Senado reage e cria comissão para acompanhar um dos maiores casos de lavagem de dinheiro, e crimes financeiros do país

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JB News por Jota de Sá Foto: Arte Emerson Teixeira JBNews Escândalo do Banco Master leva Senado a reagir e comissão é criada para acompanhar um dos maiores casos financeiros do país   O Caso Banco Master, investigado em uma série de operações da Polícia Federal que cresceram em volume e complexidade nos últimos meses, transformou-se em uma crise que atravessa o mundo financeiro, o mercado de capitais e o tabuleiro político. As apurações — que apontam para uma articulação de empresas, fundos e intermediários usados para movimentar e ocultar recursos em larga escala — ligaram o Master a outras frentes de investigação, ampliando a suspeita de que havia uma estrutura sistemática de lavagem de dinheiro e fraudes financeiras com impacto potencialmente bilionário no equilíbrio econômico do país. As investigações ainda estão em curso e muitas das menções a pessoas e contratos constam em inquéritos ou reportagens; cabe à Justiça confirmar qualquer responsabilidade.  No núcleo do caso está o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador e principal controlador do Banco Master, que chegou a ser preso no curso das ações da Polícia Federal e foi posteriormente liberado por decisão judicial, mas segue como figura central nas investigações. A atuação da alta direção da instituição, familiares e operadores financeiros está sendo minuciosamente investigada pela PF, que identificou mandados de busca e apreensão em residências, sedes empresariais e endereços ligados a sócios e gestores.  A Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025, teve desdobramentos amplos e é apontada pelas autoridades como uma ofensiva contra o núcleo financeiro do crime organizado que operava por meio de fundos, corretoras e empresas de fachada. A ação da PF contou com centenas de alvos — estimativas da cobertura jornalística apontam cerca de 350 endereços e pessoas investigadas — e atingiu administradoras de fundos e gestores que, segundo a apuração, teriam papel na pulverização e ocultação de recursos. Entre os alvos identificados em reportagens estão fundos e gestoras que depois passaram a aparecer nos documentos vinculados ao Master.  Uma outra investigação que ficou conhecida como Compliance Zero é um desdobramento direto dessas apurações e mirou especificamente fraudes ligadas ao Banco Master. Na segunda fase da Compliance Zero, deflagrada em janeiro de 2026, a Polícia Federal passou a focar nomes ligados ao Master e a empresários e operadores do mercado financeiro: foram citados nas matérias o próprio Daniel Vorcaro, familiares próximos — como o cunhado Fabiano Campos Zettel, que chegou a ser detido temporariamente e foi liberado — e executivos e controladores de gestoras e fundos que negociaram carteiras com o Master. Reportagens também mencionaram o empresário João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag, como alvo de buscas na nova fase da operação. A cobertura indica que a Compliance Zero incluiu bloqueios patrimoniais e medidas para resguardar provas enquanto a PF aprofundava as apurações.  Documentos e apreensões que vieram à tona na investigação levantaram perguntas sobre contratos de consultoria de alto valor ligados ao Master. Entre os trechos mais sensíveis das apurações está a existência de um contrato entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Reportagens jornalísticas informaram que o contrato registrado em documentos apreendidos previa uma prestação de serviços cujo valor chegou a ser informado como da ordem de R$ 129 milhões — informação que passou a ser alvo de intensa repercussão política e midiática. As reportagens também registram que, até o momento, não houve denúncia formal contra Viviane Barci, e que sua atuação profissional tem sido descrita por defensores como atividade jurídica lícita; as autoridades, porém, verificam se pagamentos ou prioridades de quitação constam entre os elementos sob apuração.  Além do nome de Vorcaro, das prisões temporárias de familiares e de empresários ligados a gestoras que negociaram ativos com o banco, a apuração jornalística citou outros operadores e personagens que passaram a compor o mapa das investigações: o empresário baiano Augusto “Guga” Ferreira Lima, apontado como ex-sócio de Vorcaro e com atuação relevante em articulações no centro político, e o envolvimento de fundos que chegaram a ter patrimônio bilionário e que aparecem nas listas de averiguações — entre eles, fundos com nomes que surgiram em levantamentos como Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna, todos mencionados pela mídia no contexto dos fundos sob investigação. A ligação entre essas estruturas, gestores e a operação financeira do Master é um dos eixos que a PF busca comprovar.  A investigação também colocou sob holofote a relação entre o Master e operações com o Banco de Brasília (BRB), envolvendo a venda de carteiras de crédito sem lastro que teriam gerado prejuízos e desencadeado investigações sobre participantes da negociação; reportagens trouxeram à tona o afastamento de autoridades e responsabilizações provisórias em órgãos envolvidos nessas transferências. Esses elementos estão entre as peças que levaram a magnitude das apreensões e ao bloqueio de bens em valores significativos durante a Compliance Zero. Diante dos desdobramentos e da relevância sistêmica do caso, o Senado Federal entrou em cena. O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, senador Renan Calheiros (MDB-AL), instituiu um grupo de trabalho na CAE para acompanhar de forma contínua e minuciosa as investigações relacionadas ao Banco Master. O colegiado terá poderes para solicitar informações oficiais, convocar investigados e autoridades e sugerir iniciativas legislativas que busquem fortalecer mecanismos de prevenção e fiscalização do sistema financeiro — um movimento que o Senado justificou pela necessidade de resposta institucional à escala do escândalo. A composição do grupo inclui parlamentares de vários partidos e estados, numa tentativa de dar legitimidade política ao acompanhamento.  O quadro que emerge das investigações — com nomes de banqueiros, gestores de fundos, empresários do mercado financeiro, familiares de controladores e contratos de alto valor ligados a escritórios de advocacia — promete novos capítulos: medidas cautelares, pedidos de informação a órgãos reguladores, eventual ajuizamento de ações penais e desdobramentos que podem atingir autoridades e operadores mencionados nas apurações. Fontes policiais e reportagens indicam que a PF ainda mapeia fluxos financeiros, contratos e transações internacionais que possam comprovar o uso de estruturas para ocultação de recursos. Enquanto isso, o Senado concentra os esforços para traduzir os elementos apurados em respostas legislativas e em pedidos formais de esclarecimento às autoridades competentes.