OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS

Denúncia ao Gaeco aponta suspeita de “rachadinha” e uso de cargos para garantir apoio a Wanderley na Câmara de VG

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Denúncia ao Gaeco aponta suspeita de “rachadinha” e uso de cargos para garantir apoio a Wanderley na Câmara de VG

Por José Teixeira

O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), é citado em uma denúncia de suposta prática de “rachadinha” envolvendo servidores temporários do Legislativo. A acusação consta de relato encaminhado ao Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) e integra as investigações da Operação Cathedra Venalis, deflagrada em 20 de outubro.

A informação foi divulgada na sexta-feira (23) e acrescenta uma nova frente às suspeitas de corrupção e negociações políticas que envolvem a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal.

De acordo com o documento, uma pessoa que solicitou a preservação de sua identidade relatou aos investigadores a possível existência de um esquema de devolução de parte dos salários pagos a servidores temporários.

A suspeita aparece em um trecho do relatório identificado como “Da suposta prática de rachadinha e perseguição administrativa”.

O termo “rachadinha” é utilizado para descrever situações nas quais servidores públicos são obrigados a devolver parte da remuneração a agentes políticos ou intermediários.

No caso investigado em Várzea Grande, entretanto, o trecho divulgado não identifica quais servidores estariam envolvidos, quantos funcionários teriam participado, os percentuais supostamente exigidos ou os valores que poderiam ter sido movimentados.

O relatório também não apresenta, nessa passagem, comprovação de transferências bancárias relacionadas à acusação.

A denúncia menciona ainda possíveis articulações envolvendo a distribuição de cargos e pagamentos mensais para conquistar ou preservar apoio de vereadores nas disputas pela presidência do Legislativo.

Segundo a narrativa apresentada aos investigadores, Wanderley ocuparia posição central nesse suposto grupo político.

Outro ponto examinado diz respeito a possíveis perseguições administrativas contra integrantes de grupos que teriam rompido com o presidente da Câmara.

Entre as situações mencionadas estão exonerações de assessores vinculados ao vereador Charles Fabiano, após uma mudança de posicionamento político na disputa pela Mesa Diretora para o biênio 2027-2028.

Os investigadores deverão esclarecer se as exonerações decorreram de decisões administrativas regulares ou se tiveram alguma ligação com eventuais represálias políticas.

A Operação Cathedra Venalis cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães, alcançando vereadores e outras pessoas relacionadas à investigação.

Após a deflagração da operação, Wanderley confirmou que houve buscas em seu escritório e afirmou desconhecer o conteúdo da investigação.

A acusação de rachadinha permanece no campo das suspeitas. Não há, nas informações examinadas, comprovação conclusiva de cobrança ou recebimento de parte dos salários dos servidores.

A investigação deverá verificar a consistência dos relatos, identificar possíveis envolvidos e apurar se houve irregularidades administrativas ou crimes contra a administração pública.