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Por Nayara Cristina
O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), afirmou nesta terça-feira (20 de outubro) que considera estranha a Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), que investiga suspeitas de corrupção e irregularidades envolvendo a eleição da Mesa Diretora do Legislativo municipal. O parlamentar confirmou que agentes realizaram buscas em seu escritório, mas assegurou que nada foi apreendido no local.
Em entrevista à imprensa, Wanderley demonstrou insatisfação com a operação e questionou o que considera falta de providências diante de dezenas de denúncias que, segundo ele, já teriam sido apresentadas contra a administração da prefeita Flávia Moretti (PL).
“Não teve operação na minha casa, tá? Eu desconheço a operação e acho muito estranho. Com mais de 30 denúncias já da prefeita e a busca na Câmara não veio. Então eu acho muito estranho, muito estranho”, declarou.
O presidente chegou a mencionar a existência de mais de 50 denúncias contra a Prefeitura de Várzea Grande. Entretanto, não apresentou detalhes sobre o conteúdo das acusações, os órgãos responsáveis pelo recebimento ou a situação dos procedimentos.
Questionado sobre os motivos da operação e sobre eventual participação nas irregularidades investigadas, o vereador afirmou que ainda não conhece os fatos que fundamentaram as decisões judiciais.
“Eu não estou a par dos fatos, estou achando muito estranha essa operação. Foi no meu escritório, mas não apreendeu nada”, afirmou.
A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada na manhã desta terça-feira pelo Gaeco, força-tarefa vinculada ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), com apoio das forças de segurança estaduais. Ao todo, foram determinados 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em endereços de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
Entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois parlamentares de Cuiabá. A investigação busca esclarecer suspeitas de compra de votos, obtenção de vantagens indevidas, cooptação de agentes públicos e possíveis crimes contra a administração pública relacionados à eleição da Mesa Diretora da Câmara várzea-grandense.
Ao comentar o cumprimento das medidas judiciais, Wanderley ressaltou que a realização de buscas não representa comprovação de irregularidade ou responsabilidade criminal.
“Veja bem, a busca é normal, a polícia faz a busca. A busca é feita onde há determinação judicial. Agora, a partir daí dizer que há alguma irregularidade, isso a Justiça vai dizer depois”, declarou.
O parlamentar também afirmou que a Câmara Municipal está à disposição das autoridades e deverá divulgar um posicionamento institucional após conhecer o conteúdo das investigações.
“Vai ser apurado primeiramente todos os fatos e a gente faz uma nota pela Câmara. Por enquanto, a Câmara não tem conhecimento dos fatos, sobre qual é a acusação, sobre se existe alguma irregularidade”, disse.
A operação ocorre em meio à disputa pelo comando do Legislativo de Várzea Grande. Em 14 de maio deste ano, Wanderley Cerqueira foi reeleito presidente da Câmara por 12 votos a 11, derrotando o vereador Lucas do Chapéu do Sol (PL). A votação, entretanto, acabou anulada por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), em razão da antecipação do processo eleitoral.
Questionado sobre a realização de uma nova eleição para a Mesa Diretora, conforme os desdobramentos da decisão judicial, Wanderley afirmou que ainda não existe uma data definida.
“Ainda não, está aguardando decisão oficial”, respondeu.
Sobre a apresentação de defesa no processo judicial relacionado à eleição, o presidente informou que o prazo permanece em andamento e que a manifestação será protocolada dentro do período estabelecido.
“Ainda não, está no prazo. Ele vai apresentar dentro do prazo”, afirmou, ao responder ao questionamento sobre a defesa que deveria ser apresentada em dez dias.
Apesar das críticas à operação, Wanderley Cerqueira declarou que continuará colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação.
“A Câmara está à disposição, o presidente também está à disposição”, reforçou.
As suspeitas investigadas pelo Gaeco ainda dependem de apuração e eventual responsabilização judicial. O cumprimento dos mandados de busca e apreensão não representa condenação ou comprovação de participação dos investigados em atividades criminosas.
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