Parlamentar do Podemos, que conquistou 56.207 votos nas eleições de domingo, enfrentou manifestação contrária à sua presença na universidade; episódio ocorre semanas após polêmica envolvendo gravações eleitorais na Universidade Federal de Rondonópolis.
O deputado estadual eleito Ulysses Moraes (Podemos) foi alvo de hostilizações durante uma visita à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, nesta sexta-feira (9 de outubro). Identificado com o bolsonarismo e defensor de pautas conservadoras e liberais, o parlamentar deixou as dependências da instituição em meio a uma manifestação de pessoas que gritavam repetidamente “fascista, recua”, demonstrando rejeição à sua presença no ambiente universitário.
O episódio ocorreu apenas cinco dias depois das eleições gerais de domingo (4), quando Ulysses garantiu seu retorno à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) com 56.207 votos, correspondentes a 2,92% dos votos válidos para deputado estadual. Ele terminou a disputa como o sexto candidato mais votado do estado, consolidando sua posição entre as principais lideranças eleitas pelo Podemos.
Durante a passagem pela universidade, o político enfrentou manifestações de repúdio. Os gritos direcionados a ele marcaram o protesto, que terminou com sua saída do local. Até o momento, não há informações confirmadas sobre agressões físicas, intervenção policial ou registro de ocorrência em razão do episódio.
Também não foram esclarecidos os motivos específicos da visita, se havia alguma atividade previamente programada ou se a presença do deputado eleito estava relacionada à produção de conteúdo para suas redes sociais. A identidade dos participantes da manifestação e a existência de eventual organização prévia do protesto também não foram confirmadas.
A hostilidade ocorre em um momento de forte polarização política, especialmente após o primeiro turno das eleições presidenciais e estaduais. Ulysses é conhecido pela atuação combativa nas redes sociais, pelo alinhamento ao campo conservador e pelas críticas à esquerda e à utilização de recursos públicos.
Ex-integrante do Movimento Brasil Livre (MBL) em Mato Grosso, o deputado eleito construiu parte de sua trajetória política defendendo o liberalismo econômico, a redução de despesas governamentais e uma fiscalização rigorosa dos gastos da administração pública.
O episódio desta sexta-feira também chama atenção por não ser a primeira controvérsia envolvendo Ulysses e o ambiente universitário durante o processo eleitoral de 2026.
Em 14 de setembro, foi publicada uma decisão do juiz eleitoral Wagner Plaza Machado Junior, da 46ª Zona Eleitoral de Rondonópolis, determinando o encaminhamento à Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso de documentos relativos a uma denúncia contra o então candidato. A apuração envolvia a utilização das dependências da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) para a produção de conteúdo eleitoral.
Conforme os elementos analisados pela Justiça Eleitoral, o caso anterior ocorreu em 24 de agosto, quando Ulysses teria abordado estudantes e outras pessoas dentro do campus universitário para realizar gravações. Parte dos envolvidos teria manifestado expressamente que não desejava ser filmada, mas, segundo a denúncia, suas reações foram registradas e posteriormente utilizadas em material publicado nas redes sociais do político.
A publicação chegou a ultrapassar 358 mil visualizações. Ao examinar o procedimento, o magistrado considerou que os fatos mereciam avaliação pela Procuradoria Regional Eleitoral diante da possibilidade de utilização irregular de espaço público para finalidade eleitoral.
Na ocasião, a Universidade Federal de Rondonópolis também havia divulgado um comunicado informando que candidatos e cabos eleitorais não poderiam utilizar as dependências da instituição para abordar estudantes e servidores ou produzir publicidade eleitoral.
O encaminhamento do caso à Procuradoria não representou condenação de Ulysses. A decisão não aplicou multa nem estabeleceu responsabilidade definitiva do candidato, cabendo ao órgão eleitoral avaliar eventuais providências.
Embora os episódios tenham ocorrido em universidades federais diferentes, ambos colocam em evidência a relação conflituosa entre a atuação política do deputado eleito e manifestações de setores da comunidade acadêmica.
A situação também reacende o debate sobre os limites entre a liberdade de expressão, o direito à manifestação política e o acesso de representantes eleitos às instituições públicas de ensino. A Constituição Federal assegura a livre manifestação do pensamento e o direito de reunião pacífica, ao mesmo tempo que protege a autonomia universitária e a liberdade de ensinar, aprender e debater ideias.
O resultado eleitoral de Ulysses amplia a repercussão do episódio. Além de garantir seu retorno ao Legislativo estadual para a legislatura iniciada em 2027, sua votação contribuiu para o desempenho do Podemos, partido que conquistou seis das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa e formará a maior bancada da Casa.
Até o fechamento desta reportagem, não havia sido localizada manifestação pública específica de Ulysses Moraes ou posicionamento oficial da administração da UFMT sobre os acontecimentos desta sexta-feira.
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