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Por Nayara Cristina
A decisão da Prefeitura de Cuiabá de efetuar o pagamento dos aposentados e pensionistas já com a aplicação da Revisão Geral Anual (RGA) movimenta não apenas a estrutura do funcionalismo público municipal, mas também aquece diretamente a economia da capital mato-grossense. Nesta segunda-feira (25), mais de 5,5 mil beneficiários começaram a receber os valores reajustados, dentro de uma folha previdenciária que ultrapassa R$ 31 milhões.
O reajuste aplicado pela gestão do prefeito ficou estabelecido em 4,11% para os servidores municipais em geral e 3,51% para os profissionais da educação. Segundo a prefeitura, a diferença ocorre devido à unificação da data-base do funcionalismo para o mês de maio, alterando o período de cálculo inflacionário utilizado para cada categoria.
Além do impacto direto na renda dos aposentados e pensionistas, o pagamento injeta recursos importantes no comércio cuiabano em um período considerado estratégico para o varejo local. Economistas e representantes do setor comercial avaliam que o funcionalismo público segue sendo um dos principais motores da circulação financeira da capital, principalmente em segmentos como supermercados, farmácias, prestação de serviços, construção civil e comércio popular.
Nos bastidores políticos e sindicais, o debate sobre o RGA voltou ao centro das discussões em Cuiabá após anos marcados por perdas inflacionárias acumuladas, principalmente durante o período da pandemia. Parte das categorias ainda cobra recomposições referentes aos anos de 2020 e 2021, quando reajustes ficaram congelados em razão da legislação federal criada durante a crise sanitária da covid-19.
A atual gestão municipal tem sustentado o discurso de que busca recuperar gradualmente a capacidade financeira da prefeitura sem comprometer o equilíbrio das contas públicas. Em fevereiro deste ano, o prefeito Abilio Brunini admitiu que o município estuda alternativas para parcelar e negociar perdas históricas do RGA acumuladas ao longo dos últimos anos, reconhecendo que parte do funcionalismo teve prejuízos salariais significativos no período pós-pandemia.
Na comparação com a administração anterior, servidores apontam que a política salarial da atual gestão passou a apresentar uma postura de maior previsibilidade em relação à recomposição inflacionária. Durante os últimos quatro anos, os reajustes concedidos variaram conforme a arrecadação municipal e os impactos fiscais enfrentados pela prefeitura.
Em 2022 e 2023, a recomposição salarial ficou abaixo das expectativas de diversas categorias, principalmente diante da alta acumulada da inflação nacional. Já em 2025, a Câmara Municipal aprovou RGA de 4,77% aos servidores do Legislativo cuiabano, percentual acima da inflação oficial daquele período.
Agora, em 2026, a gestão Abilio oficializou um pacote de impacto estimado em R$ 88 milhões envolvendo servidores ativos, aposentados e pensionistas. Somente os inativos e pensionistas devem absorver cerca de R$ 21,9 milhões desse total ao longo do exercício financeiro.
Apesar do anúncio positivo, a diferença entre os índices pagos à educação e às demais categorias abriu novo foco de desgaste dentro do funcionalismo. Representantes sindicais criticaram a aplicação de um percentual menor aos profissionais da rede municipal de ensino, alegando que, na prática, houve tratamento desigual entre categorias. Já a prefeitura sustenta que não existe perda salarial, mas apenas adequação técnica ao período inflacionário considerado no cálculo.
O secretário municipal de Economia, Marcelo Bussiki, afirmou que a concessão imediata do mesmo índice de 4,11% para a educação configuraria ganho real acima da inflação e dependeria de autorização legislativa específica.
Enquanto o debate técnico e político continua, o reflexo imediato já começou a ser percebido na economia cuiabana. Com salários corrigidos e pagamentos liberados ainda na última semana do mês, a tendência é de aumento na circulação de dinheiro no comércio local, fortalecendo setores que dependem diretamente da renda do funcionalismo público municipal.