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Por Emerson Teixeira
A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu, nesta terça-feira (30), o mandado de prisão preventiva contra o investigador aposentado Luciano Testa, de 56 anos, acusado de espancar brutalmente o idoso Agessander Manoel, de 62 anos, dentro do elevador do Condomínio Residencial Ilha dos Açores, no bairro Cidade Alta, em Cuiabá. O caso, registrado por câmeras de segurança, provocou grande repercussão no Estado e levou a Justiça a considerar que o investigado representa risco concreto de novas agressões.

A ordem de prisão foi expedida pela 14ª Vara Criminal da Capital, após manifestação favorável do Ministério Público. O juiz João Bosco Soares da Silva concluiu que medidas cautelares seriam insuficientes diante da gravidade dos fatos, do comportamento reiterado do acusado e da possibilidade de reiteração criminosa, especialmente porque investigado e vítima residem no mesmo condomínio. Após ser localizado pela Gerência Estadual de Polinter e Capturas, Luciano Testa foi encaminhado para audiência de custódia e permaneceu à disposição do Poder Judiciário.
O episódio ocorreu no dia 11 de junho e foi integralmente registrado pelo sistema de monitoramento do prédio. As imagens mostram o ex-investigador desferindo sucessivos socos contra o morador de 62 anos dentro do elevador. Mesmo depois de a vítima cair ao chão, as agressões continuaram com chutes. A esposa do idoso, ao tentar impedir o espancamento, também foi agredida e sofreu lesões durante a confusão. O filho do investigado, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), presenciou toda a cena, assim como outra moradora do edifício.
As investigações apontam que a violência foi antecedida por uma longa sequência de desentendimentos entre os moradores. Segundo o relato da vítima, os conflitos começaram meses antes, após um episódio envolvendo uma acusação de assédio dentro do condomínio. Desde então, o policial aposentado teria passado a fazer provocações frequentes e ameaças. O Ministério Público sustenta que o espancamento não foi um ato isolado, mas o desfecho de uma escalada de intimidações que culminou na agressão registrada pelas câmeras de segurança.

Durante a análise do pedido de prisão, vieram à tona documentos da Corregedoria-Geral da Polícia Judiciária Civil que revelam um histórico funcional preocupante do ex-servidor. Conforme os autos, Luciano Testa responde a procedimento administrativo disciplinar por supostamente agredir e ameaçar outro morador do mesmo condomínio. Além disso, também é alvo de apuração interna relacionada a um inquérito envolvendo homicídio qualificado, circunstâncias que reforçaram o entendimento de que sua liberdade representaria risco à ordem pública.
Na decisão, o magistrado destacou que a prisão preventiva se mostrou necessária para preservar a integridade física da vítima, garantir a ordem pública e evitar novas práticas criminosas. O Ministério Público também argumentou que a idade da vítima e a intensidade da violência empregada aumentavam o risco de consequências ainda mais graves caso novas agressões ocorressem

Após a divulgação das imagens, Luciano Testa utilizou as redes sociais para apresentar sua versão dos fatos. Ele afirmou que o desentendimento teria origem em um episódio anterior envolvendo suposta importunação sexual, versão que é contestada pela investigação e pelas vítimas. O caso continua sendo apurado pela Delegacia Especializada de Delitos Contra a Pessoa Idosa, que dará prosseguimento ao inquérito até a conclusão das investigações.