PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA

PL-MT reafirma confiança em Faissal e aguarda desfecho de investigação da PF sobre seu envolvimento no esquema de venda de sentenças

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PL-MT reafirma confiança em Faissal e aguarda desfecho de investigação da PF sobre seu envolvimento no esquema de venda de sentenças

JB News

Por Nayara Cristina

A deflagração da Operação Gemini pela Polícia Federal colocou o Partido Liberal de Mato Grosso diante de uma situação delicada nesta segunda-feira (8). A investigação, que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, tem entre seus alvos o deputado estadual Faissal Calil (PL), um dos integrantes da bancada da legenda na Assembleia Legislativa.

Diante da repercussão do caso, o presidente estadual do Partido Liberal, Ananias Filho, divulgou nota oficial na qual afirmou que a sigla acompanha o andamento das investigações com serenidade e confiança nas instituições responsáveis pela apuração dos fatos.

“O Partido Liberal de Mato Grosso informa que acompanha com serenidade o andamento das investigações e aguarda a devida apuração dos fatos pelas autoridades competentes”, diz a nota.

A manifestação ocorre em um momento em que o partido, que nacionalmente e em Mato Grosso tem como uma de suas principais bandeiras o combate à corrupção, vê um de seus parlamentares envolvido em uma das mais sensíveis investigações dos últimos anos envolvendo integrantes do Judiciário mato-grossense. E principalmente por conta do ano eleitoral e das eleições que se aproximam, onde o deputado tem assento no partido, e possivelmente vem a reeleição pela sigla.

Segundo a Polícia Federal, a Operação Gemini nasceu a partir da análise de dados extraídos de aparelhos celulares apreendidos em investigações anteriores, relatórios de inteligência financeira, informações compartilhadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e cruzamentos realizados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O material revelou indícios de uma estrutura financeira e patrimonial que, segundo os investigadores, teria sido utilizada para ocultar recursos supostamente obtidos de forma ilícita.

A PF aponta que o desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso utilizaria pessoas de sua confiança para operacionalizar movimentações financeiras, aquisição de imóveis e outras transações patrimoniais. Entre essas pessoas estaria o deputado estadual Faissal Calil, apontado na investigação como operador financeiro do magistrado.

De acordo com os investigadores, o parlamentar exerceria a função de braço operacional do desembargador, atuando em operações financeiras, negociações patrimoniais e movimentações que teriam como objetivo dificultar a identificação da origem dos recursos. A Polícia Federal afirma ainda que a investigação identificou uma movimentação considerada suspeita superior a R$ 3,3 milhões, além da utilização de empresas e negócios imobiliários que agora estão sob análise dos órgãos de controle.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a suspeita de utilização de uma estrutura imobiliária para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras. A PF apura se transações envolvendo imóveis teriam sido utilizadas para ocultar patrimônio, dissimular recursos e dificultar o rastreamento dos valores movimentados pelos investigados.

As investigações também revelaram indícios de triangulações financeiras, utilização de terceiros e possíveis interposições patrimoniais. Segundo a Polícia Federal, o objetivo dessas operações seria afastar os verdadeiros beneficiários dos recursos e criar obstáculos para o rastreamento do dinheiro.

Com base nesses elementos, a Justiça autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão, buscas pessoais e a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. Durante a operação foram apreendidos celulares, computadores, documentos, armas e outros materiais que passarão por perícia.

Apesar da gravidade das suspeitas apontadas pela investigação, o Partido Liberal adotou uma postura cautelosa. Na nota assinada por Ananias Filho, a legenda destacou que confia tanto na Justiça quanto no deputado investigado e reafirmou seu compromisso com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório.

“Confiamos na Justiça e no parlamentar envolvido, reafirmando nosso compromisso com o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa”, destacou o presidente do PL-MT.

O partido também informou que eventuais providências internas somente serão adotadas após o avanço das investigações e dentro dos limites da legalidade.

A operação segue em andamento e a Polícia Federal agora concentra esforços na análise do material apreendido, além do aprofundamento das investigações financeiras e patrimoniais. Os investigadores buscam esclarecer se houve efetivamente comercialização de decisões judiciais, quem seriam os possíveis beneficiários do esquema e qual foi o volume total de recursos movimentados.

Enquanto as apurações avançam, o caso passa a representar um desafio político para o Partido Liberal em Mato Grosso, que construiu parte de seu discurso na defesa da transparência, da ética pública e do combate à corrupção. Ao mesmo tempo, a legenda busca preservar a presunção de inocência de seu parlamentar, defendendo que todas as acusações sejam devidamente esclarecidas pelas autoridades competentes antes de qualquer julgamento definitivo.

O deputado por sua vez, comentou na manhã desta segunda-feita após a operação que está tranquilo. Afirmando que “quem não deve não teme“. As investigações seguem o curso.