Licitação do túnel no Portão do Inferno avança e proposta entra em análise

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JB News Por Nayara Cristina   A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra), informou que está em fase de análise a proposta apresentada na licitação para a construção do túnel na região do Portão do Inferno, trecho considerado um dos mais críticos da rodovia MT‑251, que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães. A abertura da concorrência pública ocorreu na última segunda-feira (9) e contou com proposta apresentada pelo consórcio TB-ETEL, formado pelas empresas Toniolo Busnello e ETEL Estudos Técnicos. Agora, o processo entra na fase de habilitação e análise de preços, etapa que irá avaliar a viabilidade técnica e financeira da proposta apresentada antes da definição da empresa vencedora. O projeto prevê a construção de um túnel com cerca de 170 metros de extensão em pista de concreto com acostamento. Considerando os acessos e intervenções complementares, a obra deverá alcançar aproximadamente 513 metros de extensão total. A proposta foi definida pelo Governo do Estado como a alternativa mais vantajosa para resolver definitivamente os problemas geológicos da região, garantindo maior segurança aos motoristas e reduzindo impactos ambientais e paisagísticos no local.   A contratação será feita no modelo integrado. Isso significa que a empresa ou consórcio vencedor ficará responsável tanto pela elaboração dos projetos básicos e executivos quanto pela execução completa da obra. Segundo o edital, o prazo estimado para execução do túnel será de 420 dias a partir da assinatura da ordem de serviço, enquanto o contrato total pode chegar a 510 dias. O avanço da licitação representa mais um capítulo de uma discussão que se arrasta há anos em Mato Grosso. O trecho do Portão do Inferno é conhecido pela instabilidade do maciço rochoso, que apresenta histórico de quedas de blocos, rachaduras e risco de deslizamentos. Estudos técnicos realizados pelo governo apontaram comprometimento estrutural da encosta, exigindo intervenções constantes para evitar acidentes. Desde então, a rodovia passou a enfrentar sucessivas intervenções emergenciais, como instalação de barreiras de contenção, retirada de rochas soltas, monitoramento geológico e restrições ao tráfego de veículos pesados. Em vários períodos também foram necessárias interdições totais ou o sistema “pare e siga”, especialmente durante períodos de chuva ou trabalhos de remoção de blocos. Essas medidas, embora necessárias para garantir a segurança, acabaram provocando impactos significativos na economia e na rotina da população de Chapada dos Guimarães, município que depende diretamente da rodovia para turismo, comércio e deslocamento diário de moradores. Ao longo dos últimos anos, comerciantes, empresários do setor turístico e moradores da região vêm relatando prejuízos causados pelas interdições frequentes e pelas dificuldades de acesso à cidade. O impasse se tornou ainda mais evidente após o início das intervenções técnicas no trecho, quando estudos mais detalhados levaram o governo a abandonar a solução inicial de corte do paredão rochoso e optar pela construção do túnel, considerada a alternativa mais segura e definitiva para a região. Com o avanço da licitação e a análise da proposta apresentada, o governo estadual dá um novo passo para tentar destravar uma das obras de infraestrutura mais aguardadas da região. Caso o processo siga dentro do cronograma previsto, a construção do túnel poderá finalmente tirar do papel uma solução discutida há anos e encerrar um dos principais gargalos rodoviários entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães.