Por Júnia Azevedo
Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, evento no Rio de Janeiro reúne filmes das cinco regiões do Brasil e de outros países.
Programação vai de 15 a 24 de outubro, incluindo quatro documentários do Mato Grosso, sendo três dirigidos por mulheres. As produções regionais abordam temáticas indígenas e ditadura militar.
De 15 a 24 de outubro, o Rio de Janeiro recebe a 6ª Mostra do Filme Marginal, que, nessa edição, propõe um olhar sobre as urgências e os desafios ambientais por meio do cinema. Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, a mostra reúne 123 filmes nacionais e internacionais, com exibições gratuitas em diferentes pontos da cidade. Entre longas, médias e curtas-metragens, o público terá acesso a produções independentes dos mais variados gêneros e linguagens: ficção, documentário, cinema experimental, ficção científica, animação, realismo fantástico e terror.
Há produções de todas as regiões do país, com destaque para os estados do Rio de Janeiro, que entra com 20 filmes; São Paulo, com 18; Rio Grande do Norte, com 10; Bahia e Pernambuco, com oito cada. O Mato Grosso apresenta-se com quatro documentários, sendo três dirigidos por mulheres, incluindo temáticas indígenas e ditadura militar.
As obras selecionadas trazem reflexões sobre a crise climática e seus impactos sociais, culturais e políticos. Temas como aquecimento global, racismo ambiental, direito à terra, moradia, direitos indígenas, feminismo e diversidade sexual compõem a programação, colocando em diálogo diferentes territórios, experiências e formas de imaginar o futuro. Toda a programação é gratuita.
De quatro filmes do MT, três são dirigidos por mulheres, inclusive indígenas
Produzido em Sapezal, THUTALINÃNSU é dirigido por Helena Corezoma, da Rede Katahirine, primeira rede de cineastas indígenas do Brasil. A Associação Thutalinãnsu é uma organização da terra indígena Tirecatinga, composta por 60 mulheres dos povos Terena, Paresi, Manoki e Nambikwara. Fundada em 2018, a associação nasceu com a missão de defender os direitos e o protagonismo das mulheres, mas rapidamente expandiu seu trabalho para lutar pelo bem-estar e o fortalecimento cultural de toda a comunidade, que hoje soma cerca de 260 pessoas. Em um território multiétnico e de transição entre Cerrado e Amazônia — constantemente ameaçado —, a Thutalinãnsu se tornou uma instituição de referência, gerindo projetos que buscam a soberania alimentar, a geração de renda e a proteção contra as ameaças. Com 20 minutos de duração, o filme é um mergulho na força e sabedoria dessas mulheres que lideram a luta pela preservação da cultura, da terra e dos direitos de seus povos. Através de depoimentos e imagens do Cerrado, o documentário registra a coragem com que elas enfrentam desafios urgentes, como os impactos das mudanças climáticas, reafirmando o papel central da mulher indígena na defesa do território Tirecatinga.
Outro filme realizado por mulheres indígenas é MOPÁI PJUTA ÃKAKJE'Y – A ROÇA E OS ALIMENTOS MYKY. O documentário apresenta o conhecimento ancestral único de cultivo de sementes nativas e da roça comunitária do povo Myky. As mulheres indígenas agricultoras transmitem esse saber de geração em geração, garantindo a soberania alimentar da aldeia. A produção de 18 minutos é resultado de uma oficina de formação em documentário para mulheres indígenas realizada pela Cadju Filmes junto com o Coletivo Mulheres Cineastas Myky, na Aldeia Japuíra, Terra Indígena Menkü, com apoio de edital da Secretaria de Cultura do Estado do Mato Grosso. A direção é coletiva, de Kamtinuwy Myky, Kojayru Myky, Mãnynu Myky, Njãkyru Myky, Njãwayru Myky, Takarauku Myky e Tipuu Myky.
Produzido em Bom Jesus do Araguaia e Cuiabá,CAPIM acompanha a recuperação territorial indígena. Expulsos por aviões nos anos 60, os Xavante de Marãiwatsédé retomam seu território para encontrar, no lugar da mata fechada, o pasto. Onde antes havia mata sagrada, hoje resta o "capim" da invasão. O documentário investiga o dilema de uma comunidade que, para não morrer de fome, se vê forçada a criar o gado dos seus antigos inimigos, equilibrando a preservação da alma indígena com as leis brutais da sobrevivência econômica. O documentário tem 17 min e é dirigido por Julia Munhoz e Caio Pimenta, com apoio da Lei Paulo Gustavo.
