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Por Nayara Cristina
A cidade de Sorriso, a cerca de 398 quilômetros de Cuiabá, enfrenta uma das mais graves ondas de violência dos últimos anos. Em apenas 15 dias, seis pessoas foram assassinadas, sendo que cinco mortes apresentam vínculo direto com facções criminosas, conforme apontam as investigações da Polícia Civil. O avanço da criminalidade rompe um período recente de estabilidade e reacende o temor de uma escalada semelhante à vivida em anos anteriores.
Durante coletiva de imprensa, o delegado Bruno França classificou o cenário como inaceitável e afirmou que a resposta do Estado será dura. Segundo ele, Sorriso vinha de aproximadamente dois anos com índices mais controlados de homicídios, o que torna ainda mais alarmante a concentração de crimes registrada neste início de ano. “Fomos acuados e não vamos aceitar esse retrocesso. A reação será firme e proporcional à gravidade do que está acontecendo”, declarou.
A sequência de assassinatos em curto espaço de tempo elevou o nível de alerta das forças de segurança. Na noite de quarta-feira (15), Adriano da Conceição Santos, de 21 anos, foi executado a tiros dentro da própria barbearia. Poucas horas depois, já durante a madrugada, Grazielli Cristina da Silva Alves, de 18 anos, foi morta dentro de casa após a invasão de suspeitos. A jovem não tinha histórico criminal, mas, de acordo com o delegado, a forma como o crime foi cometido aponta, de maneira inequívoca, para uma execução determinada por facção criminosa.
Conforme detalhado na coletiva, a principal linha de investigação indica que parte dessas mortes ocorreu como retaliação a um homicídio anterior, o que acende um sinal de alerta para possíveis novos ataques. Há indícios de disputas por território e pelo controle do tráfico, mas também a possibilidade de crimes motivados exclusivamente por vingança. “Esse tipo de reação em cadeia, se não for interrompido rapidamente, pode levar a um cenário fora de controle”, advertiu Bruno França.
Diante do quadro, a Polícia Civil anunciou a implementação de um plano de ação integrado, com reforço das operações, intensificação do trabalho de inteligência e atuação conjunta com a Polícia Militar. O objetivo imediato é identificar e prender os responsáveis, além de impedir que novas represálias ocorram. “Nossa missão é restabelecer a ordem e garantir que Sorriso não volte a conviver com uma rotina de violência”, afirmou o delegado.
A situação expõe um contraste preocupante. Sorriso, reconhecida nacionalmente pela força do agronegócio e pela intensa circulação de riqueza, passa a figurar também como palco de uma guerra entre facções, que espalha medo e insegurança entre moradores. Para a Polícia Civil, o recado deixado na coletiva foi direto: a criminalidade organizada não terá espaço. A resposta, segundo a autoridade policial, será rápida, firme e à altura da brutalidade dos crimes.