“Operação mirou só o gabinete de Chico 2000; vereador segue afastado, recebendo salário e suplente só após 30 dias” diz procurador da Câmara de Cuiabá,VEJA O VÍDEO

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JB News Da Redação A deflagração da Operação Gorjeta, na manhã desta terça-feira, provocou forte repercussão política em Cuiabá após o afastamento do vereador Chico 2000 (PL) de suas funções parlamentares. A ação foi conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), e tem como objetivo desarticular um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo emendas parlamentares destinadas à Câmara Municipal e à Secretaria Municipal de Esportes. Logo nas primeiras horas do dia, equipes policiais estiveram na Câmara Municipal de Cuiabá, onde áreas chegaram a ser temporariamente lacradas para preservação de provas durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Ao todo, a operação cumpriu dezenas de ordens judiciais, incluindo buscas, quebras de sigilo, bloqueio de valores e sequestro de bens, além de medidas cautelares diversas contra os investigados. Segundo as investigações, o esquema apurado envolve o direcionamento de emendas parlamentares para entidades e empresas, que, posteriormente, teriam devolvido parte dos valores de forma ilícita aos envolvidos. Entre os alvos da investigação estão dirigentes de entidades, empresários, servidores comissionados e o parlamentar afastado. Um dos focos da apuração recai sobre o Instituto Brasil Central (Ibrace), que recebeu milhões de reais em emendas parlamentares, sendo cerca de R$ 1 milhão indicados por Chico 2000 para a realização de eventos esportivos em Cuiabá. No total, os valores sob suspeita ultrapassam a casa dos milhões de reais, conforme apontam as apurações preliminares. A Justiça determinou ainda o bloqueio de aproximadamente R$ 676 mil em contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas, além do sequestro de veículos, imóveis, embarcação, motocicleta e outros bens, como forma de garantir eventual ressarcimento ao erário. A Polícia Civil apura crimes como peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Em meio à repercussão da operação, o procurador-geral da Câmara Municipal de Cuiabá, Eustáquio Inácio Noronha Neto, se pronunciou para esclarecer o posicionamento institucional da Casa. Segundo ele, a Câmara Municipal não foi alvo direto da Operação Gorjeta, destacando que o cumprimento de mandado ocorreu apenas no gabinete do vereador Chico 2000, além de atingir dois servidores comissionados ligados ao parlamentar investigado. Eustáquio Inácio Noronha Neto enfatizou que a Câmara foi, no máximo, um alvo indireto, por ter franqueado o acesso às dependências onde a Justiça determinou o cumprimento das diligências. Ele afirmou que a Casa de Leis cumpriu integralmente todas as ordens judiciais, colaborando com as autoridades desde o primeiro momento, fornecendo documentos, informações e permanecendo à disposição da Polícia Civil e do Judiciário para o esclarecimento dos fatos. Sobre o afastamento do vereador, o procurador-geral confirmou que Chico 2000 permanecerá afastado do cargo pelo período inicial de 30 dias, conforme decisão judicial. Durante esse período, o parlamentar continuará recebendo sua remuneração normalmente, uma vez que, segundo o procurador, a Procuradoria da Câmara adotará o mesmo entendimento aplicado em decisões anteriores da própria Justiça de Mato Grosso em casos semelhantes. Eustáquio explicou ainda que somente após o prazo de 30 dias a presidência da Câmara estará autorizada a convocar o suplente para assumir o mandato, caso a Justiça determine a prorrogação do afastamento do vereador. Até que haja nova decisão judicial, o cargo permanece formalmente vinculado ao mandato de Chico 2000. A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento e que novas fases da Operação Gorjeta não estão descartadas. A Câmara Municipal de Cuiabá, por meio de seu procurador-geral, reiterou que continuará colaborando com as autoridades e reforçou que a instituição não figura como investigada no esquema, limitando-se a cumprir as determinações judiciais e a preservar a transparência institucional. Veja: [playlist type="video" ids="374058"]