“Não saio do União Brasil, isso é mais uma conversa fiada”, diz Mauro Mendes; ao afirmar que decide até 4 de abril se disputa ou não o Senado e garante: “não tenho pressa”
JB News
por Nayara Cristina
O cenário político de Mato Grosso começa a ganhar contornos cada vez mais definidos rumo às eleições de 2026, especialmente diante da disputa interna no União Brasil que envolve o governador Mauro Mendes e o senador Jaime Campos. Em meio às especulações sobre uma possível saída da sigla para viabilizar projetos distintos dentro do partido, Mauro Mendes reagiu de forma direta e contundente, classificando os rumores como “conversa fiada da política” e afastando, ao menos por ora, qualquer possibilidade de ruptura partidária.
Durante entrevista concedida nesta quarta-feira, o governador tratou com cautela a decisão sobre uma eventual renúncia ao cargo para disputar uma vaga ao Senado Federal, destacando que ainda está dentro do prazo legal e que a definição será tomada com base em uma análise ampla, que envolve aspectos pessoais, familiares e políticos. Segundo ele, o processo exige responsabilidade e reflexão, não sendo uma escolha simples ou imediata.
Mauro Mendes afirmou que tem até o prazo limite para decidir se permanece à frente do governo ou se deixa o cargo para entrar na disputa eleitoral. Ele ressaltou que vem dialogando com aliados, prefeitos e lideranças políticas, além de ouvir sua família, incluindo a esposa Virgínia e seus filhos, como parte fundamental desse processo de decisão. “Não é uma decisão fácil, ela passa por diversos planos”, pontuou, reforçando que cada conversa contribui com novos elementos para a definição final.
Apesar da pressão de bastidores e de aliados que defendem uma antecipação da decisão, o governador deixou claro que não pretende agir por impulso. Ele afirmou estar tranquilo e concentrado em outras decisões administrativas consideradas prioritárias neste momento, indicando que o anúncio sobre seu futuro político ocorrerá no tempo adequado, dentro das regras estabelecidas pela legislação eleitoral.
A fala de Mauro Mendes também ocorre em meio ao impasse dentro do União Brasil sobre a sucessão estadual. Enquanto o senador Jaime Campos se coloca como pré-candidato ao governo, o atual governador já sinalizou que pretende apoiar o vice-governador Otaviano Pivetta como seu sucessor no Palácio Paiaguás. A divergência expõe um racha interno na sigla e levanta a possibilidade de rearranjos partidários, inclusive com a saída de um dos principais nomes do grupo.
Nos bastidores, o deputado Júlio Campos chegou a afirmar que a legislação partidária impediria Mauro Mendes de apoiar um candidato diferente daquele definido pela legenda, sugerindo que uma eventual manutenção do apoio a Pivetta poderia forçar uma mudança de partido. No entanto, a resposta do governador foi direta ao descartar essa hipótese, reforçando sua permanência no União Brasil e classificando esse tipo de especulação como parte do jogo político.
Com o tabuleiro ainda em aberto, Mato Grosso caminha para uma das disputas mais acirradas dos últimos anos, tanto para o governo estadual quanto para o Senado. A decisão de Mauro Mendes será peça-chave nesse xadrez político, podendo redefinir alianças, candidaturas e o equilíbrio de forças dentro do estado. Até lá, o governador mantém o discurso de cautela, serenidade e, sobretudo, firmeza diante das pressões e especulações que marcam o início da corrida eleitoral de 2026.
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