60 ANOS DEPOIS é um documentário cuiabano de Flávio Ferreira, que revela as profundas cicatrizes deixadas pela ditadura nos anos 60 no Brasil, através dos relatos pungentes de seus próprios sobreviventes no estado do Mato Grosso. Com 20 min. de duração, o filme, inédito na abordagem do regime militar na região, é fruto de dois anos de pesquisa, com apoio dos historiadores Cátia Cristina de Almeida Silva, Francisco das Chagas Rocha, Márcio Borges de Campos e Rafael Adão.
Destaques do ano
A abertura da 6ª Mostra do Filme Marginal será marcada pela estreia no Brasil do longa-metragem “Retorno a Fukushima” (Retour à Fukushima/Return to Fukushima), no Cinema Nosso, na Lapa. Dirigido pelo belga Thomas Licata, o documentário aborda a vida na cidade de Namie, na província de Fukushima, no Japão, mais de dez anos após o desastre nuclear de 2011.
Segundo Uilton Oliveira, idealizador da mostra, além da quantidade de filmes indígenas, especialmente dirigidos por mulheres, como ‘A Floresta das Mulheres-Peixe’, chamam a atenção nomes fortes na lista de diretores, como o de Leonardo Martinelli, carioca do Andaraí, que apresenta o curta “Samba Infinito”, que teve sua estreia em Cannes, no ano passado. Outro cineasta de destaque na programação é Alberto Sena, de São Gonçalo (RJ), que exibirá “Proteção”. De São Paulo, Thais Scabio e Gilberto Caetano participam com o longa de terror negro “Onde Estamos Seguros”, também exibido em Cannes.
Entre os filmes da programação que vem se destacando no circuito de festivais está “Capim Navalha”, documentário que retrata questões vividas por personagens trans na Chapada dos Veadeiros (DF), com direção do brasiliense Michel Queiroz. Nesse quesito entra também “Quanto Vale uma Década”, sobre os dez anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), dirigido pelo carioca Clementino Junior, fundador do Cineclube Atlântico Negro. “Os Arcos Dourados de Olinda”, do pernambucano Douglas Henrique, é outra produção bastante premiada em festivais no Brasil e no exterior. Muitas sessões incluem bate-papo com os realizadores, conforme a programação apresentada nas redes sociais da mostra, no site e Instagram.
Seis edições de cinema independente
A Mostra do Filme Marginal foi criada em 2017. Em sua primeira edição, 36 filmes foram inscritos e, neste ano, as inscrições chegaram a 356. A seleção dos filmes foi realizada pela curadoria formada por Leila Xavier, Milena Manfredini, Rosa Miranda, Rosy Nascimento e Uilton Oliveira.
“A mostra existe para promover a difusão do audiovisual independente, abrir caminhos, dar visibilidade e fortalecer narrativas que a sociedade muitas vezes tenta invisibilizar. É uma celebração da diversidade e da potência das vozes de nossas periferias”, afirma Uilton Oliveira, idealizador do evento.
“Entendemos o cinema como linguagem crítica capaz de dar visibilidade às populações que vivem na linha de frente dos impactos ambientais”, afirma a curadora Leila Xavier.
A 6ª Mostra do Filme Marginal é uma realização da Corpo Fechado, com apoio do Pró-Carioca Audiovisual 2026, Edital nº 2 – Apoio à Produção de Mostras e Festivais de Audiovisual, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), RioFilme.
SOBRE A MOSTRA
Desde que foi criada em 2017, a Mostra do Filme Marginal é uma iniciativa de difusão, reflexão, estímulo, autoformação e organização do público para um cinema popular, autoral e crítico. Por meio de parcerias com movimentos sociais e instituições culturais, tornou-se um importante espaço de divulgação de produções que trazem personagens e temáticas sociais, políticas e culturais diversificadas e marginalizadas pelo sistema sociopolítico vigente, com uma leitura crítica fora dos meios comerciais.
SERVIÇO
6a Mostra do Filme Marginal
Tema: Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível
Data: de 15 a 24 de outubro de 2026
Local: cidade do Rio de Janeiro (diversos locais, conforme programação)
Entrada franca
Programação: https://mostradofilmemarginal.com/programacao-2025/
Site: https://mostradofilmemarginal.com/
Mato Grosso entra na Mostra do Filme Marginal com filmes de mulheres
Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, evento no Rio de Janeiro reúne filmes das cinco regiões do Brasil e de outros países.
