CRISE NO PAIAGUÁS

Após Heritage, Pivetta confirma pedido de saída de Mauro Carvalho e diz que decidirá comando da Casa Civil

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Após Heritage, Pivetta confirma pedido de saída de Mauro Carvalho e diz que decidirá comando da Casa Civil

JB News

Por Nayara Cristina

A crise política aberta no Palácio Paiaguás após a deflagração da Operação Heritage deve provocar mais uma mudança no primeiro escalão do Governo de Mato Grosso. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) confirmou nesta terça-feira (11) que o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, manifestou o desejo de deixar o cargo e que uma conversa entre os dois definiria a situação ainda nesta terça-feira.

A declaração foi dada por Pivetta durante entrevista na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), no mesmo dia em que o deputado federal Fábio Garcia anunciou a saída da chapa majoritária do governador e o retorno à disputa por uma cadeira na Câmara Federal.

Questionado sobre a situação da Casa Civil, Pivetta confirmou que Carvalho já havia colocado o cargo à disposição e demonstrado que não pretendia permanecer à frente da pasta.

“Eu vou conversar com ele sobre isso hoje. Já expressou a vontade dele de não permanecer. Vou conversar com ele hoje. É um problema de cada vez”, afirmou o governador.

Pivetta também foi questionado sobre possíveis nomes para substituir Mauro Carvalho, mas evitou antecipar qualquer escolha. Ao ser indagado sobre uma eventual alternativa para assumir a principal pasta de articulação política do Governo, o governador descartou ter definido um nome.

“Não cogitei essa hipótese. Isso será uma decisão minha, no momento oportuno”, declarou.

A possível saída de Mauro Carvalho ocorre em meio aos desdobramentos políticos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (6). A investigação apura suspeitas relacionadas ao acordo de aproximadamente R$ 308 milhões firmado entre o Estado de Mato Grosso e a Oi. Carvalho já negou participação na negociação do acordo e também negou ter sido beneficiado irregularmente.

O secretário assumiu a Casa Civil no início da gestão de Otaviano Pivetta, em abril deste ano. Na ocasião, o governador destacou a experiência e a confiança depositada em Carvalho para comandar uma das estruturas mais importantes do Palácio Paiaguás.

Desde então, Mauro Carvalho ganhou ainda mais espaço dentro do governo. Além de responsável pela articulação política do Executivo, passou a exercer influência sobre uma estrutura ampliada da Casa Civil. Em julho, uma reorganização administrativa colocou Ager, MT-Par e Intermat sob a supervisão da pasta, ampliando o peso político e administrativo do secretário dentro do governo Pivetta.

Carvalho também vinha desempenhando papel importante na construção política do projeto eleitoral de Pivetta e participando diretamente das articulações relacionadas à campanha do governador. Antes mesmo de assumir oficialmente a Casa Civil, já era apontado como um dos principais responsáveis pela coordenação política do grupo.

A eventual troca no comando da Casa Civil amplia o momento de turbulência enfrentado pelo governo depois da Operação Heritage. Em poucos dias, Pivetta passou a administrar mudanças importantes tanto na estrutura administrativa quanto na composição de seu projeto eleitoral.

Nesta terça-feira, Fábio Garcia deixou a condição de candidato a vice-governador e anunciou que voltará à disputa por uma vaga de deputado federal. Agora, o governador também precisa definir o futuro de uma das posições mais estratégicas do Palácio Paiaguás.

Apesar das especulações, Pivetta deixou claro que não pretende tomar todas as decisões simultaneamente. “É um problema de cada vez”, resumiu.

Caso a saída de Mauro Carvalho seja efetivada, caberá exclusivamente a Pivetta escolher quem assumirá a Casa Civil em um momento considerado decisivo para o governo. A pasta funciona como principal elo político do Executivo com a Assembleia Legislativa, demais Poderes, prefeitos e lideranças partidárias.

A expectativa é que, após a conversa entre Pivetta e Carvalho, o Palácio Paiaguás oficialize a decisão sobre o comando da Casa Civil.