CATHEDRA VENALIS

Vereador de VG fez 79 saques e retirou quase R$ 200 mil em dinheiro vivo; Gaeco investiga destino dos recursos

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Vereador de VG fez 79 saques e retirou quase R$ 200 mil em dinheiro vivo; Gaeco investiga destino dos recursos

OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS

Por José Teixeira

O vereador Denival Rodrigues Galibert (PSB), conhecido como Sargento Galibert, de Várzea Grande, realizou 79 saques bancários que totalizaram R$ 199.479,99 em dinheiro vivo, conforme informações financeiras examinadas pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

Os dados integram o Relatório Técnico nº 146/2026, relacionado à Operação Cathedra Venalis, deflagrada em 20 de outubro para investigar suspeitas de corrupção e negociação de apoio político na Câmara Municipal de Várzea Grande.

O volume de recursos retirados em espécie chamou a atenção dos investigadores. Os saques representaram aproximadamente 92,23% dos débitos das contas analisadas, dificultando a identificação do destino final do dinheiro por meio dos registros bancários.

No período examinado, as contas do parlamentar apresentaram movimentação de R$ 427.117,55, considerando créditos de R$ 210.828,87 e débitos de R$ 216.288,68.

Entre os valores recebidos aparecem operações de empréstimo ou financiamento de R$ 100 mil e pagamentos de remuneração que totalizaram R$ 93.781,82.

O levantamento também registra cinco pagamentos de títulos, que somaram R$ 12.543,84, além de duas transferências bancárias no valor conjunto de R$ 4 mil.

Outro ponto destacado na investigação envolve operações imobiliárias. Segundo os documentos analisados, Denival e Rosene Arlete da Silva Oliveira Galibert adquiriram dois imóveis em 2022, declarados em escrituras pelo valor conjunto de R$ 10 mil.

A avaliação fiscal municipal dos bens, entretanto, alcançava R$ 58.320, diferença de R$ 48.320 em relação aos valores informados nas escrituras.

Os investigadores procuram compreender a origem dos recursos empregados nas operações e a justificativa para a diferença entre os valores declarados e as avaliações fiscais.

Denival aparece entre os parlamentares relacionados às diligências da Operação Cathedra Venalis, que apura denúncias de pagamentos, ameaças e possíveis vantagens financeiras para influenciar a eleição da Mesa Diretora do Legislativo municipal.

A investigação também examina relatos sobre reuniões políticas realizadas em uma chácara na região do Distrito da Guia.

Apesar das suspeitas, os documentos divulgados não demonstram que os saques tenham sido utilizados para pagamento de propina ou compra de votos.

A retirada de dinheiro em espécie e a divergência entre valores imobiliários constituem elementos de análise, mas não representam, por si só, comprovação de crime.

O esclarecimento das movimentações dependerá da análise complementar de documentos bancários, registros patrimoniais e informações prestadas pelos envolvidos.