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Por Nayara Cristina
O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi, demonstrou preocupação com o cenário político e jurídico que começa a se desenhar para a sucessão presidencial de 2026, especialmente após a repercussão de uma pesquisa eleitoral nacional que teria utilizado conteúdos em áudio atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro como parte do processo de avaliação junto aos entrevistados.
Ao comentar o tema, Max Russi evitou atacar diretamente o instituto responsável pelo levantamento, mas afirmou que o episódio abre uma discussão delicada sobre os limites metodológicos das pesquisas eleitorais e sobre os impactos que conteúdos disseminados durante campanhas podem causar na formação da opinião pública.
Segundo o parlamentar, a eleição presidencial de 2026 tende a ser uma das mais complexas da história recente do país por causa do avanço das redes sociais, da velocidade das informações e da dificuldade de separar fatos reais de conteúdos manipulados ou descontextualizados.
“É preocupante e acho que a Justiça Eleitoral vai ter muito trabalho nessa eleição”, afirmou Russi ao comentar o assunto.
A declaração ocorre em meio à repercussão de levantamentos qualitativos e quantitativos que passaram a medir reações do eleitorado diante de informações negativas envolvendo possíveis candidatos à Presidência da República. Em alguns casos, institutos têm utilizado cenários hipotéticos, reproduções de falas públicas, conteúdos digitais e até simulações de ataques eleitorais para avaliar o impacto emocional e político dessas informações sobre o eleitor.
Durante a entrevista, Max Russi explicou que esse tipo de metodologia não é totalmente novo dentro do universo das pesquisas qualitativas, mas ponderou que a forma como isso é aplicado pode gerar questionamentos jurídicos e políticos importantes.
O deputado relatou que não teve acesso integral ao conteúdo da pesquisa citada e nem ao suposto áudio mencionado, mas avaliou que o instituto pode ter utilizado uma técnica comum em levantamentos qualitativos: apresentar ao entrevistado determinada informação sobre um candidato e, posteriormente, medir se aquilo alteraria sua intenção de voto.
Segundo Russi, esse tipo de questionamento costuma ser utilizado justamente para prever o impacto de futuras campanhas negativas.
Na avaliação dele, o processo eleitoral moderno passou a funcionar em torno da desconstrução de imagem pública e da disputa permanente de narrativas. Para o presidente da Assembleia, campanhas eleitorais acabam expondo não apenas propostas, mas também episódios do passado dos candidatos, denúncias, processos, falas antigas e conteúdos que podem influenciar emocionalmente o eleitorado.
“Na campanha aparece tudo”, disse o parlamentar ao defender que pesquisas também tentam medir exatamente como a população reage quando toma conhecimento de fatos negativos envolvendo figuras públicas.
Ele observou ainda que muitos eleitores mudam de posição ao longo da disputa justamente após serem expostos a informações que desconheciam anteriormente. Segundo Russi, isso explica porque institutos buscam medir o impacto dessas revelações antes mesmo do início oficial da campanha.
A preocupação central do deputado, no entanto, está na linha tênue entre informação legítima e manipulação eleitoral. Para ele, o ambiente digital transformou completamente o processo democrático e exigirá atuação rígida da Justiça Eleitoral.
Max Russi afirmou confiar no trabalho do Tribunal Superior Eleitoral e disse acreditar que o órgão precisará endurecer o combate aos abusos durante o período eleitoral. Segundo ele, haverá enorme pressão sobre ministros e corregedores diante da avalanche de conteúdos que circularão nas redes sociais.
O parlamentar ressaltou que fake news, vídeos editados, cortes descontextualizados, montagens e conteúdos impulsionados artificialmente podem interferir diretamente na vontade popular, comprometendo o equilíbrio democrático.
Na visão dele, o desafio do TSE não será apenas punir excessos, mas também estabelecer critérios claros sobre o que pode ou não ser utilizado em pesquisas eleitorais, principalmente quando houver reprodução de áudios, vídeos ou conteúdos sensíveis envolvendo candidatos.
A discussão ganhou força porque especialistas em direito eleitoral já alertam para possíveis judicializações envolvendo institutos de pesquisa durante a corrida presidencial. Um dos pontos debatidos é justamente se a apresentação prévia de conteúdos negativos ao entrevistado pode influenciar artificialmente respostas e distorcer a percepção espontânea do eleitor.
Além disso, cresce nos bastidores políticos a avaliação de que 2026 poderá registrar a eleição mais digitalizada da história brasileira, com campanhas altamente segmentadas, uso massivo de inteligência artificial, impulsionamento de conteúdo e disseminação instantânea de narrativas políticas.
Nos bastidores de Brasília, lideranças partidárias já demonstram preocupação com a velocidade da circulação de conteúdos políticos e com o risco de operações de desinformação em larga escala. O próprio TSE vem ampliando debates sobre regulação de plataformas, combate a fake news e mecanismos de fiscalização eleitoral.
Para Max Russi, o cenário exige vigilância constante das instituições para garantir que a decisão final do eleitor aconteça de forma livre e sem manipulação indevida.
Ao comentar o impacto dessas estratégias eleitorais, o presidente da Assembleia foi direto ao afirmar que candidatos com problemas ou fragilidades políticas precisarão enfrentar uma campanha extremamente agressiva.
“Quem tem problema, não disputa eleição, porque vai aparecer esse problema”, declarou.
A fala sintetiza o clima que já começa a tomar conta do ambiente político nacional, onde a sucessão presidencial de 2026 promete ser marcada não apenas pela disputa de projetos de poder, mas principalmente pela guerra de informação, pela construção de imagem pública e pelo embate permanente nas redes sociais.
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