Reitora da UFMT teme paralização do Hospital Júlio Müller e defende: “Se não houver solução jurídica, o Estado deve assumir”, VEJA O VÍDEO

· 3 min de leitura
JB News por Nayara Cristina DISPUTA TERRITORIAL Impasse territorial ameaça futuro do Hospital Júlio Müller e reitora defende: “Se não houver solução jurídica, Estado deve assumir” A disputa territorial envolvendo o Hospital Universitário Júlio Müller ganhou contornos de crise institucional e pode provocar reflexos diretos na saúde pública de Mato Grosso. A mudança de perímetro aprovada anos atrás, que deslocou oficialmente a área onde está instalada a nova estrutura do hospital de Cuiabá para Santo Antônio do Leverger, desencadeou um embate jurídico, político e financeiro que agora mobiliza prefeitos, deputados, gestores da universidade e o Governo do Estado. O prefeito de Abílio Brunini tem sido um dos principais críticos da alteração territorial. Ele afirma que a medida representa prejuízo direto à estrutura da saúde da capital, tanto pela perda de referência territorial quanto pela complexidade operacional que envolve o hospital universitário. Segundo o gestor, a unidade sempre esteve integrada ao planejamento estratégico de Cuiabá e sua eventual transferência administrativa pode comprometer fluxos assistenciais e organização do sistema municipal. Os números reforçam a dimensão do problema. O custo operacional do Hospital Júlio Müller ultrapassa R$ 300 milhões anuais, enquanto o orçamento total de Santo Antônio do Leverger gira em torno de pouco mais de R$ 100 milhões por ano. A disparidade levanta questionamentos técnicos sobre a viabilidade econômica e administrativa de o município assumir uma estrutura hospitalar de alta complexidade, que exige corpo técnico especializado, estrutura administrativa robusta e garantias financeiras permanentes. Durante reunião realizada na semana que antecedeu o Carnaval, representantes da Assembleia Legislativa, das prefeituras envolvidas e da Universidade Federal de Mato Grosso discutiram a situação. O encontro foi marcado por cobranças formais para que Santo Antônio do Leverger apresente manifestação oficial sobre sua capacidade técnica e econômica para assumir a responsabilidade pela unidade. Até o momento, segundo foi informado, não houve encaminhamento de resposta formal à Assembleia, à Prefeitura de Cuiabá ou à comissão criada para tratar do tema. A reitora da UFMT, professora Mariluce Souza da Silva, afirmou que foi a primeira vez que a universidade foi oficialmente convocada para discutir a alteração territorial. Ela ressaltou que desde a concepção do novo hospital todas as licenças, normatizações e registros — inclusive junto ao Ministério da Educação — foram feitos em nome do município de Cuiabá. Os cursos da área da saúde vinculados ao hospital estão cadastrados no MEC como ofertados na capital, e a infraestrutura que viabilizou a construção foi estruturada dentro dessa configuração territorial. Segundo a reitora, a mudança pode gerar insegurança jurídica e até risco de paralisação das obras e do funcionamento da unidade. Ela destacou que o hospital universitário desempenha papel estratégico na formação de profissionais da saúde, na residência médica e no atendimento de alta complexidade à população mato-grossense. “O hospital tem um orçamento três vezes maior que o município de Santo Antônio do Leverger. Vai demandar ainda muitos recursos, corpo técnico e estrutura administrativa significativa”, pontuou. O diretor da unidade, doutor Reinaldo Gaspar Pereira, reforçou durante as discussões que a prioridade deve ser a manutenção do atendimento e que alguém precisará abrir mão em favor da causa maior, que é a saúde pública. Já o presidente da Assembleia Legislativa admitiu que pode ter havido falha na condução do processo legislativo que alterou o perímetro e informou que uma nova rodada de discussões será realizada para buscar solução técnica e jurídica. O impasse, no entanto, permanece. Caso não haja definição clara sobre a responsabilidade administrativa e territorial, o conflito pode avançar para disputas judiciais, ampliando a insegurança institucional. Para a reitora, o cenário exige cautela e análise rigorosa da capacidade real de gestão por parte do município que passaria a sediar oficialmente o hospital. Ao final da reunião e em entrevista ao JBN News, Mariluce Souza foi categórica: se o impasse jurídico territorial não for resolvido com segurança e responsabilidade, e se houver risco de paralisação das obras ou prejuízo ao funcionamento da unidade, o Estado de Mato Grosso deve assumir a administração do Hospital Júlio Müller para garantir estabilidade, continuidade dos serviços e proteção à saúde pública. A crise que começou como uma redefinição de limites territoriais agora se transforma em uma decisão estratégica que pode redefinir o modelo de gestão de uma das mais importantes unidades hospitalares universitárias da região Centro-Oeste. O desfecho deverá impactar não apenas Cuiabá e Santo Antônio do Leverger, mas todo o sistema de saúde e formação acadêmica do estado. Veja : [playlist type="video" ids="377708"]