JB News
por Nayara Cristina
A polêmica envolvendo o deputado estadual Valmir Moretto (Republicanos), após a divulgação de áudios em que ele comemora a vitória de empresas ligadas à sua família em uma licitação de cerca de R$ 200 milhões para obras no interior de Mato Grosso, ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira com a manifestação firme do secretário de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira.
Em meio à repercussão negativa e questionamentos levantados por setores da oposição sobre possível conflito de interesses, o secretário foi enfático ao negar qualquer tipo de interferência política nos processos licitatórios conduzidos pela pasta. Segundo ele, o modelo adotado pela Secretaria de Infraestrutura (Sinfra) impede qualquer ingerência externa e garante total transparência.
“Olha, posso só falar uma coisa pra você: a Sinfra é totalmente republicana. Qualquer licitação da Sinfra não tem interferência de ninguém, não tem dedo de ninguém. Não admito nem pensar uma coisa dessa. Eu não participo de processo licitatório”, afirmou Marcelo de Oliveira, ao ser questionado pela imprensa durante evento oficial.
O secretário ainda detalhou o funcionamento do sistema de contratação pública, destacando que todas as licitações são realizadas de forma virtual, o que reduz ainda mais a possibilidade de interferência humana direta.
“O processo licitatório da Sinfra não é presencial. Ele é feito de acordo com o sistema do Ministério do Planejamento. São todas licitações virtuais. As pessoas entram, disputam, tem briga, tem leilão. Ninguém coloca o bedelho para favorecer quem quer que seja”, reforçou.
A declaração ocorre um dia após o governador Mauro Mendes também vir a público para defender a lisura dos processos conduzidos pelo governo estadual, afirmando que não há irregularidades nas licitações e que todos os procedimentos seguem critérios técnicos e legais.
O caso ganhou repercussão após vir à tona um áudio atribuído a Moretto, no qual o parlamentar celebra o resultado da licitação como se fosse diretamente beneficiado, apesar de já ter declarado anteriormente que não integra mais o quadro societário da empresa, atualmente vinculada a familiares. Em outro trecho, ele chega a afirmar que a empresa seria “dele”, embora esteja em nome do irmão — o que ampliou as dúvidas e levantou suspeitas entre adversários políticos.
Mesmo diante da pressão e do desgaste político, o governo tenta conter o impacto do episódio reforçando o discurso de transparência e controle institucional. De acordo com Marcelo de Oliveira, além do modelo eletrônico, os processos também são acompanhados por órgãos federais, o que assegura fiscalização contínua.
A controvérsia, no entanto, segue repercutindo nos bastidores da política mato-grossense e pode gerar novos desdobramentos, principalmente no campo político, onde a oposição já sinaliza que deve aprofundar questionamentos sobre o caso nos próximos dias.
Veja:
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