Operação Smoke mira advogados em Cuiabá acusados de vender influência no Judiciário em Cuiabá

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JB News por Nayara Cristina A deflagração da Operação Smoke pela Polícia Civil de Mato Grosso revelou os nomes dos profissionais do meio jurídico suspeitos de participar de um esquema que prometia decisões judiciais favoráveis a presos em troca de pagamentos elevados. A ação policial cumpriu 15 ordens judiciais na capital e colocou no centro das investigações dois advogados e um bacharel em Direito que, segundo a polícia, alegavam ter influência dentro do Judiciário para “resolver” processos. Os principais alvos da investigação são os advogados Gustavo Barros dos Santos e Liomar Santos de Almeida, além do bacharel em Direito Dimas Pimentel Barroso. De acordo com a apuração, os três são investigados pelos crimes de exploração de prestígio e associação criminosa, suspeitos de abordar familiares de presos e oferecer suposta intermediação para obter decisões favoráveis no Tribunal de Justiça de Mato Grosso mediante pagamento.  As investigações indicam que o grupo prometia influenciar magistrados e servidores do Judiciário para conseguir benefícios processuais, especialmente habeas corpus ou decisões liminares que pudessem garantir liberdade ou vantagens judiciais a detentos. Em troca dessas supostas intermediações, eram exigidos valores considerados elevados, que chegariam a centenas de milhares de reais.  Um dos episódios que chamou atenção dos investigadores envolve a negociação de cerca de R$ 250 mil para obtenção de uma decisão judicial favorável em um pedido de habeas corpus. Conforme consta na investigação, o valor teria sido posteriormente reduzido para aproximadamente R$ 200 mil, quantia que seria paga para garantir influência dentro do Judiciário estadual.  Segundo a Polícia Civil, as tratativas teriam ocorrido diretamente com familiares de pessoas presas, muitas vezes sem a participação dos advogados oficialmente constituídos nos processos. Em algumas situações investigadas, os suspeitos se apresentavam como pessoas com acesso privilegiado a gabinetes de magistrados e afirmavam possuir trânsito nos bastidores do sistema de Justiça.  Os três investigados possuem trajetórias diferentes dentro da área jurídica. Gustavo Barros dos Santos é advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso e, segundo informações divulgadas em redes sociais, já teria atuado como estagiário no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e na Secretaria de Estado de Segurança Pública.  Liomar Santos de Almeida também é advogado regularmente inscrito na OAB e se apresenta publicamente como empresário, afirmando ser CEO de uma empresa ligada ao desenvolvimento artístico. Já Dimas Pimentel Barroso aparece como bacharel em Direito e chegou a possuir registro de estagiário na Ordem dos Advogados, posteriormente cancelado.  De acordo com a Polícia Civil, a Operação Smoke cumpriu 15 ordens judiciais, incluindo três mandados de busca e apreensão, três medidas cautelares diversas da prisão e nove decisões de afastamento de sigilos, sendo três de sigilo bancário, três de sigilo fiscal e três de sigilo telemático. As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias de Cuiabá.  As diligências ocorreram em bairros considerados de alto padrão da capital mato-grossense, como Pico do Amor, Santa Rosa e Residencial Coxipó. Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos celulares, documentos e equipamentos eletrônicos que agora passarão por perícia para aprofundar as investigações. A Justiça também determinou medidas cautelares contra os investigados, incluindo comparecimento periódico em juízo, proibição de contato entre os envolvidos e monitoramento por tornozeleira eletrônica, instalada com apoio da Polícia Penal. O nome da operação faz referência ao termo jurídico associado ao crime de exploração de prestígio, popularmente conhecido como “venda de fumaça”, quando alguém promete influência sobre autoridades ou decisões judiciais sem possuir, de fato, qualquer poder real para interferir no resultado dos processos. A Ordem dos Advogados do Brasil acompanha o caso e informou que irá analisar a conduta dos profissionais investigados no âmbito disciplinar da entidade. As investigações continuam e a Polícia Civil não descarta o surgimento de novas vítimas ou até mesmo de outros envolvidos no suposto esquema que teria explorado a esperança de familiares de presos ao prometer decisões judiciais favoráveis dentro do sistema de Justiça em Mato Grosso.