Programação vai de 15 a 24 de outubro, incluindo quatro documentários do Mato Grosso, sendo três dirigidos por mulheres. As produções regionais abordam temáticas indígenas e ditadura militar.
De 15 a 24 de outubro, o Rio de Janeiro recebe a 6ª Mostra do Filme Marginal, que, nessa edição, propõe um olhar sobre as urgências e os desafios ambientais por meio do cinema. Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, a mostra reúne 123 filmes nacionais e internacionais, com exibições gratuitas em diferentes pontos da cidade. Entre longas, médias e curtas-metragens, o público terá acesso a produções independentes dos mais variados gêneros e linguagens: ficção, documentário, cinema experimental, ficção científica, animação, realismo fantástico e terror.
Há produções de todas as regiões do país, com destaque para os estados do Rio de Janeiro, que entra com 20 filmes; São Paulo, com 18; Rio Grande do Norte, com 10; Bahia e Pernambuco, com oito cada. O Mato Grosso apresenta-se com quatro documentários, sendo três dirigidos por mulheres, incluindo temáticas indígenas e ditadura militar.
As obras selecionadas trazem reflexões sobre a crise climática e seus impactos sociais, culturais e políticos. Temas como aquecimento global, racismo ambiental, direito à terra, moradia, direitos indígenas, feminismo e diversidade sexual compõem a programação, colocando em diálogo diferentes territórios, experiências e formas de imaginar o futuro. Toda a programação é gratuita.
De quatro filmes do MT, três são dirigidos por mulheres, inclusive indígenas
Produzido em Sapezal, THUTALINÃNSU é dirigido por Helena Corezoma, da Rede Katahirine, primeira rede de cineastas indígenas do Brasil. A Associação Thutalinãnsu é uma organização da terra indígena Tirecatinga, composta por 60 mulheres dos povos Terena, Paresi, Manoki e Nambikwara. Fundada em 2018, a associação nasceu com a missão de defender os direitos e o protagonismo das mulheres, mas rapidamente expandiu seu trabalho para lutar pelo bem-estar e o fortalecimento cultural de toda a comunidade, que hoje soma cerca de 260 pessoas. Em um território multiétnico e de transição entre Cerrado e Amazônia — constantemente ameaçado —, a Thutalinãnsu se tornou uma instituição de referência, gerindo projetos que buscam a soberania alimentar, a geração de renda e a proteção contra as ameaças. Com 20 minutos de duração, o filme é um mergulho na força e sabedoria dessas mulheres que lideram a luta pela preservação da cultura, da terra e dos direitos de seus povos. Através de depoimentos e imagens do Cerrado, o documentário registra a coragem com que elas enfrentam desafios urgentes, como os impactos das mudanças climáticas, reafirmando o papel central da mulher indígena na defesa do território Tirecatinga.
Outro filme realizado por mulheres indígenas é MOPÁI PJUTA ÃKAKJE'Y – A ROÇA E OS ALIMENTOS MYKY. O documentário apresenta o conhecimento ancestral único de cultivo de sementes nativas e da roça comunitária do povo Myky. As mulheres indígenas agricultoras transmitem esse saber de geração em geração, garantindo a soberania alimentar da aldeia. A produção de 18 minutos é resultado de uma oficina de formação em documentário para mulheres indígenas realizada pela Cadju Filmes junto com o Coletivo Mulheres Cineastas Myky, na Aldeia Japuíra, Terra Indígena Menkü, com apoio de edital da Secretaria de Cultura do Estado do Mato Grosso. A direção é coletiva, de Kamtinuwy Myky, Kojayru Myky, Mãnynu Myky, Njãkyru Myky, Njãwayru Myky, Takarauku Myky e Tipuu Myky.
Produzido em Bom Jesus do Araguaia e Cuiabá,CAPIM acompanha a recuperação territorial indígena. Expulsos por aviões nos anos 60, os Xavante de Marãiwatsédé retomam seu território para encontrar, no lugar da mata fechada, o pasto. Onde antes havia mata sagrada, hoje resta o "capim" da invasão. O documentário investiga o dilema de uma comunidade que, para não morrer de fome, se vê forçada a criar o gado dos seus antigos inimigos, equilibrando a preservação da alma indígena com as leis brutais da sobrevivência econômica. O documentário tem 17 min e é dirigido por Julia Munhoz e Caio Pimenta, com apoio da Lei Paulo Gustavo.
