JB News
da redação
A Polícia Militar de Mato Grosso exonerou o tenente-coronel Wellington Rodrigues Mendonça, de 44 anos, de seus quadros e determinou o afastamento definitivo de todas as funções após ele ser acusado de assediar uma servidora da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, em Cuiabá. O militar comandava o 22º Batalhão da PM e foi preso na madrugada do último domingo, após o registro da ocorrência em uma distribuidora localizada em um posto de combustível na capital.
De acordo com informações do boletim de ocorrência e apurações das autoridades, o caso aconteceu durante a madrugada, quando o oficial, que estaria fora de serviço e sob efeito de álcool, teria importunado sexualmente duas mulheres, identificadas pelas iniciais L.G.L.S. e T.C.A.A., sendo uma delas servidora da Assembleia Legislativa. Testemunhas relataram que o comportamento do militar foi insistente, mesmo após as vítimas demonstrarem claramente desconforto e rejeição às investidas.
Ainda conforme o registro policial, a situação se agravou quando a Polícia Militar foi acionada. Durante a abordagem, o tenente-coronel teria desacatado colegas de farda, se recusado inicialmente a obedecer ordens legais, além de proferir ameaças e ofensas aos policiais que atendiam à ocorrência. Ele acabou sendo preso em flagrante e encaminhado à delegacia.
O militar passou por audiência de custódia e foi solto na segunda-feira, mediante imposição de medidas cautelares, entre elas a proibição de manter contato com as vítimas e testemunhas do caso. Apesar da liberdade provisória concedida pela Justiça, a Polícia Militar decidiu pela exoneração do oficial, informando oficialmente que ele está afastado de todas as atividades e não exerce mais nenhuma função dentro da corporação.
Em nota, a Polícia Militar de Mato Grosso afirmou que instaurou procedimento administrativo para apurar rigorosamente os fatos e destacou que não compactua com condutas incompatíveis com os princípios da instituição, reforçando que o militar responderá nas esferas administrativa, civil e criminal.
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso também se manifestou oficialmente sobre o caso. Em nota de repúdio, a Casa de Leis classificou o episódio como inaceitável, prestou solidariedade à servidora envolvida e afirmou que acompanha o caso, cobrando a responsabilização do acusado. A ALMT ressaltou ainda que atitudes dessa natureza ferem a dignidade das vítimas e não podem ser toleradas, independentemente da posição ocupada pelo investigado.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar, enquanto o nome do agora ex-tenente-coronel passa a figurar em processos que apuram não apenas a acusação de assédio sexual, mas também crimes de desacato e ameaças contra integrantes da própria corporação.