EM CIMA DO MURO

Não vou me expor agora”, diz Flávia Moretti ao adiar apoio entre Wellington Fagundes e Pivetta; “muita coisa ainda vai mudar até as convenções”

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Não vou me expor agora”, diz Flávia Moretti ao adiar apoio entre Wellington Fagundes e Pivetta; “muita coisa ainda vai mudar até as convenções”

Bastidores da sucessão

JB News

Por Nayara Cristina

Do local Guilherme Augusto

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), decidiu adotar uma estratégia de cautela diante da corrida pelo Palácio Paiaguás. Durante entrevista concedida nesta terça-feira (30), após participar da cerimônia de entrega de ambulância e equipamentos para fortalecer a rede municipal de saúde — ação realizada dentro do Novo PAC Saúde, do Governo Federal —, a gestora afirmou que permanecerá neutra até a realização das convenções partidárias e condicionou qualquer apoio à apresentação de compromissos concretos para o município.

A declaração ocorre em um momento de intensa movimentação política em Mato Grosso. No evento, Flávia recebeu o senador Carlos Fávaro (PSD) e a pré-candidata ao Governo de Mato Grosso Natasha Slhessarenko (PSB). Ao mesmo tempo, integra o PL, partido que tem como pré-candidato ao Governo o senador Wellington Fagundes. Nos últimos meses, porém, também participou de diversas agendas institucionais ao lado do vice-governador Otaviano Pivetta, outro nome que disputa a sucessão estadual.

Questionada sobre qual caminho pretende seguir, Flávia descartou qualquer anúncio antecipado. Segundo ela, o cenário político ainda está em formação e poderá sofrer mudanças significativas até a definição oficial das candidaturas.

“Eu, por enquanto, vou me manter até as convenções para anunciar meu apoio. Acredito que até lá muita coisa vai mudar”, afirmou.

A prefeita revelou que já comunicou essa posição tanto a Wellington Fagundes quanto a Otaviano Pivetta e disse que pretende evitar qualquer desgaste político antes da definição do quadro eleitoral.

“Não quero me expor agora. Muita coisa ainda vai mudar. Não quero ter esse desgaste antes da hora”, reforçou durante a entrevista.

Flávia também comparou sua situação à do prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmando que ambos vivem um momento semelhante diante da sucessão estadual. Apesar disso, ressaltou que ainda não discutiu o assunto com o prefeito cuiabano nem definiu qualquer estratégia conjunta.

Mesmo filiada ao PL, a prefeita deixou claro que não tomará qualquer decisão isoladamente. Segundo ela, qualquer definição será construída em diálogo com o partido.

“Sou partidária, estou dentro do PL, estou com o partido, mas ainda existe um caminho para ser conversado.”

Mais do que afinidade política, Flávia afirmou que pretende avaliar aquilo que cada candidato oferecerá para Várzea Grande. Segundo ela, o apoio não será construído apenas sobre alianças partidárias, mas sobre compromissos objetivos com o desenvolvimento do município.

“O primeiro ponto será saber qual será o termo de compromisso dos candidatos ao Governo para Várzea Grande. O que cada um vai prometer para a cidade.”

A gestora também destacou o peso eleitoral de Várzea Grande na disputa estadual e afirmou que não pretende tomar uma decisão sem ouvir o sentimento da população.

“Várzea Grande sempre decidiu eleições. A força dos eleitores daqui é muito grande. Eu tenho que respeitar meus eleitores. Não tem que ser eu apoiar primeiro. A população precisa estar comigo para que eu possa apoiar um candidato. Antes, preciso entender o que a população quer.”

A postura adotada por Flávia ocorre em um momento de rearranjo político dentro do próprio PL. Embora Wellington Fagundes continue sendo o pré-candidato oficial do partido ao Governo de Mato Grosso, prefeitos da legenda já passaram a manifestar apoio ao projeto político de Otaviano Pivetta, evidenciando que o cenário interno ainda está longe de uma unidade. O movimento tem provocado debates nos bastidores e reforçado a percepção de que a definição dos apoios municipais será uma das principais disputas até o período das convenções partidárias.

Entre os casos mais emblemáticos está o do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), que declarou apoio à pré-candidatura de Pivetta, além de outras lideranças municipais que também têm demonstrado alinhamento ao atual grupo governista. Esse movimento tem gerado desconforto dentro da cúpula liberal, já que Wellington Fagundes busca consolidar sua candidatura enquanto parte de sua própria base política mantém interlocução com o projeto liderado pelo vice-governador.

Apesar desse cenário, Wellington Fagundes tem afirmado publicamente que não pretende impor fidelidade aos prefeitos do PL antes das convenções, sustentando que cada gestor possui liberdade para construir seu posicionamento político durante a pré-campanha. Nos bastidores, entretanto, interlocutores reconhecem que a disputa pelos apoios municipais deverá se intensificar nas próximas semanas, especialmente entre os dois principais grupos que disputam o comando do Estado.

É justamente nesse contexto que a neutralidade anunciada por Flávia Moretti ganha ainda mais relevância. Várzea Grande possui o segundo maior colégio eleitoral de Mato Grosso e historicamente exerce influência significativa nas eleições estaduais. Ao optar por aguardar as convenções e condicionar qualquer apoio aos compromissos que serão assumidos com o município, a prefeita preserva seu capital político, amplia seu poder de negociação e sinaliza que pretende colocar os interesses de Várzea Grande no centro das discussões eleitorais.

Apesar da neutralidade eleitoral, Flávia fez questão de reconhecer o apoio institucional recebido do Governo do Estado. Ela afirmou que o governador garantiu investimentos para a construção do novo Hospital e Pronto-Socorro de Várzea Grande, obra considerada estratégica para toda a Baixada Cuiabana.

Segundo a prefeita, o novo hospital representa uma necessidade regional, já que o município atende pacientes de diversas cidades do entorno e desempenha papel fundamental na rede pública de saúde.

A entrevista deixa claro que, ao menos neste momento, Flávia Moretti pretende manter distância da polarização entre Wellington Fagundes e Otaviano Pivetta. Sua estratégia é aguardar a consolidação do cenário político, ouvir a população, discutir internamente com o PL e avaliar quais compromissos efetivos cada pré-candidato apresentará para Várzea Grande antes de anunciar de que lado estará na disputa pelo Palácio Paiaguás.

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