União Brasil tenta conter debandada antes da janela partidária e reunião até dia 4 deve definir quem fica e quem sai da sigla em Mato Grosso Diz deputada, VEJA O VÍDEO
JB News
Por Nayara Cristina
A movimentação para as eleições de 2026 já começa a alterar o cenário político em Mato Grosso e um dos partidos que mais vive momentos de tensão interna é o União Brasil, legenda comandada no estado pelo governador Mauro Mendes. Com uma bancada expressiva e nomes de peso na política estadual, o partido se tornou um dos principais polos de disputa por espaço nas chapas proporcionais que disputarão vagas na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa.
Nos bastidores, a construção das chapas para deputado federal e deputado estadual tem provocado atritos entre lideranças e pré-candidatos, que cobram maior agilidade na definição da estratégia eleitoral. Muitos filiados avaliam que o partido tem sido lento na organização das chapas, o que aumenta a pressão interna justamente no momento em que se aproximam prazos decisivos do calendário eleitoral.
Nas últimas semanas, reuniões reservadas foram realizadas para discutir cenários e possibilidades de composição das chapas. O debate ganhou ainda mais intensidade diante de rumores de que alguns nomes poderiam deixar a sigla para buscar espaço em outras legendas. Um dos nomes citados nos bastidores é o do deputado federal Coronel Assis, que teria sido sondado para migrar para o Partido Liberal diante do alinhamento ideológico com a legenda.
Para tentar conter uma possível debandada, a direção estadual do partido convocou uma reunião ampliada que deverá ocorrer até o próximo dia 4 de março. O encontro reunirá lideranças da legenda e também representantes do Progressistas, sigla que compõe federação com o União Brasil, com o objetivo de alinhar as estratégias eleitorais e definir o futuro dos filiados que demonstraram insatisfação.
Em entrevista concedida ao JBN News na manhã desta segunda-feira, a deputada federal Gisela Simona afirmou que a reunião deverá tratar tanto da permanência quanto de eventuais pedidos de saída de integrantes do partido. Segundo ela, a intenção da direção é avaliar caso a caso antes de qualquer decisão definitiva.
De acordo com a parlamentar, o principal objetivo do União Brasil é manter uma chapa forte e competitiva para as eleições de 2026, evitando liberar quadros que possam fortalecer partidos adversários. Ela destacou ainda que muitos dos atuais mandatários tiveram apoio político e financeiro da sigla durante as eleições anteriores, fator que pesa nas discussões internas sobre eventuais liberações para troca de partido.
Gisela também lembrou que a decisão sobre permitir ou não a saída de filiados passa por critérios estabelecidos pela direção nacional do partido, que exige análise detalhada de cada situação antes de conceder autorização formal.
Outro ponto que pesa no debate interno é o fato de que, pela legislação eleitoral brasileira, o mandato pertence ao partido, o que limita a possibilidade de parlamentares mudarem de legenda sem justificativa legal. A principal exceção é a chamada “janela partidária”, período em que deputados podem trocar de partido sem risco de perder o mandato.
Para as eleições de 2026, a janela partidária deverá ocorrer entre 5 de março e 3 de abril de 2026, período de 30 dias que antecede o prazo final de filiação partidária estabelecido pela Justiça Eleitoral. É justamente essa proximidade que tem acelerado as articulações e aumentado a pressão dentro das legendas.
Enquanto isso, outro movimento importante também está no radar político. O atual chefe da Casa Civil de Mato Grosso, Fábio Garcia, que se licenciou do mandato de deputado federal para assumir o cargo no governo estadual, deverá deixar a função até 4 de abril, prazo de desincompatibilização para disputar as eleições de 2026, reassumindo sua cadeira na Câmara dos Deputados.
Diante desse cenário, a reunião prevista até o dia 4 de março no União Brasil pode se tornar um divisor de águas para o partido em Mato Grosso. O encontro deverá definir se a legenda conseguirá manter sua base unida ou se enfrentará uma saída em série de lideranças às vésperas da abertura da janela partidária, movimento que pode redesenhar completamente o tabuleiro político rumo às eleições de 2026.
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