JB News
Por Emerson Teixeira
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta terça-feira (9), uma ampla operação para desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas conhecidas como “golpe do falso executivo”. Em Mato Grosso, foram cumpridos 48 mandados judiciais, entre eles 16 ordens de prisão e 32 de busca e apreensão em Cuiabá e Várzea Grande.
A ofensiva integra a Operação Interface, coordenada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que também realiza diligências no Rio Grande do Norte. Ao todo, a Justiça autorizou 87 medidas cautelares, incluindo prisões, buscas e bloqueios de contas bancárias ligadas aos investigados.
As investigações apontam que o grupo criminoso causou prejuízo superior a R$ 193 mil a uma empresa do setor industrial do Rio Grande do Sul. Segundo a apuração, os suspeitos utilizavam aplicativos de mensagens para se passar por altos executivos de empresas e, por meio de técnicas de engenharia social, convenciam funcionários do setor financeiro a realizar transferências bancárias para contas controladas pela quadrilha.
O caso que originou a investigação ocorreu em 2025. Uma assistente financeira recebeu mensagens atribuídas ao presidente da empresa onde trabalhava. Como o executivo costumava solicitar pagamentos durante viagens, a funcionária não suspeitou da fraude e efetuou diversas transferências para contas indicadas pelos criminosos.
A irregularidade só foi percebida dias depois, quando os valores movimentados chamaram atenção. Ao verificar os dados de contato, a vítima descobriu que o número utilizado pelos golpistas não pertencia ao verdadeiro dirigente da empresa.
As apurações revelaram que o esquema era estruturado e contava com divisão de funções entre os integrantes. Havia pessoas responsáveis por emprestar contas bancárias para recebimento dos recursos ilícitos, recrutadores encarregados de localizar esses titulares e integrantes que coordenavam toda a movimentação financeira.
De acordo com a Polícia Civil, após a concretização dos golpes, os valores eram rapidamente distribuídos para dezenas de contas em diferentes estados do país, estratégia utilizada para dificultar o rastreamento do dinheiro e atrasar eventuais bloqueios judiciais.
Os investigadores identificaram ainda os principais articuladores da fraude, apontados como reincidentes em crimes semelhantes. A suspeita é de que o grupo tenha atuado em outros golpes corporativos pelo país.
A operação mobilizou equipes da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, com apoio de unidades especializadas da Polícia Civil de Mato Grosso, além de órgãos federais voltados ao combate aos crimes cibernéticos.
As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e dimensionar o alcance financeiro da organização criminosa. A Polícia Civil alerta empresas para que reforcem os mecanismos internos de conferência antes de autorizar pagamentos, principalmente quando as solicitações forem feitas por mensagens instantâneas e envolverem valores elevados ou caráter de urgência.