consolidou apoio político ao projeto. Parlamentares presentes sinalizaram a possibilidade de destinação de emendas e inclusão do corredor ferroviário industrial nos próximos planejamentos estratégicos do Estado. A articulação política envolve ainda empresários interessados em instalar unidades industriais na região caso a infraestrutura ferroviária seja consolidada.


Nos bastidores, o projeto já é visto como uma tentativa de descentralizar o desenvolvimento econômico de Mato Grosso, historicamente concentrado em regiões do agronegócio mais ao norte do Estado. A proposta defendida pelo CIDE busca justamente inserir a Baixada Cuiabana dentro do novo mapa logístico mato-grossense, aproveitando o avanço ferroviário como vetor de transformação econômica e social.


A expectativa é de que, nos próximos meses, sejam iniciados estudos técnicos de viabilidade econômica, levantamento de áreas, análises ambientais e tratativas institucionais junto ao Governo do Estado. Embora ainda esteja em fase inicial, o projeto já movimenta o setor empresarial e desperta forte expectativa entre investidores que enxergam no corredor ferroviário uma oportunidade inédita de expansão industrial próxima da capital.


Se concretizado, o terminal industrial ferroviário poderá representar a maior virada econômica da história recente de Santo Antônio de Leverger, transformando um município tradicional da Baixada Cuiabana em uma nova porta de desenvolvimento, emprego e integração logística de Mato Grosso.

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