TRETA POLICIAL

Delegado perde dedos da mão após ser baleado por investigador da Polícia Civil em Sorriso

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Delegado perde dedos da mão após ser baleado por investigador da Polícia Civil em Sorriso

JB News

Por Emerson Teixeira

A tentativa de homicídio envolvendo o delegado da Polícia Civil Bruno França, registrada na noite desta quarta-feira em Sorriso, trouxe novamente à tona uma sequência de episódios polêmicos ligados à trajetória recente do policial no estado de Mato Grosso. O caso, que envolve um investigador da própria corporação, provocou forte repercussão nos bastidores da segurança pública e ampliou o debate interno sobre conflitos dentro da Polícia Civil.


Segundo informações preliminares apuradas pelas autoridades, a confusão teria começado após um desentendimento em um grupo de WhatsApp envolvendo integrantes da corporação. Após a discussão virtual, Bruno França teria ido até a residência do investigador para esclarecer a situação pessoalmente. No local, o clima teria saído do controle e terminado em disparos de arma de fogo.


Durante o confronto, o investigador teria utilizado uma espingarda calibre 12 para efetuar diversos tiros contra o delegado. Um dos disparos atingiu a mão de Bruno França, causando graves ferimentos e resultando na amputação de dois dedos. Mesmo ferido, o delegado conseguiu deixar o local dirigindo o próprio veículo, que também ficou marcado pelos tiros efetuados durante a ocorrência. Ele procurou atendimento médico em uma unidade hospitalar e posteriormente foi encaminhado para acompanhamento especializado.


O episódio gerou forte impacto dentro da Polícia Civil por envolver dois integrantes da mesma instituição em uma ocorrência de extrema gravidade. As circunstâncias da troca de acusações e os motivos exatos da discussão ainda são investigados oficialmente.


A situação ocorre em meio a uma série de episódios controversos envolvendo o nome do delegado nos últimos anos. Bruno França já havia se tornado alvo de investigações, representações disciplinares e críticas públicas em diferentes momentos da carreira. Em 2022, a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso pediu o afastamento dele após uma operação que terminou com acusações de abuso de autoridade em Cuiabá. Na ocasião, imagens divulgadas nas redes sociais mostravam o delegado armado durante uma abordagem em condomínio residencial, episódio que gerou forte repercussão no estado.  


Naquele caso, Bruno França chegou a admitir excesso verbal durante a ação, alegando que agia em meio a uma situação envolvendo ameaças contra o enteado. A repercussão levou o próprio delegado a solicitar afastamento temporário das funções enquanto os fatos eram apurados.  


Mais recentemente, o nome do delegado voltou ao centro das discussões após sua exoneração do comando da Delegacia de Sorriso. A decisão ocorreu em meio às investigações sobre um suposto estupro envolvendo um policial civil dentro da unidade policial e após o vazamento de mensagens atribuídas a integrantes da corporação, que continham diálogos considerados graves pelas autoridades.  


As conversas divulgadas nas redes sociais levantaram suspeitas sobre condutas irregulares dentro da delegacia, incluindo comentários sobre violência contra suspeitos, possíveis abusos e supostas irregularidades operacionais. Bruno França negou qualquer participação ilícita e afirmou, na época, que as mensagens haviam sido retiradas de contexto ou manipuladas.  


Além disso, a Justiça de Mato Grosso também condenou recentemente o delegado por abuso de autoridade, embora tenha negado a perda do cargo público. A decisão ainda cabe recurso.  


A tentativa de homicídio desta quarta-feira amplia ainda mais a tensão em torno do ambiente interno da Polícia Civil de Mato Grosso, especialmente em Sorriso, município considerado estratégico para as forças de segurança da região norte do estado. O caso também aumenta a pressão sobre a Corregedoria da Polícia Civil e sobre a Secretaria de Segurança Pública para esclarecer os desdobramentos da ocorrência e investigar se havia conflitos anteriores entre os envolvidos.


Até o momento, a Polícia Civil não divulgou oficialmente detalhes sobre a prisão do investigador apontado como autor dos disparos, nem informou quais medidas administrativas serão adotadas após o episódio. Enquanto isso, o caso segue cercado de repercussão política e institucional nos bastidores da segurança pública mato-grossense.

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