JB News
Por Nay Cristina
Do local Guilherme Augusto
BASTIDORES EM EBULIÇÃO
“Paula não consegue 18 votos”, diz Ilde Taques e amplia disputa pela presidência da Câmara de Cuiabá
A corrida pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou novos capítulos nesta terça-feira e expôs, mais uma vez, o clima de tensão que domina os bastidores da Casa de Leis. Durante entrevista coletiva, o vereador Ilde Taques afirmou não acreditar que a atual presidente, Paula Calil (PL), consiga reunir os 18 votos necessários para alterar o Regimento Interno e viabilizar sua participação na disputa pela reeleição, cenário que mantém acesa a disputa pelo comando do Legislativo cuiabano.
A declaração foi dada um dia após uma reunião que reuniu vereadores de diferentes grupos políticos para discutir alternativas em torno da eleição da Mesa Diretora. Segundo Ilde, o encontro teve como principal objetivo buscar um consenso sobre a data da eleição, evitando futuros questionamentos judiciais e garantindo segurança jurídica ao processo.
De acordo com o parlamentar, a maioria dos vereadores presentes teria concordado com a realização da eleição a partir de 1º de outubro, período considerado dentro do marco temporal estabelecido pelas recentes decisões do Supremo Tribunal Federal sobre eleições antecipadas das mesas diretoras. No entanto, ele afirmou que o entendimento construído na reunião pode não se confirmar, diante das divergências que continuam existindo entre os grupos políticos.
“A maioria decidiu por uma data, mas pelo que estou vendo não haverá consenso. O acordo era respeitar a decisão da maioria, porém algumas posições parecem ter mudado depois da reunião”, afirmou.
O centro da disputa continua sendo a tentativa de alteração do Regimento Interno. Para que a mudança seja aprovada, são necessários 18 votos favoráveis, número que, na avaliação de Ilde Taques, está distante da realidade atual da Câmara.
O vereador sustenta que mantém uma base consolidada de 13 parlamentares comprometidos com sua candidatura à presidência e afirma que esse grupo permanece unido desde o início das articulações.
“São vereadores que deram a palavra e continuam cumprindo. É um projeto construído desde o começo e seguimos trabalhando para a eleição”, declarou.
As declarações também lançaram dúvidas sobre a unidade do grupo alinhado à presidente Paula Calil. Isso porque, segundo Ilde, nem todos os vereadores que hoje integram a ala favorável à mudança do regimento concordam com a eventual indicação do vereador Dilemário Alencar (União Brasil) como candidato de consenso caso Paula fique impedida de disputar.
A possibilidade de Dilemário assumir a candidatura ganhou força após a própria presidente afirmar que, se não conseguir viabilizar sua participação na eleição, o grupo permanecerá unido em torno do parlamentar do União Brasil. Entretanto, Ilde afirmou que o cenário está longe de ser pacificado.
Segundo ele, existem outros vereadores interessados em disputar a presidência dentro do próprio bloco que hoje apoia Paula Calil, o que pode provocar novas divisões caso a mudança regimental não avance.
“Nem todos concordam que o Dilemário tenha que ser o candidato. Existem outros vereadores naquele grupo que também têm interesse em disputar a presidência e isso pode gerar novos movimentos”, avaliou.
Ilde revelou ainda ter sido surpreendido pela aproximação entre Dilemário e o grupo da presidente. Conforme relatou, o vereador do União Brasil sempre manteve posição contrária à alteração do regimento e construiu sua pré-candidatura defendendo a realização da eleição dentro das regras atualmente vigentes.
O parlamentar também voltou a mencionar a participação do prefeito Abilio Brunini no cenário político da eleição interna. Embora tenha evitado fazer críticas diretas ao chefe do Executivo, afirmou que colegas relatam uma atuação ativa do prefeito nas conversas envolvendo a sucessão da Mesa Diretora.
“Ele diz que não interfere, mas ouvimos relatos de colegas de que participa das discussões. Ontem, inclusive, foi comentado que ele esteve presente em um jantar onde o assunto foi tratado”, disse.
Apesar da movimentação intensa nos bastidores, Ilde reforçou que a definição da eleição dependerá da capacidade dos grupos construírem um entendimento sobre a alteração do calendário e sobre a própria composição das chapas. Caso não haja consenso para aprovar a mudança do regimento ou da data da eleição, a tendência é que a disputa permaneça marcada para 25 de agosto, abrindo espaço para novas contestações judiciais.
Com a aproximação da reta decisiva das articulações, o cenário dentro da Câmara de Cuiabá permanece indefinido. Enquanto Paula Calil busca reunir os votos necessários para viabilizar sua candidatura, Ilde Taques mantém sua base de apoio e aposta no desgaste das negociações do grupo adversário. No meio desse tabuleiro político, o nome de Dilemário Alencar surge como peça estratégica, mas ainda longe de representar um consenso capaz de encerrar a disputa que movimenta os corredores do Legislativo cuiabano.
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