Fuga planejada, tiros e suspeita de facilitação: o que se sabe sobre a evasão na cadeia de porto alegre do norte
A tentativa de fuga registrada na Cadeia Pública de Porto Alegre do Norte, a mais de mil quilômetros de Cuiabá, ganhou contornos mais complexos à medida que novas informações surgem sobre a ação protagonizada por seis detentos na manhã desta quinta-feira (23). O episódio, que terminou com dois foragidos, dois recapturados e dois baleados, agora é alvo de apuração detalhada por parte da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT) e das forças policiais.
Segundo relatos preliminares de agentes penitenciários, a fuga não foi improvisada. Há indícios de que os detentos já vinham observando a rotina da unidade e identificaram fragilidades no momento do banho de sol — período em que ficam fora das celas e há maior circulação interna. Foi justamente nesse intervalo que o grupo conseguiu acessar a grade de contenção, possivelmente já danificada ou previamente enfraquecida, levantando suspeitas sobre eventual facilitação interna.
Os envolvidos foram identificados como Abner Fernando da Silva e Lucas Daniel Souza Aguiar, que conseguiram escapar e seguem foragidos; Adonias Dias Costa e Gabriel Cardoso Pereira, recapturados ainda nas imediações da unidade; além de Carlos Daniel Costa Silva e Jovenilho Pereira de Moraes, que foram atingidos por disparos durante a contenção. De acordo com informações oficiais, os tiros ocorreram após os detentos desobedecerem ordens de parada, procedimento previsto em protocolos de segurança para evitar evasões. Ambos foram socorridos e não correm risco de morte.
Fontes ligadas à segurança pública indicam que a ação pode ter contado com algum tipo de apoio, seja interno — com possível negligência ou conivência —, seja externo, embora até o momento não haja confirmação oficial sobre participação de terceiros fora da unidade. A hipótese de que os foragidos teriam apoio logístico para fuga na região também está sendo considerada, principalmente pela dificuldade geográfica e pela rapidez com que desapareceram após deixarem o presídio.
A Polícia Militar e a Polícia Civil intensificaram as buscas na região, com barreiras montadas em pontos estratégicos e diligências em áreas rurais próximas. Equipes também trabalham com levantamento de informações de inteligência para identificar possíveis rotas de fuga e esconderijos.
O caso expõe, mais uma vez, a fragilidade do sistema prisional em regiões mais afastadas do estado, onde limitações estruturais e de efetivo podem comprometer a segurança. Enquanto isso, a prioridade das autoridades segue sendo a recaptura dos foragidos e o esclarecimento completo de como uma ação coordenada conseguiu romper as barreiras de uma unidade prisional sob vigilância.