Ana Paula Figueiredo
Analista avalia que alívio comercial após ação dos EUA pode ser temporário e gerar instabilidade para o agronegócio
A recente decisão do governo dos Estados Unidos de zerar a sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros acendeu um alerta no setor agropecuário. Para especialistas, apesar do alívio imediato, o movimento pode esconder riscos relevantes para o produtor rural, especialmente diante do aumento da tensão diplomática envolvendo a prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro.
Segundo analistas do mercado agrícola, a retirada das tarifas ocorre em um momento estratégico e não deve ser interpretada como uma garantia de estabilidade comercial. “Essa decisão pode voltar contra o produtor brasileiro a qualquer momento, dependendo do rumo político que o Brasil adotar”, avalia um especialista em comércio internacional do agronegócio.
Em 2025, as sobretaxas impostas pelos Estados Unidos provocaram queda de 6,6% nas exportações brasileiras do setor, afetando diretamente produtos como suco de laranja, madeira e etanol. Com o fim temporário da taxação, o Brasil recupera competitividade, mas o cenário segue instável.
O risco maior, segundo a análise, está no possível retorno das tarifas caso o governo brasileiro endureça o discurso diplomático contra Washington. “Qualquer escalada política pode refletir imediatamente no câmbio, nos custos logísticos e no preço das commodities”, explica.
Outro ponto de atenção envolve o mercado de energia. Caso os Estados Unidos avancem sobre o petróleo venezuelano e ampliem a oferta global, o preço do barril pode cair, pressionando o valor da gasolina e reduzindo a competitividade do etanol no Brasil. Esse efeito pode impactar diretamente o preço pago ao produtor de milho e de cana-de-açúcar.
Para o especialista, o momento exige cautela. “O produtor precisa se proteger. O cenário é de volatilidade e decisões políticas externas podem atingir em cheio a margem de quem está no campo”, conclui.