JB News
Por Emerson Teixeira
Cadáver em avançado estado de decomposição foi retirado do Rio Teles Pires; dois dias antes, Corolla ligado ao desaparecimento foi encontrado danificado e com grande mancha suspeita de sangue no porta-malas
O corpo de um homem encontrado no Rio Teles Pires, em Sinop, na tarde de sábado (12), pode ser de Thalilon Matos Carvalho, de 33 anos, desaparecido em um caso investigado pela Polícia Civil como possível sequestro. A confirmação oficial da identidade, entretanto, ainda depende dos exames periciais.
O caso ganhou contornos ainda mais misteriosos porque, dois dias antes da localização do cadáver, um Toyota Corolla cinza relacionado ao desaparecimento foi encontrado abandonado em uma área de mata, bastante danificado e com uma grande mancha com características de sangue no porta-malas.
A sequência de acontecimentos começou a mobilizar as forças de segurança na quinta-feira (10), quando informações sobre um possível sequestro chegaram às autoridades.
O Grupo de Apoio da Polícia Militar recebeu da Agência Regional de Inteligência dados sobre um Corolla que poderia ter sido levado durante o crime. Os policiais tiveram acesso às características do automóvel, incluindo cor e placa, e iniciaram diligências para localizá-lo.
O veículo acabou encontrado abandonado em um matagal às margens da Estrada Cláudia, na região conhecida como Rio das Garças, em Sinop.
O estado do carro imediatamente chamou a atenção dos policiais.
Além de diversos danos na lataria e na estrutura, havia uma grande mancha no porta-malas com características semelhantes a sangue. O material foi recolhido pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para análise laboratorial.
Na ocasião, o perito criminal Leandro Valendorff explicou que os danos apresentados pelo Corolla eram compatíveis com um possível capotamento.
A perícia, porém, não encontrou no ponto onde o automóvel estava abandonado sinais de que o acidente tivesse acontecido ali.
A avaliação inicial indicou, portanto, que o Corolla possivelmente capotou em outro lugar e posteriormente foi levado até a área de mata, onde acabou deixado.
Outro ponto central da investigação passou a ser justamente a mancha encontrada no compartimento de bagagens.
O material foi coletado para determinar inicialmente se é realmente sangue e, em caso positivo, se é de origem humana. Exames posteriores poderão permitir a comparação genética com a vítima investigada.
Quando o carro foi encontrado, não havia corpo ou pessoa ferida nas proximidades.
A Polícia Civil passou então a trabalhar para esclarecer se o automóvel havia sido utilizado durante o possível sequestro e, principalmente, qual teria sido o destino de Thalilon.
As investigações avançaram até o Rio Teles Pires.
Na manhã de sábado (12), o 4º Batalhão Bombeiro Militar de Sinop foi acionado para apoiar a Polícia Civil em buscas nas proximidades da ponte sobre o rio.
Inicialmente, mergulhadores fizeram varreduras subaquáticas na área indicada pelos investigadores. Como não havia um ponto exato para localização, as equipes ampliaram o trabalho e passaram a realizar buscas também pela superfície do Teles Pires.
Durante a tarde, o corpo foi localizado rio abaixo.
O cadáver já estava em avançado estado de decomposição, havia emergido e ficou preso entre galhos, situação que possibilitou sua localização pelos militares.
Após a retirada da água, equipes responsáveis pela investigação e perícia realizaram os primeiros levantamentos.
Apesar de o homem estar sem documentos, as características físicas observadas são consideradas compatíveis com as informações registradas sobre Thalilon. Essa compatibilidade, contudo, não substitui a identificação técnico-científica, motivo pelo qual o caso ainda é tratado oficialmente com cautela.
O estado de decomposição também dificultou uma avaliação imediata sobre a causa da morte.
Mesmo assim, durante o exame inicial, o perito criminal Fabiano Cardoso, da Politec, identificou uma lesão na região do queixo.
Uma das hipóteses é de que o ferimento tenha sido provocado por disparo de arma de fogo.
A suspeita ainda não é conclusiva.
Será a necropsia que deverá apontar se houve efetivamente ferimento por projétil, identificar outras possíveis lesões e estabelecer, dentro das possibilidades técnicas, a causa da morte.
O corpo também passará pelos procedimentos necessários para a identificação oficial.
A Polícia Civil agora trabalha para montar a cronologia entre o desaparecimento de Thalilon, o possível sequestro, o trajeto realizado pelo Corolla, o provável capotamento do veículo, o abandono do automóvel na região da Estrada Cláudia e a localização do cadáver no Rio Teles Pires.
Um dos pontos que deverá ser esclarecido é se a grande mancha encontrada no porta-malas pertence ao homem localizado no rio.
A confirmação de eventual correspondência genética poderá se transformar em uma peça importante para determinar se o Corolla foi utilizado para transportar a vítima antes de o corpo ser levado ao Teles Pires.
Os investigadores também deverão buscar imagens de câmeras, dados telefônicos, movimentações anteriores ao desaparecimento e possíveis testemunhas que possam ajudar a reconstruir as últimas horas de Thalilon.
Até o momento, não foi divulgado oficialmente quem teria participado do possível sequestro, quantas pessoas estariam envolvidas ou qual seria a motivação do crime.
Também não há confirmação de que Thalilon tenha sido morto dentro do veículo.
Essas circunstâncias permanecem sob investigação.
A identificação do cadáver, o resultado da necropsia e a análise do material recolhido no porta-malas do Corolla serão decisivos para ligar definitivamente — ou afastar — os dois pontos que hoje concentram a investigação: o carro abandonado com a mancha suspeita de sangue e o corpo encontrado dois dias depois no Rio Teles Pires.