JB News
por Nayara Cristina
“Candidatura ao Senado é nata, mas governo só na convenção”, diz Júlio Campos sobre futuro político de Jayme
O cenário da sucessão ao Governo de Mato Grosso nas eleições de outubro de 2026 começa a ganhar contornos de tensão dentro do grupo governista. Um princípio de racha no União Brasil tem provocado debates internos e exposto divergências públicas entre lideranças de peso da sigla, especialmente no que diz respeito ao futuro político do senador Jayme Campos e aos planos do governador Mauro Mendes.
Presidente estadual do partido e principal liderança do grupo governista, Mauro Mendes já deixou claro que pretende disputar uma vaga ao Senado Federal em 2026. Paralelamente, trabalha para viabilizar a candidatura do atual vice-governador, Otaviano Piveta, do Republicanos, ao Palácio Paiaguás, dentro de um projeto de continuidade administrativa.
O impasse surge porque Jayme Campos, também filiado ao União Brasil, colocou seu nome à disposição para disputar o Governo do Estado. O senador tem declarado em diversas agendas pelo interior que não recuará de sua pretensão. Segundo ele, “só Deus” o tiraria da disputa pelo comando do Executivo estadual.
A movimentação de Jayme altera o tabuleiro político dentro da própria base governista. Mauro Mendes defende que o senador concentre seu projeto na reeleição ao Senado, o que possibilitaria ao União Brasil compor uma chapa forte para a Câmara Alta, com dois nomes de peso: o próprio governador e Jayme Campos. Nos bastidores, essa estratégia é vista como fundamental para fortalecer a sigla, ampliar a bancada federal e garantir protagonismo na eventual federação partidária com o Progressistas, que deve resultar na chamada “União Progressista”, atualmente em fase final de formalização junto à Justiça Eleitoral.
O embate interno, no entanto, ganhou novos contornos com as declarações do deputado estadual Júlio Campos, irmão de Jayme e um dos mais experientes quadros da política mato-grossense. Em tom conciliador, mas firme, Júlio destacou que a decisão final caberá à convenção partidária, instância soberana prevista na legislação eleitoral brasileira.
Segundo o parlamentar, Mauro Mendes já manifestou publicamente que, em seu entendimento pessoal, o projeto destinado a Jayme Campos seria o Senado. “O CPF de Mauro Mendes tem compromisso em apoiar a candidatura do nosso vice-governador Otaviano Piveta”, afirmou Júlio, reforçando que o governador mantém posição clara quanto à sucessão estadual.
Por outro lado, o deputado ponderou que Jayme Campos reúne todas as condições políticas para disputar qualquer cargo majoritário. “Se ele entender de manter a sua candidatura na convenção, é soberano, caberá a ele escolher. Quem define candidato ao governo, ao Senado e aos cargos proporcionais é a convenção partidária”, frisou.
Júlio Campos lembrou ainda que o calendário eleitoral impõe prazos objetivos. As convenções, conforme a legislação, devem ocorrer entre meados de junho e o início de agosto do ano eleitoral. Até lá, o União Brasil — possivelmente já integrado formalmente à federação com o Progressistas — terá de administrar as divergências internas e buscar consenso entre seus convencionais.
O deputado foi categórico ao diferenciar as duas situações: “A candidatura ao Senado é nata, porque ele já é senador em exercício. Para o governo, tem que ir para a convenção”. A declaração sintetiza o momento vivido pelo partido: enquanto a reeleição ao Senado seria um caminho natural para Jayme Campos, a disputa pelo Governo dependerá de articulação política e do aval da base partidária.
Com a janela eleitoral se aproximando e a federação em fase de consolidação, o União Brasil enfrenta o desafio de evitar que o princípio de incêndio se transforme em um racha definitivo. A definição do rumo da sigla poderá não apenas influenciar o equilíbrio interno do grupo governista, mas também redesenhar o cenário eleitoral de Mato Grosso em 2026.
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