Abílio diz que assédio sexual é intolerável, apoia comissão especial por não expor vítima e pede calma até conclusão das investigações, VEJA O VÍDEO

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JB News por Nayara Cristina   “Não toleramos qualquer tipo de assédio”, diz Abílio; comissão especial amplia crise política na Câmara de Cuiabá A exoneração do ex-secretário municipal de Trabalho, Ilia Leite de Campos, deixou de ser apenas um episódio administrativo e se transformou em um dos casos políticos mais delicados do ano em Cuiabá. A denúncia de assédio sexual registrada por uma ex-servidora junto à Polícia Civil provocou forte repercussão pública e obrigou o Executivo e o Legislativo a se posicionarem diante da gravidade das acusações. A Câmara Municipal de Cuiabá aprovou a criação de uma comissão especial para acompanhar o caso, alternativa encontrada diante da limitação regimental que impede o funcionamento simultâneo de mais de cinco CPIs na Casa. A proposta, articulada pela vereadora Catiuscia Mantelli e pela advogada Mara, foi apresentada como uma resposta institucional à repercussão do boletim de ocorrência, evitando — segundo defensores da medida — exposição excessiva da denunciante. O prefeito Abílio Brunini detalhou a cronologia dos acontecimentos para rebater críticas de omissão. Segundo ele, o então secretário pediu exoneração pela manhã de sexta-feira, alegando desgaste pessoal e arquivamentos anteriores na Polícia e no Ministério Público. Apenas às 17h daquele mesmo dia foi registrado o boletim de ocorrência. “Até 5 horas da tarde ninguém tinha acesso a essa informação”, afirmou. Abílio argumenta que o primeiro pedido de CPI apresentado na Câmara não tinha objeto determinado, pois se baseava apenas em um vídeo divulgado anteriormente, sem mencionar formalmente o boletim. Com o registro oficial da denúncia, segundo ele, o cenário mudou. No sábado seguinte, o prefeito afirma ter acionado imediatamente a Procuradoria e a Controladoria do Município para encaminhar o caso à apuração administrativa interna, enquanto a investigação criminal segue sob responsabilidade da Polícia Civil. O chefe do Executivo enfatizou que sua gestão não compactua com qualquer forma de assédio. “De maneira nenhuma toleramos qualquer tipo de acusação de assédio. Seja moral, seja sexual. Isso é intolerável”, declarou. Ao mesmo tempo, adotou cautela ao evitar prejulgamentos: “Não estou fazendo condenação de ninguém, nem dizendo que não houve a situação. Espero que os órgãos competentes façam a devida apuração”. O prefeito também reforçou a necessidade de proteger a denunciante, mencionando preocupação com a revitimização e com a exposição pública de mulheres que registram ocorrência. Segundo ele, transformar o caso em espetáculo político poderia gerar novos danos. A defesa da comissão especial, nesse contexto, seria uma forma de acompanhar os desdobramentos da investigação sem criar um ambiente de exposição semelhante a audiências públicas ou oitivas abertas. Nos bastidores do Legislativo, no entanto, parlamentares admitem que a movimentação também tem forte componente político. Parte dos vereadores defende que a Câmara precisa assumir protagonismo para evitar qualquer narrativa de blindagem ao Executivo. Outros avaliam que o episódio tem sido usado como instrumento de desgaste político. Abílio ainda criticou o que classificou como “indignação seletiva”, citando a Operação Gorjeta, que investigou desvio de emendas parlamentares, e questionando se haverá o mesmo rigor investigativo em outros casos envolvendo membros do próprio Legislativo. A fala amplia o tensionamento institucional e reforça o clima de confronto entre os Poderes. O caso permanece sob investigação da Polícia Civil. Caso surjam novos elementos, o prefeito admite que o Ministério Público poderá ser novamente acionado para eventual abertura de novo inquérito. Enquanto isso, a comissão especial da Câmara deverá acompanhar os desdobramentos e produzir relatórios sobre o andamento das apurações. A crise evidencia não apenas a gravidade da denúncia, mas também o ambiente político polarizado que domina a capital. Entre o discurso de tolerância zero ao assédio e a disputa por protagonismo institucional, Cuiabá vive mais um episódio que mistura investigação criminal, desgaste político e tensão entre Executivo e Legislativo. Veja : https://youtu.be/jKXa1HK5vlA?si=gkzNWtLKmHhktYBG