JB News
por Nayara Cristina
Após uma forte repercussão negativa nos bastidores da política mato-grossense, principalmente entre lideranças do Partido Liberal (PL), o senador Jayme Campos recuou e afirmou, nesta sexta-feira (30), que a declaração sobre um suposto apoio à candidatura do também senador Wellington Fagundes ao Governo de Mato Grosso não passou de uma brincadeira feita durante entrevista à TV Vila Real. Segundo Jayme, a conversa sobre um eventual apoio mútuo, com a indicação das respectivas esposas como candidatas a vice-governadora, ocorreu em tom descontraído e sem qualquer valor de acordo político.
A polêmica ganhou força após Jayme Campos comentar, durante agenda no interior do estado, que poderia apoiar Wellington Fagundes ao Palácio Paiaguás caso ele indicasse sua esposa, a ex-prefeita de Várzea Grande Lucimar Campos (União Brasil), como vice em uma eventual chapa. A fala causou surpresa no meio político, sobretudo porque Jayme e Fagundes são cotados como possíveis adversários na disputa pelo governo em 2026.
Diante da repercussão, Jayme tratou de minimizar o episódio. “Foi uma brincadeira que eu fiz com o Hélito, tanto que foi de forma transparente e eu levei isso à imprensa. Inclusive conversei com ele há três dias e ele me perguntou: ‘Ô Jayme, você me apoia?’ Eu respondi que poderia apoiar, desde que ele estivesse melhor nas pesquisas. Foi tudo num tom de brincadeira”, explicou o senador.
Ainda segundo Jayme Campos, a conversa seguiu no mesmo clima informal, com a proposta sendo feita também no sentido contrário. “E se eu estiver melhor que você, você me apoia?”, teria questionado. Conforme relatado pelo senador, Wellington respondeu positivamente, dizendo que apoiaria, desde que, nesse cenário, Jayme convidasse sua esposa, Mariane Fagundes, para compor a chapa como vice-governadora.
No suposto “acordo”, que agora Jayme garante nunca ter existido de fato, a ideia seria formar uma aliança para enfrentar o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), pré-candidato ao governo e que conta com o apoio declarado do governador Mauro Mendes. Conforme já noticiado pelo JB News, Jayme Campos tem percorrido sozinho o interior de Mato Grosso para tentar viabilizar sua pré-candidatura ao governo pelo União Brasil, partido presidido em Mato Grosso pelo próprio Mauro Mendes.
Questionado sobre a possibilidade de recuar da disputa diante do apoio do governador a Pivetta, Jayme Campos foi categórico ao defender que o União Brasil tenha candidatura própria. “Eu sou pré-candidato do União Brasil. Só não serei se o partido não quiser ter uma candidatura própria”, afirmou. Para fortalecer o projeto, o senador disse que pretende propor uma consulta interna à legenda, ouvindo prefeitos, vereadores, deputados estaduais, federais e o diretório regional. Segundo ele, hoje entre 80% e 90% do partido já estariam alinhados à sua possível candidatura.
Nos bastidores, no entanto, a declaração inicial não foi bem recebida, especialmente entre lideranças do PL. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, reagiu publicamente e afirmou que esse não seria um acordo da direita, mas apenas uma articulação pessoal entre Jayme Campos e Wellington Fagundes, ressaltando que o campo conservador não apoiaria esse tipo de composição. Já a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, avaliou que Wellington estaria “dando um tiro no próprio pé” caso insistisse em uma aliança dessa natureza.
Com o desgaste político, Jayme Campos voltou a se manifestar para reforçar que não há qualquer pacto firmado e que a fala não deve ser interpretada como sinal de recuo ou alinhamento com adversários. Segundo o senador, sua pré-candidatura segue mantida e o debate agora será conduzido internamente no União Brasil, onde pretende medir oficialmente o apoio ao seu nome para a disputa pelo Governo de Mato Grosso em 2026.