JB News
Por Nayara Cristina
Alvo da Operação Emenda Oculta, o deputado estadual Elizeu Nascimento usou a tribuna da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (6) para rebater as suspeitas levantadas pelo Ministério Público de Mato Grosso e afirmar que ainda não teve acesso integral ao processo que investiga supostos desvios envolvendo emendas parlamentares destinadas a institutos privados no estado.
A operação, deflagrada pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), teve como alvos o parlamentar, o vereador por Cuiabá Cezinha Nascimento e outras pessoas ligadas a entidades investigadas por supostas irregularidades em contratos e movimentações financeiras envolvendo recursos públicos. Durante o cumprimento dos mandados, investigadores apreenderam dinheiro em espécie, aparelhos eletrônicos, documentos e determinaram medidas de bloqueio judicial.
Em pronunciamento à imprensa, Elizeu afirmou que respeita o trabalho das autoridades, mas destacou que sua defesa ainda aguarda acesso aos autos da investigação, que tramitam sob segredo de Justiça.
“Nosso advogado ainda não teve acesso ao processo porque corre em segredo de Justiça, mas respeitamos o trabalho da Justiça, estamos à disposição e tranquilos quanto a tudo isso”, declarou.
O deputado também comentou a apreensão de aproximadamente R$ 200 mil encontrada em sua residência durante a operação. Segundo ele, os valores possuem origem lícita, estão declarados em Imposto de Renda e são compatíveis com patrimônio já informado à Justiça Eleitoral em campanhas anteriores.
“Elas recolheram um valor que estava dentro da minha residência. Em 2018 eu já havia declarado cerca de R$ 150 mil em espécie. Em 2022 também declarei aproximadamente R$ 170 mil a R$ 180 mil. Tudo isso consta na minha declaração”, afirmou.
Segundo Elizeu, extratos bancários e comprovantes de saque também foram apreendidos pelos investigadores e demonstrariam a origem do dinheiro. O parlamentar afirmou que parte dos recursos corresponde a salário e verbas indenizatórias movimentadas ao longo do mandato.
Além da apreensão de dinheiro, a investigação também apura o destino de aproximadamente R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares destinadas a institutos investigados pelo Ministério Público. O deputado negou qualquer irregularidade e afirmou que os recursos foram aplicados em projetos ligados à educação militar em Mato Grosso.
De acordo com ele, os investimentos foram realizados ao longo de três anos e permitiram a entrega de milhares de uniformes e materiais esportivos para escolas militares em diversas cidades do estado.
“Esses R$ 7,7 milhões se referem a investimentos na educação militar. Nós conseguimos entregar aproximadamente 22 mil kits de uniformes de educação física por ano para escolas militares como Tiradentes e Dom Pedro II, contemplando mais de 25 escolas militares em Mato Grosso”, disse.
O parlamentar afirmou que, somando os três anos de investimentos, mais de 100 mil kits foram distribuídos a estudantes da rede militarizada. Segundo ele, além dos uniformes, as emendas também financiaram bolas, redes e outros equipamentos esportivos destinados às unidades escolares.
“A maioria dessas entregas eu acompanhei pessoalmente. São ações que impactam diretamente a vida das famílias, gerando economia para milhares de alunos”, argumentou.
Elizeu também rebateu informações relacionadas a bloqueios milionários. Segundo ele, a decisão judicial conhecida até agora menciona um bloqueio de até R$ 250 mil vinculado ao seu nome, e não os valores totais divulgados em relação às entidades investigadas.
“O que temos acesso até agora é um pedido de bloqueio de até R$ 250 mil referente à minha pessoa. Nosso jurídico está buscando acesso completo aos autos para que possamos esclarecer tudo com mais clareza”, declarou.
As investigações conduzidas pelo Naco apontam suspeitas envolvendo repasses destinados ao Instituto Social Mato-Grossense (Ismat) e ao Instituto Brasil Central (Ibrace), entidades que teriam recebido recursos públicos por meio de emendas parlamentares. O Ministério Público apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, desvios e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a execução dos projetos financiados.
A operação é tratada como um dos desdobramentos mais delicados envolvendo emendas parlamentares em Mato Grosso nos últimos anos e teve forte repercussão política dentro da Assembleia Legislativa. Apesar disso, Elizeu afirmou que seguirá exercendo normalmente suas funções parlamentares e insistiu que todas as ações realizadas possuem documentação e prestação de contas.
“Estamos tranquilos. Não cometemos nenhum crime, nenhuma irregularidade. Todas essas ações estão declaradas e possuem prestação de contas. Vamos continuar trabalhando pelo estado de Mato Grosso”, concluiu.
Veja