60 ANOS DEPOIS é um documentário cuiabano de Flávio Ferreira, que revela as profundas cicatrizes deixadas pela ditadura nos anos 60 no Brasil, através dos relatos pungentes de seus próprios sobreviventes no estado do Mato Grosso. Com 20 min. de duração, o filme, inédito na abordagem do regime militar na região, é fruto de dois anos de pesquisa, com apoio dos historiadores Cátia Cristina de Almeida Silva, Francisco das Chagas Rocha, Márcio Borges de Campos e Rafael Adão.
Destaques do ano
A abertura da 6ª Mostra do Filme Marginal será marcada pela estreia no Brasil do longa-metragem “Retorno a Fukushima” (Retour à Fukushima/Return to Fukushima), no Cinema Nosso, na Lapa. Dirigido pelo belga Thomas Licata, o documentário aborda a vida na cidade de Namie, na província de Fukushima, no Japão, mais de dez anos após o desastre nuclear de 2011.
Segundo Uilton Oliveira, idealizador da mostra, além da quantidade de filmes indígenas, especialmente dirigidos por mulheres, como ‘A Floresta das Mulheres-Peixe’, chamam a atenção nomes fortes na lista de diretores, como o de Leonardo Martinelli, carioca do Andaraí, que apresenta o curta “Samba Infinito”, que teve sua estreia em Cannes, no ano passado. Outro cineasta de destaque na programação é Alberto Sena, de São Gonçalo (RJ), que exibirá “Proteção”. De São Paulo, Thais Scabio e Gilberto Caetano participam com o longa de terror negro “Onde Estamos Seguros”, também exibido em Cannes.
Entre os filmes da programação que vem se destacando no circuito de festivais está “Capim Navalha”, documentário que retrata questões vividas por personagens trans na Chapada dos Veadeiros (DF), com direção do brasiliense Michel Queiroz. Nesse quesito entra também “Quanto Vale uma Década”, sobre os dez anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), dirigido pelo carioca Clementino Junior, fundador do Cineclube Atlântico Negro. “Os Arcos Dourados de Olinda”, do pernambucano Douglas Henrique, é outra produção bastante premiada em festivais no Brasil e no exterior. Muitas sessões incluem bate-papo com os realizadores, conforme a programação apresentada nas redes sociais da mostra, no site e Instagram.
Seis edições de cinema independente
A Mostra do Filme Marginal foi criada em 2017. Em sua primeira edição, 36 filmes foram inscritos e, neste ano, as inscrições chegaram a 356. A seleção dos filmes foi realizada pela curadoria formada por Leila Xavier, Milena Manfredini, Rosa Miranda, Rosy Nascimento e Uilton Oliveira.
“A mostra existe para promover a difusão do audiovisual independente, abrir caminhos, dar visibilidade e fortalecer narrativas que a sociedade muitas vezes tenta invisibilizar. É uma celebração da diversidade e da potência das vozes de nossas periferias”, afirma Uilton Oliveira, idealizador do evento.
“Entendemos o cinema como linguagem crítica capaz de dar visibilidade às populações que vivem na linha de frente dos impactos ambientais”, afirma a curadora Leila Xavier.
A 6ª Mostra do Filme Marginal é uma realização da Corpo Fechado, com apoio do Pró-Carioca Audiovisual 2026, Edital nº 2 – Apoio à Produção de Mostras e Festivais de Audiovisual, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), RioFilme.
SOBRE A MOSTRA
Desde que foi criada em 2017, a Mostra do Filme Marginal é uma iniciativa de difusão, reflexão, estímulo, autoformação e organização do público para um cinema popular, autoral e crítico. Por meio de parcerias com movimentos sociais e instituições culturais, tornou-se um importante espaço de divulgação de produções que trazem personagens e temáticas sociais, políticas e culturais diversificadas e marginalizadas pelo sistema sociopolítico vigente, com uma leitura crítica fora dos meios comerciais.
SERVIÇO
6a Mostra do Filme Marginal
Tema: Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível
Data: de 15 a 24 de outubro de 2026
Local: cidade do Rio de Janeiro (diversos locais, conforme programação)
Entrada franca
Programação: https://mostradofilmemarginal.com/programacao-2025/
Site: https://mostradofilmemarginal.com/
JúniaMato Grosso entra na Mostra do Filme Marginal com filmes de mulheres
Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, evento no Rio de Janeiro reúne filmes das cinco regiões do Brasil e de outros países.
