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Por Nayara Cristina
O avanço das discussões sobre fertilizantes e bioinsumos em Mato Grosso voltou ao centro das atenções do agronegócio brasileiro após a realização da segunda reunião ordinária do Comitê Gestor de Fertilizantes e Bioinsumos do Estado, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec). O encontro reuniu representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária, especialistas do setor e lideranças técnicas para debater estratégias ligadas ao Plano Nacional de Fertilizantes e à criação da nova Comissão de Fertilidade do Solo de Mato Grosso, considerada uma ferramenta estratégica para fortalecer a produtividade agrícola e garantir maior eficiência econômica ao campo.
A pauta é vista como uma das mais importantes para o futuro da economia mato-grossense, já que o Estado ocupa posição de liderança na produção nacional de grãos e depende diretamente do fornecimento de fertilizantes para manter o ritmo de crescimento da agropecuária. O tema ganhou ainda mais relevância nos últimos anos diante das crises internacionais envolvendo cadeias de suprimentos, guerras comerciais e oscilações no mercado global de insumos agrícolas, fatores que elevaram os custos de produção e acenderam um alerta sobre a dependência brasileira de fertilizantes importados.
Durante a reunião, o representante do Ministério da Agricultura e integrante do Conselho Nacional de Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Confert), José Carlos Polidoro, apresentou os principais eixos do Plano Nacional de Fertilizantes, criado para ampliar a segurança do abastecimento no país e reduzir vulnerabilidades estratégicas da produção agrícola brasileira. Segundo ele, o debate sobre fertilizantes deixou de ser apenas uma questão agrícola e passou a integrar uma agenda ligada à segurança alimentar e econômica do país.
A avaliação apresentada no encontro é de que garantir acesso estável a fertilizantes significa assegurar a continuidade da produção de alimentos, manter competitividade internacional e proteger o Brasil contra impactos externos que possam comprometer a cadeia produtiva. Mato Grosso, por concentrar uma das maiores produções agrícolas do planeta, aparece no centro dessa discussão nacional.
A secretária adjunta de Agronegócio, Crédito e Energia da Sedec, Linacis Vogel Lisboa, destacou que o Estado acompanha de perto as diretrizes nacionais e busca consolidar políticas que tragam maior estabilidade ao setor produtivo. Segundo ela, o fortalecimento da cadeia de fertilizantes é fundamental para garantir sustentabilidade econômica e ampliar a eficiência do agro mato-grossense em médio e longo prazo.
Outro ponto importante debatido no encontro foi a aprovação da criação da Comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Mato Grosso (CFS-MT), formada por especialistas indicados por instituições técnicas e científicas. O grupo terá como missão elaborar recomendações oficiais de correção e adubação do solo, além de atualizar métodos de análise utilizados em laboratórios e pesquisas agrícolas.
A comissão também deverá atuar na definição de prioridades para pesquisas relacionadas à fertilidade do solo e à nutrição mineral das plantas, direcionando estudos considerados essenciais para aumentar produtividade sem comprometer o equilíbrio ambiental e financeiro das propriedades rurais.
O engenheiro agrônomo Milton Moraes, escolhido para coordenar os trabalhos da comissão, afirmou que o uso racional de fertilizantes precisa considerar não apenas critérios agronômicos, mas também fatores econômicos. Segundo ele, há um limite técnico em que o aumento da adubação deixa de gerar retorno proporcional em produtividade, tornando essencial que o produtor rural tenha planejamento e precisão no manejo dos insumos.
Especialistas do setor avaliam que o debate ocorre em um momento decisivo para Mato Grosso, principalmente diante da necessidade de ampliar produtividade sem elevar excessivamente os custos da produção agrícola. O tema também se conecta diretamente à competitividade das commodities brasileiras no mercado internacional, já que fertilizantes representam uma das maiores despesas do agronegócio.
Além do impacto econômico imediato, a discussão sobre fertilidade do solo e segurança no fornecimento de insumos é considerada estratégica para o futuro da produção de alimentos no Brasil. O avanço tecnológico no manejo agrícola, aliado ao desenvolvimento científico voltado à eficiência nutricional das lavouras, passou a ser tratado como prioridade para sustentar o crescimento do setor sem ampliar pressões ambientais.
Com a consolidação da nova comissão técnica e o alinhamento com o Plano Nacional de Fertilizantes, Mato Grosso busca fortalecer sua posição como principal potência agrícola do país, em um cenário global cada vez mais competitivo e dependente de segurança produtiva.