JB News
por Nayara Cristina
Com Jair Bolsonaro como grande líder da direita, Mato Grosso pode repetir história recente e ter múltiplos palanques em 2026
A corrida eleitoral para 2026 ainda está distante no calendário oficial, mas o debate sobre a formação de palanques políticos já começa a ganhar força em Mato Grosso. Durante a entrega do Residencial Vilagio, no bairro Pedra 90, em Cuiabá, na manhã desta quarta-feira (11), o governador Mauro Mendes afirmou que não vê qualquer dificuldade na possibilidade de o estado ter múltiplos palanques na disputa presidencial e na sucessão estadual.
O tema surge em meio às articulações nacionais da direita brasileira, que avalia lançar dois ou até três nomes competitivos à Presidência da República em 2026, estratégia vista por alguns grupos como forma de ampliar a presença no primeiro turno e garantir uma disputa em segundo turno contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é apontado como provável candidato à reeleição.
Segundo Mendes, a existência de diferentes palanques não é novidade na política brasileira. Para o governador, a história recente das eleições no país e em Mato Grosso demonstra que alianças variadas e múltiplas candidaturas convivem dentro do mesmo campo ideológico sem que isso represente necessariamente uma ruptura política.
“O Mato Grosso é um estado que tem uma característica muito forte de alinhamento com pautas da direita. O meu palanque sempre teve essa preferência”, afirmou o governador ao comentar o cenário eleitoral que começa a se desenhar para 2026.
Mesmo ressaltando que ainda é cedo para qualquer definição formal, Mendes reconheceu que o ambiente político pode resultar em diferentes composições no estado, especialmente diante do número de lideranças que já se movimentam com vistas à sucessão estadual.
Entre os nomes que aparecem no radar estão o atual vice-governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, considerado o nome mais próximo do grupo governista para disputar o Palácio Paiaguás, além do senador Wellington Fagundes, do PL, que também mantém forte base eleitoral no estado e é frequentemente citado como possível candidato ao governo.
Outro nome que se posiciona no debate é o senador Jayme Campos, que já manifestou publicamente interesse em disputar novamente o comando do Executivo estadual. Assim como os demais, ele também se identifica com o campo político da direita, o que reforça a possibilidade de uma disputa com mais de um candidato dentro do mesmo espectro ideológico.
Diante desse cenário, Mato Grosso pode acabar reproduzindo em nível regional uma configuração semelhante à que se projeta no plano nacional, com diferentes lideranças da direita estruturando palanques distintos, mas dialogando com candidaturas presidenciais que compartilham bases eleitorais semelhantes.
Mendes também comentou sobre a possibilidade de surgirem candidaturas de última hora, movimento comum em períodos pré-eleitorais. Embora reconheça que a política permite esse tipo de articulação, o governador demonstrou cautela em relação a projetos que surgem sem planejamento ou base política consolidada.
Para ele, a construção de uma candidatura competitiva exige tempo, articulação e consistência política, fatores que, segundo o governador, costumam diferenciar projetos sólidos de iniciativas oportunistas que aparecem apenas durante o período eleitoral.
Com o calendário eleitoral de 2026 ainda distante, lideranças políticas seguem adotando discursos cautelosos, mas o debate sobre alianças, palanques e estratégias eleitorais já começa a movimentar os bastidores da política mato-grossense. Em um estado historicamente alinhado ao campo conservador e com forte influência política do ex-presidente Jair Bolsonaro, a possibilidade de múltiplos palanques pode transformar a disputa em um cenário competitivo dentro da própria direita, redefinindo as articulações que vão marcar a sucessão estadual e o apoio regional à corrida presidencial.
Veja :
https://youtube.com/shorts/83_qqj07WE4?si=wzfZ2V0V_9sa3S-a