Programação vai de 15 a 24 de outubro, incluindo quatro documentários do Mato Grosso, sendo três dirigidos por mulheres. As produções regionais abordam temáticas indígenas e ditadura militar.
De 15 a 24 de outubro, o Rio de Janeiro recebe a 6ª Mostra do Filme Marginal, que, nessa edição, propõe um olhar sobre as urgências e os desafios ambientais por meio do cinema. Com o tema “Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível”, a mostra reúne 123 filmes nacionais e internacionais, com exibições gratuitas em diferentes pontos da cidade. Entre longas, médias e curtas-metragens, o público terá acesso a produções independentes dos mais variados gêneros e linguagens: ficção, documentário, cinema experimental, ficção científica, animação, realismo fantástico e terror.
Há produções de todas as regiões do país, com destaque para os estados do Rio de Janeiro, que entra com 20 filmes; São Paulo, com 18; Rio Grande do Norte, com 10; Bahia e Pernambuco, com oito cada. O Mato Grosso apresenta-se com quatro documentários, sendo três dirigidos por mulheres, incluindo temáticas indígenas e ditadura militar.
As obras selecionadas trazem reflexões sobre a crise climática e seus impactos sociais, culturais e políticos. Temas como aquecimento global, racismo ambiental, direito à terra, moradia, direitos indígenas, feminismo e diversidade sexual compõem a programação, colocando em diálogo diferentes territórios, experiências e formas de imaginar o futuro. Toda a programação é gratuita.
De quatro filmes do MT, três são dirigidos por mulheres, inclusive indígenas
Produzido em Sapezal, THUTALINÃNSU é dirigido por Helena Corezoma, da Rede Katahirine, primeira rede de cineastas indígenas do Brasil. A Associação Thutalinãnsu é uma organização da terra indígena Tirecatinga, composta por 60 mulheres dos povos Terena, Paresi, Manoki e Nambikwara. Fundada em 2018, a associação nasceu com a missão de defender os direitos e o protagonismo das mulheres, mas rapidamente expandiu seu trabalho para lutar pelo bem-estar e o fortalecimento cultural de toda a comunidade, que hoje soma cerca de 260 pessoas. Em um território multiétnico e de transição entre Cerrado e Amazônia — constantemente ameaçado —, a Thutalinãnsu se tornou uma instituição de referência, gerindo projetos que buscam a soberania alimentar, a geração de renda e a proteção contra as ameaças. Com 20 minutos de duração, o filme é um mergulho na força e sabedoria dessas mulheres que lideram a luta pela preservação da cultura, da terra e dos direitos de seus povos. Através de depoimentos e imagens do Cerrado, o documentário registra a coragem com que elas enfrentam desafios urgentes, como os impactos das mudanças climáticas, reafirmando o papel central da mulher indígena na defesa do território Tirecatinga.
Outro filme realizado por mulheres indígenas é MOPÁI PJUTA ÃKAKJE'Y – A ROÇA E OS ALIMENTOS MYKY. O documentário apresenta o conhecimento ancestral único de cultivo de sementes nativas e da roça comunitária do povo Myky. As mulheres indígenas agricultoras transmitem esse saber de geração em geração, garantindo a soberania alimentar da aldeia. A produção de 18 minutos é resultado de uma oficina de formação em documentário para mulheres indígenas realizada pela Cadju Filmes junto com o Coletivo Mulheres Cineastas Myky, na Aldeia Japuíra, Terra Indígena Menkü, com apoio de edital da Secretaria de Cultura do Estado do Mato Grosso. A direção é coletiva, de Kamtinuwy Myky, Kojayru Myky, Mãnynu Myky, Njãkyru Myky, Njãwayru Myky, Takarauku Myky e Tipuu Myky.
Produzido em Bom Jesus do Araguaia e Cuiabá,CAPIM acompanha a recuperação territorial indígena. Expulsos por aviões nos anos 60, os Xavante de Marãiwatsédé retomam seu território para encontrar, no lugar da mata fechada, o pasto. Onde antes havia mata sagrada, hoje resta o "capim" da invasão. O documentário investiga o dilema de uma comunidade que, para não morrer de fome, se vê forçada a criar o gado dos seus antigos inimigos, equilibrando a preservação da alma indígena com as leis brutais da sobrevivência econômica. O documentário tem 17 min e é dirigido por Julia Munhoz e Caio Pimenta, com apoio da Lei Paulo Gustavo.
