JB News
por Nayara Cristina
O ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, voltou ao centro do debate político estadual ao comentar, durante a cerimônia de transmissão de cargo no Palácio Paiaguás, dois dos temas mais sensíveis do atual cenário: a intervenção no PRD e o racha interno no União Brasil que já projeta efeitos na disputa eleitoral de 2026. Presente no ato que oficializou a posse de Otaviano Pivetta após a saída de Mauro Mendes, Maggi não apenas referendou o nome do novo governador como também fez alertas diretos sobre os riscos políticos que se desenham no estado.
Ao falar com a imprensa, o ex-ministro da Agricultura criticou com veemência a destituição da executiva estadual do PRD, que retirou o comando de Mauro Carvalho a poucos dias do prazo final de filiação partidária. Para Maggi, o episódio escancara o que classificou como “ditadura partidária”, em referência ao poder concentrado das direções nacionais de partidos em interferir diretamente nas estruturas estaduais, mesmo em momentos decisivos de organização eleitoral.
A intervenção, considerada abrupta por lideranças locais, desmontou a articulação que vinha sendo construída para as eleições proporcionais de 2026 e deixou pré-candidatos sem rumo político imediato, gerando forte desgaste nos bastidores. Maggi avaliou que esse tipo de decisão enfraquece o processo democrático interno das siglas e compromete a previsibilidade das alianças.
No entanto, foi ao tratar da sucessão estadual que o ex-governador fez o alerta mais contundente. Diante do cenário de divisão no União Brasil, com o senador Jayme Campos se colocando como pré-candidato ao governo, enquanto Mauro Mendes já declarou apoio a Pivetta, Maggi destacou que a fragmentação pode comprometer as chances do grupo político.
“Uma eleição com todo mundo junto já é difícil. Separado, fica mais difícil ainda”, afirmou, em tom pragmático. Para ele, o momento exige articulação política intensa por parte do novo governador, que agora passa a ter a caneta do Executivo estadual nas mãos.
Maggi foi direto ao sugerir o caminho que considera mais estratégico: a construção de unidade. Segundo ele, Otaviano Pivetta precisa utilizar este período à frente do governo para dialogar e tentar reaproximar lideranças, especialmente Jayme Campos, em busca de um palanque unificado para 2026.
“Pivetta precisa insistir e trazer Jayme para o palanque”, reforçou, indicando que a consolidação de uma candidatura competitiva passa necessariamente pela capacidade de articulação e pacificação interna dentro do partido.
A fala do ex-governador evidencia o tamanho do desafio político que Pivetta terá pela frente. Mais do que administrar o Estado, o novo governador entra em campo com a missão de construir pontes dentro de um grupo que já apresenta sinais claros de divisão — um fator que, como alertou Maggi, pode ser determinante no resultado das eleições de 2026.
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