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DA REDAÇÃO DO
A manhã deste sábado (31) é marcada por trabalhos de recuperação asfáltica e adequações de infraestrutura em duas das principais avenidas de Cuiabá. Na Avenida Historiador Rubens de Mendonça, conhecida como Avenida do CPA, o recapeamento está concentrado nas proximidades da Decorliz Life Center, enquanto na Avenida Tenente-Coronel Duarte, a Prainha, trabalhadores executam uma estrutura semelhante a uma calçada no canteiro central, pouco acima do Terminal Bispo Dom José. As intervenções provocam alterações pontuais na circulação dos veículos, mas sem registro de congestionamento de grandes proporções.
Os serviços ocorrem em meio à reta final do cronograma previsto para parte das obras viárias do BRT (Bus Rapid Transit), sistema de transporte coletivo implantado pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT). O empreendimento, que começou a ser executado em 2023, passou por mudanças contratuais, revisões de planejamento e sucessivas prorrogações de prazo, acumulando mais de três anos de intervenções na região metropolitana.

Na Avenida do CPA, o recapeamento desta manhã ocorre em uma área que já recebeu importantes modificações estruturais para a implantação do corredor de ônibus. A região da Decorliz passou por ajustes no canteiro central e reorganização dos retornos, modificações necessárias para separar o tráfego comum das futuras faixas exclusivas do transporte coletivo.
Uma das principais alterações foi anunciada pela Sinfra em 8 de outubro, quando o retorno próximo à Decorliz passou a funcionar por meio de uma laçada de quadra. Com a mudança, motoristas que precisam inverter o sentido da avenida devem acessar a Rua J, nas proximidades da Polícia Federal, seguir pela Rua Desembargador Trigo de Loureiro e utilizar o cruzamento semaforizado para retornar à Avenida do CPA.
A alteração busca eliminar conversões diretas que poderiam comprometer a operação dos ônibus no corredor central. Para quem utiliza diariamente a via, entretanto, a nova configuração representa mudanças nos trajetos e exige atenção à sinalização, especialmente durante a continuidade dos trabalhos de acabamento e pavimentação.

Na Prainha, a movimentação de trabalhadores neste sábado ocorre acima do Terminal Bispo Dom José, onde está sendo construída uma estrutura no espaço central que separa os sentidos da avenida. O trabalho apresenta características de adequação do canteiro e da área destinada à nova configuração viária, embora sua finalidade técnica específica ainda não tenha sido confirmada oficialmente.
A Avenida Tenente-Coronel Duarte também recebeu serviços de drenagem, recuperação do pavimento e preparação da estrutura central para a implantação do BRT. Por ser uma das principais ligações entre o Centro e outros corredores da capital, as intervenções exigem planejamento para reduzir interferências na rotina dos motoristas, comerciantes e usuários do transporte coletivo.

A recuperação das pistas representa uma das etapas mais avançadas do empreendimento. Em julho, a Sinfra já havia informado que a pavimentação estava praticamente concluída ao longo do corredor de aproximadamente 14 quilômetros entre o Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande, e a região do Comando-Geral da Polícia Militar, na Avenida do CPA. Permaneciam, entretanto, serviços complementares de infraestrutura, calçadas, paisagismo, iluminação e adequações necessárias à conclusão do corredor.

O histórico do BRT é marcado por sucessivas mudanças no calendário. Os trabalhos começaram em Várzea Grande em 2023, inicialmente com previsão de conclusão em 2024. Na capital, as intervenções tiveram início em janeiro de 2024, com expectativa de entrega em fevereiro de 2025, prazo que não foi cumprido.
Em 16 de julho de 2026, o Governo do Estado publicou uma nova prorrogação contratual de 150 dias para as obras do primeiro corredor. O aditivo firmado com o Consórcio Integra BRT ampliou o prazo de execução para 510 dias, estabelecendo 18 de novembro de 2026 como previsão de conclusão dos serviços contemplados pelo contrato. A vigência administrativa foi estendida até 16 de fevereiro de 2027, para permitir procedimentos como medições, pagamentos e encerramento contratual.
O governador Otaviano Pivetta também afirmou, em setembro, que a expectativa do Estado era concluir o primeiro trecho do BRT até dezembro. Apesar das previsões, o funcionamento integral depende de outras etapas, principalmente das estações, terminais, equipamentos e disponibilização da frota de ônibus.
Levantamento divulgado em 16 de outubro apontou que a construção das estações de embarque e desembarque havia alcançado aproximadamente 25% de execução. O projeto então apresentado previa 23 estações, sendo 16 em Cuiabá e sete em Várzea Grande, além de três terminais de integração. A previsão contratual informada para conclusão das estações era março de 2027.
A diferença entre o avanço das pistas e o andamento das estruturas de embarque evidencia que a recuperação do asfalto e a liberação do trânsito não representam, isoladamente, a conclusão do BRT. O início da operação comercial também depende da aquisição e disponibilidade dos ônibus, dos sistemas de controle e da integração com as linhas de transporte existentes.
O BRT foi escolhido em substituição ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), projetado para a Copa do Mundo de 2014 e que nunca chegou a transportar passageiros. Desde então, a implantação de um novo sistema de mobilidade tornou-se um dos principais desafios de infraestrutura urbana de Cuiabá e Várzea Grande.

Com a proximidade do prazo previsto para novembro, as frentes de trabalho observadas neste sábado demonstram que ainda há intervenções acontecendo em trechos importantes das avenidas. No entanto, a Sinfra não divulgou comunicado específico identificando os responsáveis pelas atividades registradas nesta manhã na Decorliz e acima do Terminal Bispo Dom José, nem a previsão de encerramento desses dois serviços.
Enquanto o cronograma geral avança, motoristas que circulam pela Avenida do CPA e pela Prainha continuam convivendo com obras pontuais, reorganização de acessos e adequações de pistas. A conclusão dessas etapas será importante não apenas para o futuro transporte coletivo, mas também para a recuperação definitiva das condições de circulação em dois dos corredores urbanos mais movimentados de Cuiabá.
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