60 ANOS DEPOIS é um documentário cuiabano de Flávio Ferreira, que revela as profundas cicatrizes deixadas pela ditadura nos anos 60 no Brasil, através dos relatos pungentes de seus próprios sobreviventes no estado do Mato Grosso. Com 20 min. de duração, o filme, inédito na abordagem do regime militar na região, é fruto de dois anos de pesquisa, com apoio dos historiadores Cátia Cristina de Almeida Silva, Francisco das Chagas Rocha, Márcio Borges de Campos e Rafael Adão.
Destaques do ano
A abertura da 6ª Mostra do Filme Marginal será marcada pela estreia no Brasil do longa-metragem “Retorno a Fukushima” (Retour à Fukushima/Return to Fukushima), no Cinema Nosso, na Lapa. Dirigido pelo belga Thomas Licata, o documentário aborda a vida na cidade de Namie, na província de Fukushima, no Japão, mais de dez anos após o desastre nuclear de 2011.
Segundo Uilton Oliveira, idealizador da mostra, além da quantidade de filmes indígenas, especialmente dirigidos por mulheres, como ‘A Floresta das Mulheres-Peixe’, chamam a atenção nomes fortes na lista de diretores, como o de Leonardo Martinelli, carioca do Andaraí, que apresenta o curta “Samba Infinito”, que teve sua estreia em Cannes, no ano passado. Outro cineasta de destaque na programação é Alberto Sena, de São Gonçalo (RJ), que exibirá “Proteção”. De São Paulo, Thais Scabio e Gilberto Caetano participam com o longa de terror negro “Onde Estamos Seguros”, também exibido em Cannes.
Entre os filmes da programação que vem se destacando no circuito de festivais está “Capim Navalha”, documentário que retrata questões vividas por personagens trans na Chapada dos Veadeiros (DF), com direção do brasiliense Michel Queiroz. Nesse quesito entra também “Quanto Vale uma Década”, sobre os dez anos do rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), dirigido pelo carioca Clementino Junior, fundador do Cineclube Atlântico Negro. “Os Arcos Dourados de Olinda”, do pernambucano Douglas Henrique, é outra produção bastante premiada em festivais no Brasil e no exterior. Muitas sessões incluem bate-papo com os realizadores, conforme a programação apresentada nas redes sociais da mostra, no site e Instagram.
Seis edições de cinema independente
A Mostra do Filme Marginal foi criada em 2017. Em sua primeira edição, 36 filmes foram inscritos e, neste ano, as inscrições chegaram a 356. A seleção dos filmes foi realizada pela curadoria formada por Leila Xavier, Milena Manfredini, Rosa Miranda, Rosy Nascimento e Uilton Oliveira.
“A mostra existe para promover a difusão do audiovisual independente, abrir caminhos, dar visibilidade e fortalecer narrativas que a sociedade muitas vezes tenta invisibilizar. É uma celebração da diversidade e da potência das vozes de nossas periferias”, afirma Uilton Oliveira, idealizador do evento.
“Entendemos o cinema como linguagem crítica capaz de dar visibilidade às populações que vivem na linha de frente dos impactos ambientais”, afirma a curadora Leila Xavier.
A 6ª Mostra do Filme Marginal é uma realização da Corpo Fechado, com apoio do Pró-Carioca Audiovisual 2026, Edital nº 2 – Apoio à Produção de Mostras e Festivais de Audiovisual, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), RioFilme.
SOBRE A MOSTRA
Desde que foi criada em 2017, a Mostra do Filme Marginal é uma iniciativa de difusão, reflexão, estímulo, autoformação e organização do público para um cinema popular, autoral e crítico. Por meio de parcerias com movimentos sociais e instituições culturais, tornou-se um importante espaço de divulgação de produções que trazem personagens e temáticas sociais, políticas e culturais diversificadas e marginalizadas pelo sistema sociopolítico vigente, com uma leitura crítica fora dos meios comerciais.
SERVIÇO
6a Mostra do Filme Marginal
Tema: Cinema e Emergência Ambiental: Imagens de um Futuro Possível
Data: de 15 a 24 de outubro de 2026
Local: cidade do Rio de Janeiro (diversos locais, conforme programação)
Entrada franca
Programação: https://mostradofilmemarginal.com/programacao-2025/
Site: https://mostradofilmemarginal.com/