JB News
por Nayara Cristina
As articulações para as eleições de 2026 em Mato Grosso começam a ganhar força nos bastidores da política estadual e já revelam um cenário de disputa que deve ser influenciado tanto por movimentos locais quanto por alinhamentos nacionais entre partidos do campo conservador. Entre os nomes apontados como potenciais candidatos ao governo do estado aparecem o senador Jaime Campos, o senador Wellington Fagundes, a empresária de Várzea Grande Natasha Slhessarenko e o atual vice-governador Otaviano Pivetta, nome ligado ao grupo político liderado pelo governador Mauro Mendes.
O debate sobre possíveis alianças entre partidos ganhou novo capítulo após conversas no cenário nacional envolvendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o senador Flávio Bolsonaro, que sinalizam uma aproximação entre PL e Republicanos em vários estados do país. A movimentação é vista como tentativa de consolidar um bloco político alinhado à direita para as eleições de 2026.
Em Cuiabá, o prefeito Abílio Brunini comentou esse cenário neste sábado durante agenda realizada ao lado do vice-governador Otaviano Pivetta no bairro Pedra 90, uma das regiões mais populosas da capital. Os dois participaram de uma visita técnica e de reuniões voltadas à criação de políticas públicas para a região, incluindo estudos para instalação de uma unidade do Ganha Tempo e a utilização de um prédio antigo para abrigar serviços da Polícia Civil e outros atendimentos públicos voltados à população.
A presença conjunta dos dois gestores chamou atenção nos bastidores políticos por ocorrer em meio às discussões sobre a sucessão estadual de 2026. Abílio é prefeito da maior cidade de Mato Grosso e exerce forte influência no cenário político estadual, fator que faz com que seu posicionamento sobre o futuro da disputa pelo governo seja observado com atenção por diferentes grupos partidários.
Questionado sobre a possibilidade de uma união política entre PL e Republicanos em Mato Grosso, o prefeito descartou qualquer narrativa de conflito entre as duas siglas e afirmou que o alinhamento ideológico entre os grupos sempre existiu.
“Não se trata de uma possível paz, nunca teve guerra. O Tarcísio sempre esteve junto com a gente dentro desse projeto. O PL junto com o Flávio Bolsonaro está num projeto de unificação daqueles que concordam com a mudança necessária que o nosso país precisa”, afirmou.
Na avaliação de Abílio, o peso político do senador Flávio Bolsonaro deverá ser disputado por praticamente todos os candidatos que entrarão na corrida pelo Palácio Paiaguás. Segundo ele, o eleitorado mato-grossense tem um perfil majoritariamente conservador, o que deve levar diferentes grupos políticos a buscar associação com esse campo ideológico.
“Aqui no estado de Mato Grosso nós teremos a maioria dos candidatos pedindo voto ao Flávio Bolsonaro quando começar a campanha. Eu acredito que o próprio Pivetta pedirá voto ao Flávio Bolsonaro, assim como outros candidatos também. Se eu não me engano, até gente da oposição vai querer pedir voto para o Flávio, porque está difícil pedir voto para o Lula aqui no estado”, declarou.
O prefeito também avaliou que o cenário político regional é bastante diferente de outras partes do país justamente pela predominância da direita no eleitorado local.
“O estado de Mato Grosso é diferente. Aqui a esquerda não tem chance. É difícil alguém querer falar que vai pedir voto para o Lula e se lançar candidato ao governo”, completou.
Apesar de ter dividido agenda pública com Otaviano Pivetta e demonstrar proximidade política, Abílio Brunini não confirmou oficialmente apoio ao vice-governador para a disputa estadual. Ainda assim, nos bastidores, analistas políticos apontam que a relação institucional entre o prefeito da capital e o vice-governador pode se transformar em um fator relevante nas articulações para 2026, especialmente se houver uma convergência nacional entre PL e Republicanos.
Com vários nomes já colocados no debate e com as alianças ainda em construção, o cenário eleitoral de Mato Grosso caminha para uma disputa marcada por rearranjos partidários, influência do contexto político nacional e pelo peso político de lideranças que governam os principais centros do estado, como é o caso da capital Cuiabá.
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