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Por Nayara Cristina
A proposta de substitutivo ao Plano de Mobilidade Urbana que prevê a retirada da licitação para operação do BRT e a transferência da concessão ao consórcio responsável pelo transporte coletivo de Cuiabá e Várzea Grande começou a gerar reações no meio político. Durante entrevista, um dos parlamentares que acompanha o debate afirmou que a principal preocupação não é a legalidade da medida, mas sim a viabilidade econômica e operacional do sistema.
Segundo ele, o BRT foi concebido para funcionar como um modal complementar à rede de transporte coletivo já existente e, por isso, qualquer alteração no modelo de operação precisa levar em consideração a integração com os ônibus que atendem os bairros da capital e da cidade vizinha.
“O problema não é a questão jurídica. O problema é a viabilidade do sistema. O BRT será um sistema auxiliar para Cuiabá e Várzea Grande. É preciso estudar qual é a melhor alternativa para garantir que ele funcione adequadamente”, afirmou.
O parlamentar explicou que uma eventual operação isolada do corredor exclusivo pode não ser economicamente sustentável, já que a empresa responsável teria participação apenas em parte da arrecadação tarifária. Na avaliação dele, o modelo exige uma integração ampla com as concessionárias que já operam o transporte coletivo urbano.
“Hoje é muito complicado trabalhar sem as empresas que já detêm a concessão em Cuiabá e Várzea Grande. Ficaria inviável para uma empresa operar apenas esse trecho, recebendo participação parcial das passagens”, destacou.
Apesar de admitir que ainda não analisou o conteúdo completo do substitutivo que tramita nas comissões, o parlamentar disse ter sido surpreendido pela possibilidade de dispensa da licitação e afirmou que pretende buscar mais informações sobre a proposta antes de formar uma posição definitiva.
Durante a entrevista, ele também aproveitou para defender uma mudança mais ampla no sistema de transporte da região metropolitana: a implantação do bilhete único. Para o deputado, o usuário não deveria ser penalizado por precisar utilizar diferentes modais ou linhas para concluir o trajeto.
A proposta defendida por ele prevê a integração tarifária entre Cuiabá, Várzea Grande e municípios vizinhos, incluindo Santo Antônio de Leverger. Segundo o parlamentar, muitos trabalhadores acabam pagando duas ou até três tarifas para chegar ao destino final, o que encarece o deslocamento diário.
“Sou defensor do bilhete único para toda a região metropolitana. Não é justo que uma pessoa pague várias passagens para fazer um único deslocamento”, afirmou.
A discussão sobre o substitutivo do Plano de Mobilidade deve avançar nas próximas semanas nas comissões responsáveis pela análise do texto. O debate envolve não apenas o futuro da operação do BRT, mas também o modelo de integração tarifária que será adotado para atender milhares de usuários do transporte público na região metropolitana de Cuiabá.
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