JB News
por Nayara Cristina
Uma denúncia registrada em Cuiabá foi o ponto de partida para a deflagração da Operação Thunderstruck, desencadeada na manhã desta terça-feira pela Polícia Civil de Mato Grosso em conjunto com a Polícia Civil de São Paulo, que resultou na prisão de 12 pessoas suspeitas de integrar um grupo criminoso especializado em golpes de venda de veículos pela internet.
Ao todo, foram cumpridas 39 ordens judiciais expedidas pelo Núcleo da Justiça 4.0 de Garantias de Cuiabá, sendo 12 mandados de prisão, 15 de busca e apreensão domiciliar e 12 bloqueios de contas bancárias no valor de R$ 120 mil cada, totalizando R$ 1,4 milhão em valores constritos. Todas as medidas foram executadas simultaneamente no estado de São Paulo, nas cidades de Osasco, São Bernardo do Campo, Itanhaém, Santo André, São Caetano do Sul, Diadema e na capital paulista.
A investigação foi conduzida pela Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, sob coordenação do delegado Bruno Mendo Palmiro, que representou judicialmente pelas medidas cautelares contra os investigados. O inquérito teve início após uma vítima em Cuiabá procurar a polícia relatando ter sido enganada ao tentar comprar um veículo anunciado em uma plataforma digital.
De acordo com as apurações, o principal investigado utilizava identidade falsa e construía uma narrativa persuasiva para dar aparência de legalidade ao negócio. Ele alegava que o veículo teria sido envolvido em um suposto sinistro com transportadora e que, após um acordo indenizatório, precisava vendê-lo com urgência. A estratégia era criar senso de oportunidade e pressionar a vítima a fechar rapidamente a transação.
Durante as tratativas, diferentes interlocutores passaram a contatar a vítima por números distintos de telefone, alternando-se nos papéis de vendedor, representante de transportadora e até funcionário de concessionária. Para reforçar a credibilidade do golpe, foi enviado um suposto termo de quitação em papel timbrado, simulando a regularidade da venda. Convencida da legitimidade da negociação, a vítima realizou a transferência bancária no valor de R$ 120 mil.
Com a quebra de sigilo bancário e telemático autorizada pela Justiça, os investigadores conseguiram reconstruir o caminho do dinheiro. Segundo o delegado Bruno Mendo Palmiro, o valor foi imediatamente submetido a um processo de pulverização financeira, técnica conhecida como “smurfing”, que consiste na fragmentação da quantia em diversas transações de pequeno valor e repasses sucessivos a múltiplos beneficiários.
“A dinâmica evidencia a atuação estruturada do grupo, com uso de contas bancárias de passagem para dificultar o rastreamento dos valores, característica típica de organizações especializadas em estelionatos eletrônicos”, explicou o delegado.
O nome da operação, Thunderstruck — expressão em inglês que significa “atingido pelo trovão” — simboliza o impacto da ação policial, que alcançou simultaneamente alvos em sete cidades paulistas. Para a Polícia Civil, a ofensiva representa um duro golpe contra uma estrutura criminosa que se valia da confiança nas transações digitais para aplicar fraudes de alto valor.
As investigações continuam para identificar outros possíveis integrantes do grupo e verificar se há mais vítimas em Mato Grosso e em outros estados. A polícia também trabalha para apurar o montante total movimentado pela organização, que pode ultrapassar os valores inicialmente identificados.
A Operação Thunderstruck reforça o alerta das autoridades para que compradores redobrem a cautela em negociações de veículos pela internet, especialmente quando houver pressão por pagamento imediato, uso de intermediários e justificativas emergenciais para a venda.