CRISE PERMANENTE

Câmara rebate críticas e diz que limite de 5% no orçamento garante fiscalização sobre gastos da Prefeitura de VG “É muito pra quem não tá fazendo nada“

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Câmara rebate críticas e diz que limite de 5% no orçamento garante fiscalização sobre gastos da Prefeitura de VG “É muito pra quem não tá fazendo nada“

JB News

Por Nayara Cristina

O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), saiu em defesa da decisão do Legislativo que reduziu para 5% o limite de abertura de créditos suplementares no orçamento da Prefeitura e afirmou que a medida não representa qualquer tentativa de inviabilizar a gestão da prefeita Flávia Moretti.


Durante entrevista coletiva concedida nesta semana, o parlamentar argumentou que o percentual é suficiente para garantir a execução das ações do Executivo e reforçou que eventuais necessidades de ampliação poderão ser analisadas e autorizadas pela própria Câmara.


Segundo ele, o orçamento municipal para 2026 ultrapassa R$ 2 bilhões, valor superior ao do exercício anterior, e já foi elaborado pela equipe técnica da atual administração, o que, na sua avaliação, reduz a necessidade de grandes remanejamentos financeiros ao longo do ano.


“Cinco por cento não é pouco. Estamos falando de mais de R$ 100 milhões. É muito dinheiro. Se houver necessidade de mais recursos, a Câmara pode analisar e autorizar. O que queremos é acompanhar para onde está indo o dinheiro público”, afirmou.


Cerqueira também contestou as críticas de que o Legislativo estaria dificultando a administração municipal. Segundo ele, a função constitucional da Câmara é fiscalizar os atos do Executivo e cobrar transparência sobre a aplicação dos recursos públicos.


O presidente citou como exemplo a abertura de requerimentos para obter informações sobre movimentações financeiras da Prefeitura, além de questionamentos relacionados ao cumprimento de recomendações do Ministério Público. Entre os temas levantados está a permanência do secretário Silvio Fidélis, cujo afastamento teria sido recomendado pelo órgão ministerial.


“O papel da Câmara é fiscalizar. Quem fiscaliza nem sempre é bem-vindo, mas essa é a nossa obrigação. Estamos cobrando informações porque a população quer respostas”, declarou.


Ao defender a atuação do Legislativo, Cerqueira também criticou a situação da cidade, apontando problemas como buracos nas vias, falta de água e dificuldades enfrentadas pelo sistema de saúde municipal. O vereador questionou ainda a destinação dos recursos remanejados no orçamento do ano passado.


De acordo com ele, a gestão anterior possuía autorização para remanejar até 25% do orçamento e teria movimentado cerca de R$ 500 milhões ao longo do exercício. “A população quer saber onde esse dinheiro foi aplicado e quais resultados efetivamente foram entregues”, afirmou.


Mesa Diretora


Durante a entrevista, o presidente também comentou a disputa judicial envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara. Cerqueira voltou a defender a legalidade do processo eleitoral realizado pela Casa e afirmou que a votação seguiu as regras regimentais adotadas há vários anos pelo Legislativo municipal.


Segundo ele, o grupo derrotado recorreu ao Judiciário apenas após o resultado da eleição, vencida por diferença de um voto.


“O processo foi transparente e todos participaram. Não houve qualquer questionamento durante a eleição. O recurso veio somente depois da derrota”, declarou.


A declaração amplia o clima de tensão política entre Câmara e Prefeitura em um momento em que os dois poderes travam uma série de embates envolvendo orçamento, gestão administrativa e decisões judiciais que podem impactar diretamente os rumos da administração municipal nos próximos meses.

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