Da redação do JB News
A poucos dias do início das convenções partidárias que definirão os rumos da sucessão estadual em Mato Grosso, uma nota divulgada nesta terça-feira (23) pelo senador Jayme Campos ganhou forte peso político nos bastidores. Ao confirmar que não participará do lançamento da pré-candidatura do ex-governador Mauro Mendes ao Senado Federal e da ex-primeira-dama Virginia Mendes à Câmara dos Deputados, o parlamentar reforçou que permanece concentrado em seu próprio projeto eleitoral para disputar o Governo do Estado.

Na manifestação pública, Jayme desejou sucesso ao casal, mas fez questão de destacar que seguirá cumprindo sua agenda política como pré-candidato ao Palácio Paiaguás.
“Desejo boa sorte ao casal. Vou continuar cumprindo minha agenda como pré-candidato ao Governo de Mato Grosso pelo União Brasil”, afirmou.
A declaração do senador foi divulgada justamente no dia em que Mauro Mendes e Virginia Mendes realizam o lançamento oficial de suas pré-candidaturas. O evento está marcado para as 18h30 desta terça-feira, no Vivans Complexo de Eventos, localizado na Avenida Archimedes Pereira Lima, a Estrada do Moinho, em Cuiabá. A mobilização é considerada uma das mais importantes do grupo político liderado pelo ex-governador neste período pré-eleitoral e deve reunir prefeitos, deputados, vereadores, lideranças partidárias e apoiadores de diversas regiões de Mato Grosso.
Embora tenha desejado sucesso ao casal, a decisão de Jayme de não comparecer ao ato ampliou as interpretações sobre o cenário interno do União Brasil. Isso porque o senador mantém sua pré-candidatura ao Governo de Mato Grosso e tem intensificado agendas políticas pelo interior do Estado, consolidando seu projeto para a disputa de 2026.
Embora a declaração tenha sido marcada pela cordialidade, a mensagem foi interpretada no meio político como um gesto de afirmação de sua candidatura e, ao mesmo tempo, um sinal de independência em relação ao grupo liderado por Mauro Mendes dentro do União Brasil.

A ausência do senador no evento ocorre em um momento delicado para a legenda. Nos últimos meses, Jayme e Mauro procuraram minimizar publicamente qualquer desentendimento, participando de encontros institucionais e evitando declarações mais contundentes. No entanto, o avanço do processo eleitoral vem evidenciando divergências que já não conseguem ser escondidas pelos discursos diplomáticos.
O principal ponto de tensão gira em torno da sucessão estadual. Enquanto Jayme mantém seu nome colocado para disputar o Governo de Mato Grosso, Mauro Mendes tem atuado politicamente para fortalecer a candidatura do vice-governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, apontado pelo grupo governista como o nome capaz de dar continuidade à atual gestão.
Nos bastidores, aliados de Jayme avaliam que o União Brasil deveria priorizar uma candidatura própria ao Governo, especialmente por contar com um senador da República em exercício e com trajetória consolidada no Estado. Já o grupo ligado a Mauro argumenta que a construção de uma ampla aliança em torno de Pivetta seria o caminho mais seguro para manter o projeto político iniciado em 2019.
A nota divulgada pelo senador acaba ganhando relevância justamente por surgir em meio a esse ambiente de disputa interna. Ao reafirmar sua condição de pré-candidato ao Governo, Jayme sinaliza que não pretende recuar de sua pretensão eleitoral e tampouco subordinar seu calendário político às estratégias construídas pelo grupo do ex-governador.
A ausência no lançamento das pré-candidaturas de Mauro e Virginia também foi vista por observadores políticos como um gesto calculado. Ainda que não represente uma ruptura formal dentro da legenda, a decisão evidencia que as principais lideranças do partido seguem em campos distintos quando o assunto é a sucessão estadual. O episódio reforça a percepção de que a disputa interna pelo comando do projeto majoritário do União Brasil permanece aberta e deverá atravessar as próximas semanas de articulação.
Nos corredores da política mato-grossense, a avaliação é de que a manifestação pública representa mais do que uma justificativa de agenda. Ela funciona como um recado claro ao próprio partido e aos aliados de que sua candidatura continua de pé e seguirá sendo defendida até que as convenções decidam oficialmente o rumo da legenda.
Com menos de um mês para o início das definições partidárias, a tendência é que os movimentos das principais lideranças se tornem cada vez mais simbólicos. E, neste contexto, a nota de Jayme Campos acabou transformando uma simples ausência em mais um capítulo da disputa silenciosa que hoje atravessa o União Brasil em Mato Grosso.
Enquanto Mauro Mendes trabalha para consolidar seu projeto ao Senado e fortalecer o grupo político que o acompanha, Jayme segue percorrendo o Estado em busca de apoio para viabilizar sua candidatura ao Governo. O resultado dessa disputa interna deverá influenciar diretamente o desenho das alianças e o equilíbrio de forças na eleição de 2026.
Os próximos 27 dias serão decisivos para o futuro da legenda em Mato Grosso. Até a realização das convenções partidárias, o União Brasil precisará administrar interesses distintos de suas principais lideranças, em uma disputa que poderá definir não apenas os rumos da sigla, mas também o cenário político estadual. Embora Mauro Mendes e Jayme Campos continuem evitando confrontos públicos, os sinais emitidos nos bastidores indicam que a batalha pelo protagonismo político dentro do partido está longe de chegar ao fim.